Contra o mosquito Aedes, vale até roupa feita com tecido-repelente

Tecido que promete afastar mosquito chega ao mercado e encontra clientes entre grávidas e idosos com medo da zika

Contra o mosquito Aedes, vale até roupa feita com tecido-repelente

Tecido que promete afastar mosquito chega ao mercado e encontra clientes entre grávidas e idosos com medo da zika

Por | Edição do dia 26 de maio de 2016
Categoria: Artigos, Notícias, Saúde | Tags: ,,,


A propaganda chamou atenção: um tecido banhado em repelente, para ajudar no combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, febre Chikungunya e do Zika vírus, doença associada ao aumento dos casos de microcefalia no Brasil. A novidade foi anunciada pela conhecida empresa Santista e chegou ao mercado na última semana. Não foi possível confirmar se lojas alagoanas já possuem o tecido, mas com certeza não vão faltar clientes interessados.

De acordo com a assessoria da Santista, o tecido é banhado em “um princípio ativo amplamente utilizado em cosméticos e agricultura” e reconhecido como seguro pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – consta em sua lista de medicamentos – e pode ser utilizado para fabricar roupas para crianças a partir de 36 meses e adultos, especialmente gestantes. Algo que seria muito útil para a professora Lucineide Silva, grávida de 7 meses.

Lucineide Silva usaria o tecido para afastar mosquitos durante a gravidez (Foto: Nathália Calazans)

Lucineide Silva usaria o tecido para afastar mosquitos durante a gravidez (Foto: Nathália Calazans/arquivo pessoal)

“Usaria roupas com esse tecido com certeza. Usei de tudo nesse período para prevenir a zika e a chikungunya: mosquiteiro, raquete, roupas de mangas compridas, até suco de inhame tomei. Sabendo da existência desse tecido, seria mais um aliado no combate e prevenção dessas doenças. O que puder ajudar em prol de minha bebê eu faço”, conta Lucineide.

Representante de outro público alvo das ações de prevenção às doenças provocadas pelo Aedes, José Pedrosa de Araújo, de 81 anos, seria outro a se vestir nas roupas feitas com o tecido-repelente, garantem os filhos. Com a saúde debilitada pela idade avançada, o aposentado aumentou um pouco mais a preocupação de todos após ter se recusado a tomar a vacina contra o H1N1.

“Ele tomou a vacina da gripe no ano passado e ficou muito doente, teve uma reação muito forte. Aí disse que a vacina era para matar os velhos e se recusou a tomar esse ano. Ele usa repelente, dorme agasalhado, nós tomamos cuidado de olhar sempre a casa e combater o foco dos mosquitos, mas a gente não controla as casas vizinhas, né?”, explica Jobson Pedrosa, filho do meio de seu José, explicando os cuidados com o pai.

Jobson não vê problemas em aumentar a dose de cuidados com mais uma forma de proteção. “Só que eu ia precisar ver a eficácia desse tecido, se é seguro, e o preço. Um material assim deve ser caro”, pondera.

A questão da segurança é explicada pela própria assessoria da Santista, uma das maiores fabricantes brasileira de tecidos do país, no material de divulgação da linha “Protect by Santista”, como é chamado o tecido repelente. Só não há detalhes sobre o preço.

“O composto age de três maneiras: repele a aproximação do mosquito, provoca hipersensibilidade nas patas do inseto para afugentá-lo caso ocorra contato e provoca efeito paralisante se houver persistência de contato. O tecido tem durabilidade mínima de 50 lavagens e foi testado em laboratório internacional”, diz a divulgação, que ainda trouxe um dos diretores garantindo os padrões de controle do repelente no tecido.

“A Santista teve a preocupação de utilizar um químico seguro para a saúde, dentro dos limites de aplicação do principio ativo em cosméticos definidos por órgãos governamentais dos Estados Unidos (ex. FDA) e da União Europeia”, explica Mauro Preti, diretor da Santista WorkSolution. “Trata-se de um produto inédito para roupas leves, as quais são utilizadas no dia a dia”.

Empresa explica funcionamento do tecido repelente (Imagem: divulgação)

Empresa explica funcionamento do tecido repelente (Imagem: divulgação)

Tecidos com repelente desde 2009

O projeto de desenvolver tecidos leves de camisaria para a linha Protect começou no último trimestre de 2015, de acordo com a Santista, quando começaram as primeiras notificações de casos de microcefalia em recém-nascidos associadas ao zika vírus. Foram seis meses para desenvolver a linha e colocá-la no mercado. O momento é oportuno, visto que as regiões Sudeste e Centro Oeste ainda enfrentam surto de zika, que podem refletir em bebês nascendo com microcefalia.

No entanto, o uso de repelentes em tecidos da empresa é mais antigo, desde 2009, no segmento de tecidos para uniformes de atividades expostas a riscos, como leituristas, militares do Exército, membros dos Correios e do Controle de Zoonoses. Esses tipos de tecido são banhados em soluções repelentes contra mosquitos, moscas, percevejos, traças, besouros e pequenos aracnídeos.

Também chamam atenção os “tecidos tecnológicos”, para uniformes de profissionais em plataformas de petróleo ou que atuam próximos à rede elétrica, por exemplo. São tecidos com propriedades de retardante à chama, proteção de riscos térmicos provenientes de fogo repentino, isolantes de arco elétrico, antiodor e repelência a líquidos (evita a absorção de óleo e derivados), entre outros.

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