Bolsonaro desmorona instituições e mostra que Brasil é uma piada

Com discurso da década de 60 e arrebanhando um grande número de grupos extremistas de direita, o obscuro deputado federal Jair Bolsonaro foi alçado ao posto de possível vencedor depois que um juiz do Paraná decretou a prisão do favorito naquela eleição

Bolsonaro desmorona instituições e mostra que Brasil é uma piada

Com discurso da década de 60 e arrebanhando um grande número de grupos extremistas de direita, o obscuro deputado federal Jair Bolsonaro foi alçado ao posto de possível vencedor depois que um juiz do Paraná decretou a prisão do favorito naquela eleição

Por Antonio Pereira | Edição do dia 25 de maio de 2021
Categoria: Opiniões | Tags: ,,,,,,,,,


Desde a redemocratização, no final da década de 1980, o país tem visto no posto de presidente da República alguém com quem tem um certo conhecimento.

José Sarney, que ‘herdou’ o cargo com a morte precoce de Tacredo Neves, já era um político experiente, oriundo dos rincões nordestinos, bom de trato político e legítimo representante do fisiologismo do coronelismo que durante séculos assola esta região do país. Passou seu mandato envolto em fortes crises econômicas, sem saber o que fazer, deixando um país a beira de uma revolução.

A eleição de Fernando Collor de Mello foi algo um pouco fora da curva. Naquele longínquo de 1989, o então governador do pequeno estado de Alagoas era um azarão. As chamadas elites brasileiras apostavam em Mário Covas ou até Affif Domingos, pois estavam diante da iminência de ver eleito um esquerdista, que poderia ser o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva ou o veterano combate da ditadura militar, o então governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola. Era uma eleição com voto de papel. Como agora, nenhum dos candidatos do chamado ‘centro’ conseguiram se viabilizar, sobrando Lula sozinho no segundo turno. Como de uma cartola de mágico, tiraram Collor que foi inflado de um dia para o outro como favorito. Coube a maior emissora de televisão dar o golpe final no esquerdista Lula, os votos de papel e as fraudes que eram correntes fizeram o resto.

Eleito presidente, Fernando Collor, como agora, não sabia o que fazer, mas vinha de linhagem ‘real’, seu pai era amigo pessoal do dono da Rede Globo. Além disso, Collor tinha ele próprio uma certa carreira política, tendo sido prefeito biônico (nome dado aos prefeitos de capitais que eram indicados pelos militares), até ser eleito governador de Alagoas.

No poder, o ex-governador de Alagoas botou os pés pelas mãos. Como agora não tinha projeto algum para o mandato presidencial. Foi sacudido do cargo por uma avalanche de manifestações, muitas infladas pela própria Rede Globo, que não mais queria seu pupilo no poder. Sucedeu ao cargo o vice, o desconhecido Itamar Franco.

Com a ajuda dos novos dissidentes do PMDB, Itamar Franco reuniu o que hoje chamamos de PSDB e sua linha neoliberal. Daí criaram o plano real, mudaram a economia e surfaram durante oito anos no poder político brasileiro.

A primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso (FHC) foi um passeio, já que tinha o plano real, com inflação controlada, moeda forte e muito entusiasmo do povo com alívio por ter superado os anos de Sarney e Collor.

No segundo mandato, FHC não conseguiu a mesma performance e sucumbiu, deixando o posto como altos índices de rejeição. Rejeição essa que o persegue até hoje, quando é tido como um dois piores que já passaram pelo Planalto.

Como não tinha mais plano real, nem a força da Rede Globo para impedir, Luiz Inácio Lula da Silva acabou sendo eleito presidente do Brasil, abrindo uma nova página da história do país.

No poder, Lula, que tinha por trás de si o Partido dos Trabalhadores com seus intelectuais e grandes nomes em várias áreas, conseguiu formar um bom ministério, causando uma pequena revolução ao turbinar o programa de auxílio às famílias pobres que havia sido criado por FHC. Com Lula, o Bolsa Família tomou dimensões de revolução econômica, injetando bilhões por ano de dinheiro para famílias carentes que fizeram a máquina da economia girar como nunca.

Entusiasmado com o sucesso do plano social, Lula e sua equipe partiram para projetos mais ousados, sempre tendo as parcelas mais populares da população como protagonistas. Assim, pobre conseguiu comprar eletrodomésticos, carro e outros bens de consumo que seriam inimagináveis anos atrás.

