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Compartilhando experiências internacionais: tráfico de pessoas

Alline Pedra Jorge Birol / 10:49 - 04/08/2019


Dia 30 de julho é o dia internacional de enfrentamento ao tráfico de pessoas. O tráfico de pessoas é uma grave violação de direitos humanos, crime na maior parte dos países. É a coisificação do ser humano e a transformação destes em objetos passíveis de exploração, enquanto estes lhes forem úteis.

E as formas de exploração são as mais diversas. Existe tráfico de pessoas para fins de trabalho forçado e para exploração sexual, que são os mais conhecidos, mas também para casamento forçado e até para a utlização em atividades criminosas, como o tráfico de drogas e a participação em conflitos armados. Tráfico de pessoas para a remoção de orgãos e para a mendicância. É incrivel a criatividade do ser humano quando decide dispor de outro e torná-lo escravo, submetendo seu semelhante as formas mais vis de sofrimento em troca do seu próprio benefício ou em troca de alguma vantagem financeira ou de algum valor.

Não que eu goste de sofrimento, mas me apaixonei pelo tema do tráfico de pessoas ainda enquanto aluna de Doutorado na Suíça. Ao mesmo tempo em que eu escrevia minha tese, em meados de 2008, sobre a participação das vítimas na justiça criminal, trabalhava em uma ONG baseada em Graz, na Austria, com o tema da educação para direitos humanos. E tinhamos lá um projeto sobre segurança humana, onde pela primeira vez, pesquisei sobre tráfico de pessoas e a importância da proteção e assistência das vítimas deste horrendo crime. E deste tema nunca mais me livrei ou ele nunca mais saiu de mim….

Conclui meu doutorado em 2010, e depois disso foram surgindo muitas consultorias e contratos com organizações internacionais sobre o tema, tendo sido responsável inclusive pelo primeiro Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas produzido no Brasil…e outros tantos instrumentos que até hoje servem àqueles que lutam diariamente contra esta forma de violência.

Hoje, trabalhando na Agência da ONU para as Migrações (OIM) na Turquia, vejo a cada dia como as pessoas passam por sofrimentos e privações que lhes empurram para este caminho, transformando-as em vítimas deste crime, muito vezes com seu próprio consentimento! Vejo também que a minha experiência acadêmica internacional abriu muito o meu caminho para uma carreira internacional, apesar das minhas raízes – base concreta e forte, centrada no respeito aos direitos humanos – serem em duas Universidades Federais do Brasil (Alagoas e Pernambuco).

É um caminho cheio de dúvidas e incertezas. Sair da zona de conforto não é simples. Mas é também um caminho cheio de aventuras…quem diria que uma retirante nordestina (nascida em São Paulo mas crescida em Maceió) iria trabalhar no Oriente Medio? Pois cá estou, e Deus sabe até quando, pois são as mãos da criminologia e das minhas paixões profissionais que me guiam.

***Alline Pedra Jorge Birol é Expert em Tráfico Humano e trabalha para a Organização Internacional para as Migrações na Turquia.

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