Buscar o diálogo sempre

Buscar o diálogo sempre

Por | Edição do dia 5 de janeiro de 2021
Categoria: Opiniões


A nova gestão municipal começa com, digamos, formatos antigos. O novo se confundindo com o velho, e vice-versa. Na gestão anterior, SEMSCS [Secretaria Municipal de Segurança e Convívio Social] nome estranho, mas que tem a missão de – entre outras coisas – disciplinar o comércio feito por ambulantes na orla, ruas do Centro, Jacintinho, Cleto Marques Luz, entre outros. Outra atribuição dessa Secretaria é a segurança em equipamentos da prefeitura, como praças, jardins, eventos, prédios públicos. É para ela que a GCM [Guarda Civil Municipal] bate continência. É o braço armado do Poder Municipal. Foi antes e será agora.

A diferença é que a gestão anterior optou por oficiais da reserva remunerada da Polícia Militar. Todos conhecem a rigidez da briosa em Alagoas. Por lá, na gestão anterior, passaram dois coronéis considerados de boa índole na corporação. Um foi indicação política. Esse saiu. O outro, por critérios técnicos. Este ficou até o apagar das luzes.
O verdadeiro é que os dois montaram um novo quartel sem fardamento cáqui dentro da Secretaria. Ao todo, são 30 cargos de chefia – sem contar os da GCM – na SEMSCS. Na gestão passada, havia quase a mesma quantidade de coronéis na Secretaria que no QCG [Quartel do Comando Geral] da PM alagoana. O lado bom: todos oficiais graduados bem avaliados na corporação. Por isso, a gestão militar no governo civil passou às brancas nuvens, sem escândalos, excessos, pancadarias nos mais fracos. Alguma coisa saiu do controle em algum momento, mas foi resolvida na sequência sem maiores problemas.

Hoje, o momento é outro. Um delegado da Polícia Civil é que está no comando da Secretaria. É natural que ele se cerque de pessoas de sua confiança. Todos sabem que disciplina na Polícia Civil não existe. Hierarquia, às vezes sim, às vezes não. A imprensa mostra que o histórico do delegado que assume o comando da SEMSCS o coloca num quadro emoldurado com sangue.

Antes, o discurso era de que esse sangue era de bandidos perigosos que, mortos, não faziam nenhuma falta à sociedade. Algo típico de uma defesa intransigente da barbárie e do estado de exceção,”Lei de Talião” na sua mais violenta versão. Bala na cara de assaltantes. Vestidos ou nus, desde que representem ameaça à sociedade.

Ocorre que, hoje, a equipe da SEMSCS comandada pelo novo titular vai lidar com pessoas humildes, vendedores de amendoim, de picolés, de caldo de cana, frutas, verduras, meias, agulhas para panela de pressão, água mineral geladinha. O crime não está nesse meio. Não há assaltante de bancos empurrando um carrinho de doces.

Como na gestão anterior, haverá sempre a necessidade do diálogo exaustivo com essas pessoas. Principalmente num momento de recessão, com crescimento assustador de economia informal. Teremos gente vendendo de tudo nas ruas de Maceió para sobreviver. É bom que essas pessoas permaneçam vivas. Que não tombem numa poça de sangue ao lado da sua banquinha de frutas. Essas não serão sepultadas como bandidas.

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