Lula e seus intelectuais elevaram o Brasil a sexta economia do mundo, num quase novo milagre brasileiro.

O ex-metalúrgico que saiu das fábricas para o sindicato e do sindicato para a presidência deixou o legado de inclusão social, tornando a eleição da sua sucessora outro passeio eleitoral.

A economista brizolista Dilma Vana Rousseff, que na juventude tinha sido guerrilheira urbana, torna-se presidente do Brasil graças a popularidade de Lula.

Dilma meio que teve o mandato presidencial conseguido sem grandes esforços pessoais. Sua campanha foi toda baseada nos ganhos de Lula, que tinha acabado de deixar o cargo com a maior popularidade da história.

No governo, Dilma impôs sua personalidade, mas conseguiu no primeiro mandato dar continuidade aos programas sociais, turbinando como nunca os ganhos para as classes menos favorecidas, criando o maior programa habitacional da história.

Como em todo governo, o o segundo mandato de Dilma não foi um passeio. As forças políticas que tinha perdido quatro eleições seguidas se recusavam a admitir novo tropeço. Assim, o então líder da oposição, Aécio Neves se recusou a admitir a derrota, usando de todos os mecanismos para sabotar o recém-eleito governo Dilma. Com a ajuda do deputado Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, foi arquitetado um plano nacional de destituição da presidente eleita, tendo no vice Michel Temer o maior incentivador, afinal seria ele o beneficiário, caso Dilma fosse posta para fora do cargo. Assim foi feito e assim chegamos até aqui.

A eleição de Jair Bolsonaro teve semelhanças com a de Fernando Collor de Mello. Do mesmo jeito que em 1989, as forças dominantes não tinham um candidato capaz de vencer Luiz Inácio Lula da Silva ou um que o petista indicasse. Tentaram o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, mas não decolou. Tentaram outros, mas também sem sucesso.

Com discurso da década de 60 e arrebanhando um grande número de grupos extremistas de direita, o obscuro deputado federal Jair Bolsonaro foi alçado ao posto de possível vencedor depois que um juiz do Paraná decretou a prisão do favorito naquela eleição. A prisão de Lula e seu impedimento de concorrer à presidência foi preponderante para a eleição de Bolsonaro, que ainda teve a ‘ajuda’ providencial de uma suposta facada.

Agora, passados esses anos todos, podemos dizer que o Brasil não estava preparado para alguém como Bolsonaro. Sua inabilidade é gritante. Sua insensibilidade é mortal.

Diante de tantos desmandos as instituições que deveriam ser os anteparos da democracia fracassaram vergonhosamente. O STF está praticamente de joelhos, tendo entre seus membros figuras indicadas pelo próprio Bolsonaro, fazendo da Justiça uma prática política da pior espécie.

As tais forças armadas estão totalmente minadas por grupos os mais radicais possíveis. Generais e outros enfardados não sabem o que fazer, mesmo tendo em frente um presidente altamente desqualificado. Ao que parece ficam calados, embolsando polpudos soldos todos os meses e se refastelando com uísque e picanha. Eis o retrato do que restou das forças armadas brasileiras, onde vários dos seus membros fazem parte do governo de Bolsonaro.

O parlamento, que deveria ser a casa do povo, está agora nas mãos do chamado ‘centrão’, um grupamento de políticos fisiológicos, cujo o único objetivo é tirar vantagem dos meandros do poder e enriquecer escandalosamente com dinheiro público.

Definitivamente temos o pior Congresso Nacional de todos os tempos. Repleto de ratazanas famintas por verba, poder e toda e qualquer vantagem evolutiva que possam angariar para si e para suas famílias abastadas.

Judiciário, Legislativo aos frangalhos, sem forças ou fazendo o jogo de Bolsonaro só restou agora analisar o outro poder, ou o quarto poder: a mídia.

Nunca na história deste país tivemos uma mídia tão acovardada diante de um governo reconhecidamente de destruição nacional. Com raras exceções, temos TVs, rádios, sites, jornais e toda sorte de rede de comunicação num bate-cabeça eterno. Não sabem o que fazer com o presidente que todos os dias desafia a ciência, a natureza e a inteligência de todos nós.

O Brasil, definitivamente, não estava preparado para Bolsonaro. Nunca, por pior que tenha sido essas últimas décadas, tivemos alguém no poder com tamanha sem vergonhice deslavada. Uma malandragem descarada, num gargalhar eterno, tendo a certeza absoluta que não será punido.

 

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