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Compartilhando experiências internacionais: mestrado em Portugal

Arthur Amorim / 2:14 - 11/08/2019


Navegar é preciso. Viver não é preciso!

Fernando Pessoa

 

Certo dia, parado em frente à janela da minha sala de trabalho avistando o mar, fui interrompido por um colega que, ao saber que eu fora selecionado para o mestrado em Direito da Universidade de Coimbra (Portugal), veio me parabenizar e aproveitou para perguntar o que eu achava sobre a frase de Fernando Pessoa. 

De pronto, respondi a ele que, quando o autor falava que navegar era preciso, queria dizer que navegar era algo necessário, essencial; mas que viver não necessariamente seria, pois a vida sem o risco de fazer algo que lhe mova a alma fica morna e chata.

Achei que tinha dado uma linda resposta, mas, logo fui surpreendido com a seguinte ponderação: “E se o significado for outro?; e se este ‘preciso’ for no sentido de precisão, de acerto? Assim – continuou ele – navegar poderia ser preciso no sentido de se fazer um planejamento ajustado com base em bússola e cartas náuticas (seriam o equivalente ao GPS na época do Pessoa!)”.

Fiquei cabreiro com a explicação do colega, mas, apesar de parecer que estávamos falando línguas diferentes, não o questionei. Segui em frente…  semanas depois, cruzei o Atlântico em busca de conhecimento.

No primeiro dia de aula, eu me espantei com o aspecto antigo da sala, mas logo fui informado que ali fora a Residência da Real Família Portuguesa. (Ual! Nada mal para o filho de um caminhoneiro e de uma professora de escola pública, cuja trajetória estudantil passou pela rede pública de ensino.

Mas o espanto aumentou quando soube que a Universidade fora criada em 1290… eu estava estudando num lugar com mais de 724 anos… bem mais que os 514 anos que o Brasil estava comemorando da data de sua “descoberta”. 

Durante os 9 meses de aula (e quase 2 anos de duração total do curso), busquei absorver ao máximo tudo o que me era oferecido. Adorava a rotina de chegar às 09 horas e só retornar às 22h, após passar o dia todo entre as salas de aula, as máquinas de café e a biblioteca. Ah… a biblioteca foi uma paixão à parte! Com um vastíssimo acervo, uma mesa para cada aluno (com luminária e WiFi), e, principalmente, com um respeitoso silêncio, ideal para quem deseja extrair o melhor de sua leitura. Enfim: era um pedacinho do paraíso!

Os professores também devem ser destacados, não apenas pelo inquestionável currículo, mas, principalmente, pela generosidade em compartilhar conhecimentos, permitindo-nos ousar, mesmo quando não concordavam com o que pensávamos.

Agora, se me perguntarem o que mais valeu a pena, responderei com 2 pontos: 1) a rede de amigos espalhada pelo mundo; 2) a certeza de que a educação e a vontade de vencer derrubam quaisquer barreiras entre você e seus objetivos.

Anos depois, chego à conclusão de que eu e o colega de trabalho estávamos falando a mesma língua. Hoje, com precisão, afirmo que é preciso navegar e viver tudo isso! Eu preciso, tu precisas, nós precisamos… 

****Arthur Amorim é Coach Executivo e de Carreira, Professor de Direito e Servidor do TRT.

 

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