Com tema polêmico, reportagem em quadrinhos fala sobre aborto

O livro-reportagem vai contar a história de três pernambucanas que tentam interromper as gestações de modo clandestino

Por | Edição do dia 7 de fevereiro de 2019
Categoria: Notícias, Regionais | Tags: ,,,


Tema polêmico e constante alvo de debates na atualidade, o aborto é o principal gancho de Tira, livro-reportagem que usa da linguagem dos quadrinhos para contar histórias de três mulheres pernambucanas que escolheram interromper suas gestações sob o método clandestino. A produção é dos jornalistas pernambucanos Nathallia Fonseca e Eduardo Nascimento, com ilustrações da artista visual Berta V.
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Reportagem acompanha as histórias de três pernambucanas que decidiram abortar. (Foto: Tira/Divulgação)

Além do lançamento e distribuição gratuita do livro, o evento contará com uma roda de conversa com o médico obstetra Olímpio Moraes (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e as pesquisadoras Fernanda Capibaribe (UFPE) e Paula Viana (Grupo Curumim). A ideia é fomentar o diálogo sobre aborto, um tabu no país em que uma a cada cinco mulheres com idades entre 18 e 39 anos já interromperam voluntariamente uma gravidez.
Na elaboração, os jornalistas buscaram uma narrativa “humanizada”, mas não deixando de relatar dores e sofrimentos nas etapas do processo. “O maior desafio foi como contar a história em detalhes sem expor as entrevistadas; o aborto além de crime é um tabu e nossa responsabilidade como jornalistas era de proteger nossas fontes de processos e assédios morais que poderiam surgir depois da publicação do livro”, diz Eduardo Nascimento.
Para fazer a reportagem seguindo dos métodos relatados, a dupla buscou obras de jornalistas em situação semelhante, como Joe Sacco ao cobrir conflitos na Palestina. “Nos serviu duplamente, tanto para não revelar a identidade das personagens como para retratar ambientes que não conseguiríamos acessar com uma câmera, como o interior de clínicas clandestinas”, completa Eduardo.
A trama traz três mulheres de diferentes idades e classes econômicas, mas que convergem em cicatrizes e impressões. “Nosso objetivo era explorar como a criminalização do aborto cria cicatrizes bem diferentes dependendo da origem social e do acesso à informação, no entanto, enquanto conversávamos com elas mais ficavam nítidas as semelhanças entre as muitas violências que essas mulheres sofreram, mesmo que por caminhos diferentes”, explica Nathallia Fonseca. “No fim decidimos misturar as três histórias porque são todas uma só: a história do aborto transformado em crime”.
O título, Tira, faz referência ao formato nos quadrinhos e ao verbo “tirar”, usado como sinônimo de “abortar” no vocabulário nordestino. O projeto foi financiado pelo edital “Jornalismo Investigativo em Direitos Humanos, Aborto e Saúde Pública” do Instituto Patrícia Galvão, em parceria com a Global Health Strategies e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo.
O lançamento será nesta quinta-feira (7), a partir das 19h, no sexto andar do Edifício Pernambuco, Centro do Recife.

 

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