Carioca explica Olimpíadas da exclusão: “Respirar no caos é muito difícil”

Para jornalista, transformaram a cidade em balcão de negócio da iniciativa privada

Carioca explica Olimpíadas da exclusão: “Respirar no caos é muito difícil”

Para jornalista, transformaram a cidade em balcão de negócio da iniciativa privada

Por | Edição do dia 7 de agosto de 2016
Categoria: Opiniões | Tags: ,


Arbertura das Olimpíadas -Rio de Janeiro -05-08-2016, Morro da Mangueira - Foto: R.U.A Foto Coletivo/Tércio Teixeira

Arbertura das Olimpíadas -Rio de Janeiro -05-08-2016, Morro da Mangueira – Foto: R.U.A Foto Coletivo/Tércio Teixeira

Texto de Samantha Su, jornalista Carioca

O que fizeram com o Rio de Janeiro em prol das olimpíadas é criminoso. Não é ruim, difícil, ou um mau momento. É criminoso. Apagamento da memória histórica de resistência negra da praça Mauá, um crime arqueológico e racista.
Porto de holocausto negro apagado em prol do discurso de modernização. Campo de golfe (quem joga golfe no Brasil? Que legado é esse?) em cima de reserva ambiental. Crime ambiental. A maior remoção da história do rio, crime contra a vida com centenas de denúncias de violação de direitos humanos, milhares de famílias adoecidas e retiradas do seu local de identidade em prol de especulação imobiliária.

Maior investimento em segurança pública traduzido em repressão a ambulante e encarceramento de negro e pobre. Mais autos de resistência sumindo com preto do que à ditadura argentina tem de desaparecidos em dez anos.
Política de pacificação simbolizando negação de direito à vida e a cultura do favelado. Coerção e contingenciamento. Menino preto sendo revistado em ônibus pra poder passar pelo túnel do rio sul. Diminuição das linhas pra zona sul. Encarecimento do espaço público, oferecimento do balcão de negócios e comércio pra iniciativa privada. Apagamento histórico e de memória da lapa. Transporte público cerceado e policiamento armado ostensivo. Controle social e estado de calamidade pública pra sugar o Rio de Janeiro pelas multinacionais e empreiteiras.
Quem não pisou na maré durante a ocupação do exército não entende o que é terrorismo de estado. Cultura exportação é nosso massacre. O genocídio é físico, cultural e social. Nossa história ta sendo apagados, nossos heróis esquecidos.

UERJ quebrada. Aposentados sem receber. Respirar no caos é muito difícil. Pra uma carioca que ama tanto a nossa cultura popular e o nosso território, olimpíada é ódio e tristeza, não tem como ser outra coisa. Doeu fundo ontem olhar os arcos da lapa servindo pra ser outdoor com projeção pra propaganda publicitária. Olimpíada pra quem?

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