Bolsonaro recebe Curió, símbolo de assassinatos durante a ditadura

Militar aposentado assumiu ter participado da execução de 41 pessoas durante o regime

Bolsonaro recebe Curió, símbolo de assassinatos durante a ditadura

Militar aposentado assumiu ter participado da execução de 41 pessoas durante o regime

Por Uol | Edição do dia 5 de maio de 2020
Categoria: Notícias, Política | Tags: ,,,,,


Em compromisso que não consta da agenda oficial divulgada pelo Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro recebeu nesta segunda-feira (4) o tenente-coronel reformado do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura, 81, conhecido como “Major Curió”, um nome simbólico da repressão durante a ditadura militar (1964-1985). Curió já foi denunciado seis vezes pelo Ministério Público Federal por participação nos assassinatos e sequestros de guerrilheiros de esquerda na região do Araguaia nos anos 70.

Curió e outros militares acusados pelos mesmos crimes recorrem à Lei da Anistia, de 1979, e travam desde 2012 uma batalha judicial para conseguir que não sejam processados e condenados. A Justiça já deu decisões favoráveis a Curió, por exemplo, determinando o trancamento de uma ação penal, mas o MPF segue recorrendo ao Judiciário.

Fotos do encontro de Bolsonaro com Curió foram divulgadas em uma rede social por um dos filhos do militar. Ele escreveu: “Dia de dois amigos se encontrarem e dizer FORÇA”. Ao lado, postou a bandeira nacional. O militar aparece em uma cadeira de rodas. Bolsonaro sorri e posa para as fotos ao lado do visitante.

O filho informou, nas fotos, que o encontro ocorreu no Palácio do Planalto. Na agenda de compromissos de Bolsonaro disponível no site do Planalto, não havia menção ao compromisso até o fechamento deste texto.

Curió, que mora no Distrito Federal, é considerado um dos principais nomes da ditadura militar ainda vivos. Ele participou ativamente do combate à Guerrilha do Araguaia (1972-1975), formada por militantes do PCdoB (Partido Comunista do Brasil).

Em 2009, em entrevista ao jornalista Leonêncio Nossa, que depois lançaria um livro sobre Curió, “Mata!” (Cia das Letras, 2012), o militar reconheceu e apresentou documentos que indicaram a execução de 41 militantes da esquerda quando eles já estavam presos e sem condições de reação. Um total de 67 militantes participou da guerrilha, que foi massacrada em sucessivas operações desencadeadas pelo Exército no sul do Pará e norte do atual Estado de Tocantins.

Deixe uma resposta

Publicidade
 
 
Publicidade

2019 O dia mais - Todos os direitos reservados