Comunicação popular: o papel da rádio comunitária A Voz FM

Por | Edição do dia 9 de dezembro de 2015
Categoria: Artigos, Especiais | Tags: ,


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A voz FM teve sua outorga aprovada em setembro de 2001 (Foto: Danielle Henrique)

A presença das rádios comunitárias no Brasil surgiu com sua regulamentação em 1998. Desde então, essa forma alternativa e não comercial de noticiar, começou a se espalhar principalmente em comunidades ou periferias de grandes capitais.

Sem pretensões de fins lucrativos, essas rádios existem principalmente através de trabalhos voluntários e colaboração financeira da própria população, além disso, seu objetivo principal é divulgar aquilo que não é encontrado nas rádios corporativas e ou de propriedade privada de políticos partidários. Que não são poucas.

Em Maceió existem três rádios comunitárias que possuem permissão para funcionar: A voz FM (Chã de Bebedouro), Martins FM (Tabuleiro dos Martins) e Serraria FM (Serraria). Dessa vez iremos contar a história da rádio A voz FM.

Transmitida pela frequência 87.9, A Voz FM está localizada num dos bairros mais populosos e históricos de Maceió, a Chã de Bebedouro. Sua outorga foi aprovada no dia 29 de setembro de 2001, mesmo ano de sua inauguração. Suas atividades se iniciaram na Rua Cônego Costa, localizada no mesmo bairro.

A rádio se renovou e com a solicitação de um novo local (já que o anterior era alugado), passou a transmitir sua frequência na ladeira do bairro. Todo esse trâmite foi feito com o Ministério das Comunicações.

Para conseguir desenvolver uma rádio comunitária numa comunidade, é preciso passar por alguns trâmites legais, o Radialista Kiko Nascimento explica como é o processo. “Primeiro, é feita uma assembleia geral com a comunidade para a fundação de uma associação comunitária, no caso da Chã de Bebedouro, a Associação Comunitária A Voz de Bebedouro, depois a Associação é criada legalmente e é feito um pedido de concessão para a criação da rádio.”

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O radialista Kiko Nascimento comanda toda manhã o programa “Nossa voz” (Foto: Danielle Henrique)

A distância de uma emissora pra outra é de aproximadamente três quilômetros, já o alcance depende bastante do local em que ela está. A voz FM possui uma vantagem porque está localizada às margens da Lagoa Mundaú, que funciona como um espelho que reflete no alcance das ondas da rádio, chegando, por exemplo, até o Centro de Maceió.

Essa distância é totalmente diferenciada das rádios comerciais, porque elas são livres, podendo ter uma potência de até 50 quilômetros, como a Rádio Gazeta, citando um exemplo.

A rádio comunitária possui diversos papéis sociais, inclusive para a população onde funciona: ela une os moradores, o radialista consegue interagir com todas as pessoas, há compartilhamento de forma eficiente sobre tudo que está acontecendo naquela localidade. Kiko Nascimento acrescenta: “a dona de casa liga e pede uma música, informações são trocadas a todo o momento, fazendo com todos estejam conectados com os fatos atuais”.

O principal foco do comunicador comunitário é transmitir informações principalmente para comunidade de onde a rádio está instalada. Chegando facilmente nas residências, essa troca entre profissional e moradores coloca em cheque a relevância comunicacional e social das rádios comunitárias.

As rádios comunitárias foram criadas essencialmente para proporcionar lazer, entretenimento e informação para pequenas comunidades e são através delas que divulgações sobre suas ideias, tradições e manifestações culturais são transmitidas para população.

Sobre a programação

A rádio possui programação durante todos os dias da semana, diferenciado entre radialistas e horários. O período da manhã se inicia com o Pé de Serra, com o radialista Geovan Oliveira. Depois o show é comandado por Kiko Nascimento, com o programa Nossa Voz. Sábado de manhã é a vez do programa Discoteca, por Messias, que leva para os ouvintes as baladas românticas.

A programação diária segue com espaços para o Flashback Nacional (inicio da tarde), período evangélico, Voz do Brasil e encerrando com outro programa evangélico pelo radialista Wellington Nascimento.

No domingo a transmissão é feita diretamente de um campo de futebol, seguindo na programação com o horário sertanejo.

Como a rádio vive?

O apoio cultural é a principal ajuda que a rádio mantém. O radialista também realiza contatos para conseguir esse apoio cultural. Com isso, é possível pagar energia, água, aluguel, manutenção dos computadores, transmissor, além de taxas. Os próprios moradores da rádio ajudam para que ela se mantenha, porque fazer uma rádio funcionar, não é tarefa fácil.

Obstáculos: limitação de atividades

Os limites impostos para o funcionamento de rádios comunitárias traz a discussão já pautada no Brasil sobre a democratização dos meios de comunicação. Se o interesse é deixar livre a radiodifusão, então porque as rádios comunitárias só podem funcionar em baixa potência e cobertura restrita?. Elas não podem fazer anúncios publicitários, só operam com frequência de 104,9 megahertz, não possuem mais que 25 watts de potência, a antena não pode ser superior a 30 metros de altura e o alcance da transmissão só pode chegar, no máximo, a um quilômetro de extensão.

As rádios comunitárias transmitem aquilo que os agentes catalizadores pela mobilidade social (ou radialistas) recebem da comunidade em que trabalham e, muitas vezes, moram. É através dela que quem está nas redondezas vai poder se informar, através das análises interpretativas dos radialistas, sobre o que está acontecendo em seu bairro, comunidade, periferia. A importância não fica estreitamente ligada ao ato de não mercantilizar notícias, mas elas serem produzidas pela população.

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