Cientistas dizem que algumas crianças podem espalhar covid-19 mesmo que já tenham anticorpos

Pacientes com idades entre 6 e 15 anos demoraram mais, um tempo médio de 32 dias, para eliminar o vírus Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pocket(abre em nova janela)Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela)

Por Assessoria | Edição do dia 8 de setembro de 2020
Categoria: Internacional, Notícias


Com a reabertura de escolas e faculdades, cientistas dizem que o distanciamento social continua sendo uma resposta crítica de saúde pública ao covid-19.

Uma nova pesquisa divulgada na quinta-feira lança mais luz sobre as crianças com teste positivo para o novo coronavírus e seu grau de contágio.

As crianças geralmente permanecem assintomáticas ou apresentam poucos sintomas, e a pesquisa também oferece insights sobre o curso da doença em um momento importante para famílias e comunidades.

Um estudo publicado na última edição do Journal of Pediatrics descobriu que o vírus e os anticorpos podem coexistir em pacientes jovens.

“Com a maioria dos vírus, quando você começa a detectar anticorpos, não detecta mais o vírus. Mas com covid-19, estamos vendo os dois. Isso significa que as crianças ainda têm potencial para transmitir o vírus, mesmo que haja anticorpos são detectados. As crianças ainda têm potencial para transmitir o vírus, mesmo que os anticorpos sejam detectados”. Burak Bahar, principal autor do estudo e diretor de Informática de Laboratório do Children’s National Hospital em Washington, DC.

Números

Os pesquisadores revisaram uma análise de 6.369 crianças testadas para SARS-CoV-2, o vírus que causa COVID-19, e 215 pacientes que realizaram testes de anticorpos no Children’s National entre março de 2020 e junho de 2020.

Destes 215 pacientes jovens, 33 testados positivo para vírus e anticorpos durante o curso da doença. Nove desses 33 também mostraram a presença de anticorpos em seu sangue, ao mesmo tempo que posteriormente testaram positivo para o vírus.

Além disso, os pesquisadores descobriram que pacientes com idades entre 6 e 15 anos demoraram mais, um tempo médio de 32 dias, para eliminar o vírus, o que significa que ele havia deixado seus sistemas, em comparação com pacientes com 16 a 22 anos de idade, uma média de 18 dias.

As mulheres na faixa etária de 6 a 15 anos também demoraram mais para eliminar o vírus do que os homens: uma mediana de 44 dias para mulheres contra 25,5 dias para homens.

“Não podemos baixar a guarda só porque uma criança tem anticorpos ou não apresenta mais os sintomas”. Burak Bahar.

O estudo também descobriu que:

  • 25 dias era o tempo médio da positividade viral à negatividade, o momento em que o vírus não pode mais ser detectado;
  • 18 dias para ir da positividade viral à soropositividade, ou presença de anticorpos no sangue
  • 36 dias para atingir níveis adequados de anticorpos neutralizantes.

O “anticorpos neutralizantes” são importantes para proteger potencialmente uma pessoa contra a reinfecção do mesmo vírus, escreveram os pesquisadores.

Quatro advertências importantes:

  1. o estudo analisou um número relativamente pequeno de crianças;
  2. a próxima fase da pesquisa será testar se o coronavírus que está presente junto com os anticorpos para a doença podem ser transmitidos a outras pessoas;
  3. os cientistas precisam explorar se os anticorpos se correlacionam com a imunidade;
  4. eles precisam estabelecer quanto tempo os anticorpos e a proteção potencial contra reinfecção realmente duram.

Bahar reitera a necessidade de distanciamento social.

Estudo separado

Um estudo separado publicado esta semana na JAMA Pediatrics sugere que as crianças podem espalhar a SARS-CoV-2, mesmo que nunca desenvolvam os sintomas ou mesmo muito depois de os sintomas terem desaparecido. 

Ele encontrou uma variação significativa em quanto tempo as crianças continuaram a “liberar” o vírus pelo trato respiratório e, portanto, poderiam permanecer infectadas. Os pesquisadores também descobriram que a duração dos sintomas do COVID-19 também variava amplamente, de três dias a quase três semanas.

Uma revisão sistemática recente estimou que 16% das crianças com infecção por SARS-CoV-2 são assintomáticas, mas as evidências sugerem que até 45% das infecções pediátricas são assintomáticas, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

Os sinais e sintomas de COVID-19 em crianças são semelhantes a outras infecções e processos não infecciosos, incluindo influenza, de acordo com o CDC.

Um estudo separado da JAMA Pediatrics disse que as crianças podem transmitir a SARS-CoV-2, mesmo que nunca desenvolvam os sintomas ou mesmo muito depois de os sintomas terem desaparecido.

Volta às aulas

Com a redução da incidência e mortalidade pela covid-19 em parte dos estados brasileiros, a discussão sobre o retorno das aulas presenciais ganha força. O Amazonas saiu na frente e iniciou as atividades presenciais nas escolas ainda em agosto. Mas em diversos estados a retomada ainda gera polêmica.

Além do Amazonas, o governo do Pará autorizou o início das aulas em 1º de setembro. Em Minas Gerais, cursos de pós-graduação puderam reiniciar aulas presenciais no sábado (5). No Rio Grande do Sul e em Pernambuco, as unidades educacionais podem funcionar a partir do dia hoje (8). No Espírito Santo, a data fixada foi a próxima segunda-feira (14).

As aulas na rede privada do Rio de Janeiro também tem início previsto para a semana que vem. Nas rede pública do Rio, no entanto, a previsão é de retomada em 5 de outubro.

No Distrito Federal, o governo anunciou a volta às aulas para o início de agosto, mas recuou e ainda não definiu uma data.  Em diversos outras unidades da Federação os governos prorrogaram a suspensão das aulas presenciais. É o caso do Amapá e do Tocantins, até 30 de setembro; e de Rondônia, até 3 de novembro;

As aulas continuam suspensas, sem prazo para retorno em estados como Roraima, Bahia, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe, Paraná e Santa Catarina.

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