Chega de marasmo provinciano, queremos a poesia que incita

Por | Edição do dia 21 de dezembro de 2015
Categoria: Cultura | Tags: ,,


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O poeta vive pelas ruas da cidade procurando patrocínio para sua arte (Foto: Danielle Henrique)

Gilson Dangel é uma espécie de poeta-lunático com os pés no chão: sabe onde esteve, onde está e aonde quer chegar. É de uma presença ímpar, que recita tantas quantas poesia possíveis “de cabeça” e conta como é ser um andarilho da sorte em busca de patrocínio para a sua arte. Poeta-ator-compositor, tantas artes numa só… A de encantar.

Suas raízes estão fincadas, até hoje através de sua família, no bairro Jacintinho, um dos mais populosos da capital, possuidor de um crescente comércio local e informal, inclusive nos finais de semana, fazendo muita gente sair de casa e encher as sacolinhas de frutas, verduras, carnes e feijão. Hoje ele é residente da Cambona, onde mora com sua companheira e seu primogênito, o Guilherme.

Começou conhecendo a arte das palavras muito cedo, sendo alfabetizado antes dos 10 anos de idade. Pegou tanto jeito que até virou o menino que escrevia cartas para os moradores da região, que ofereciam como troca desde doces até calçados. Foi a partir desse momento que Gilson começou a fantasiar e contar histórias.

Ele fala com orgulho quando diz: “minha carteira de trabalho foi assinada pela primeira vez aos 13 anos de idade”.  Ex-bancário do Banco Rural, trabalhando como compensador, dessas profissões que não existem mais hoje em dia, perdeu o emprego com o advento da tecnologia, a internet. O banco teve que diminuir o quadro de pessoal, porque o trabalho manual já não era mais garantia para as grandes empresas.

Quando na juventude, começou a estudar Letras na Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), em São Miguel dos Campos, mas não conseguiu concluir. Tempos depois e na insistência, se formou em língua espanhola pela Casa de Cultura da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), sendo hoje professor voluntário de espanhol na Uncisal e pintor da construção civil.

A trupe delirante das Alagoas

Suas raízes poéticas, por assim dizer, teve forte influência em um grupo de arte dos anos 1980, o “Vivarte”. Seu principal manifesto era produzir arte e cultura voltada para revolucionar, reivindicar melhorias, novos valores culturais e exaltação de Alagoas. Poetas como Ricardo Maia, Maria Amélia Vieira, Danton Costa e Fafá de Alagoas e o próprio Gilson, faziam parte do grupo.

“Quem disse que Calabar foi um traidor?”

Rapidamente Gilson incorpora o General das Alagoas e sai recitando uma poesia que apresenta cada munícipio do Estado. Sem pedir licença para o público, mas de forma educada ele questiona: “Deixa eu lhe contar uma história de Palmeiras dos Índios?”, claro que pode Senhor General.

Gilson se autodenomina como “mestre solitário”, mas com sua arte ele jamais estará sozinho. É através dela que ele pode apresentar um mundo cheio de significações e personagens, todos reais, é bom ressaltar. Ele não produz nenhum trabalho sem antes conhecer a história de seu próprio povo, sem pesquisar em bibliotecas ou arquivos públicos.

Personagens

Dangel Odoro é o poeta e Dangel Lixo o palhaço. Através desses dois personagens ele sai pelas ruas da cidade, escolas e estabelecimentos apresentando sua poesia que ensina, isso porque através delas é possível conhecer uma Alagoas muitas vezes esquecida, mas real.

Seu mais novo trabalho se chama “Era uma vez… No reinado de Alagoas o Imperador e o Poeta”, segundo ele uma homenagem ao povo alagoano e ao governador de Alagoas. Gilson é o poeta, Renan é o imperador. E é com esse cartaz que ele pede mais atenção para sua arte, através de patrocínio da Secretaria de Cultural do Estado, que deve valorizar todos os artistas dessa Terra.

Também está gravando um álbum musical que conta a história de vários municípios alagoanos: Arapiraca, Palmeira dos Índios, Porto Real do Colégio, Coqueiro Seco e tantos outros. Esse trabalho também espera por apoio cultural.

Na arte você pode voar

Antes dos personagens, Gilson é um homem comum como os outros, mas quer muito mais desse mundo, sua paixão pela arte é visível desde que ele fala sobre ela, e conclui dizendo que Caetano Veloso já tinha deixado a filosofia de que “é tudo lindo” e ele completa:  “eu fico feliz em exercer a cidadania. Tudo por Alagoas”.

 

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