Bloco de História da UFAL é devorado por cupins

Gigantes cupinzeiros assolam estruturas da Universidade Federal de Alagoas

Bloco de História da UFAL é devorado por cupins

Gigantes cupinzeiros assolam estruturas da Universidade Federal de Alagoas

Por Beatriz Rodrigues - sob supervisão | Edição do dia 30 de março de 2021
Categoria: Alagoas, Educação, Especiais


Alunos de História do Instituto de Ciências Humanas e suas Tecnologias (ICHCA), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) denunciam a situação de abandono que se encontra no bloco. As fotos que mostram as estruturas danificadas foram divulgadas por integrantes do Centro Acadêmico do curso na última sexta-feira (26), através das redes sociais.

Na publicação foi possível ver rachaduras, móveis tomados por cupins e infiltrações. As imagens foram feitas por um técnico, que acionou os alunos do Centro Acadêmico e as coordenações para fazer a divulgação do ocorrido.

 

O Centro Acadêmico de História Dirceu Lindoso, que é a entidade que representa os alunos dos cursos de História Bacharel e Licenciatura, diz que problemas como esse são comuns, e que o descaso não é novidade no instituto.

“Ficamos sabendo da situação atual pela coordenação de História, em uma visita recente que fizeram ao bloco, em seguida fomos situados e divulgamos o descaso que a estrutura do prédio sofre e sofreu há tempos, e que foi agravada pelos cupins, que é um problema a mais de 4 anos.”, afirmou um dos membros do CA.

 

A Coordenadora do curso de História Bacharel, Raquel Parmegiani, diz que a situação é delicada, e que todos os protocolos já foram feitos para agilizar uma possível dedetização, mas alega que não há recurso para isso.

“Fizemos pedidos oficiais à Superintendência de Infraestrutura desde 2019, ainda na antiga gestão. Eles alegavam que estavam fazendo o processo para contratação e estava tudo acertado com a empresa, mas não tinham dinheiro para executar. Desde então os processos foram amontoados. Pedimos providências em relação a isso”, denuncia Raquel.

 

 

O BLOCO

O Campus A.C. Simões, onde funciona atualmente o prédio do ICHCA, foi inaugurado em 1971, e é um dos prédios mais antigos da UFAL.  De acordo com a coordenação, o bloco desde sempre vem lutando contra os fatores do tempo, e resiste bravamente à falta de manutenção por parte da UFAL.Ainda segundo a coordenação, a última dedetização foi feita em 2018.

“A dedetização deveria ser feita de forma regular. Como não tem dinheiro, uma das saídas que nós – servidores – tivemos foi de criar uma vaquinha para comprar o veneno o mais rápido possível, uma equipe foi verificar quanto seria preciso para dedetizar o prédio” relata Raquel.

 

Estrutura das salas de aula estão tomadas por rastros de cupim

 

O ACERVO

Essa falta de assistência danifica não só a própria estrutura do prédio, mas também o acervo riquíssimo que o ICHCA carrega. O bloco é responsável por parte do armazenamento de alguns itens importantes para a história da Universidade e da própria Alagoas, vale ressaltar também que o bloco conta com obras internacionais na Biblioteca que vem sendo comida pelos cupins, como relata adiante a Irineia.

A Professora dos cursos de História e coordenadora do Centro de Pesquisa e Documentação Histórica (CPDHis-Ufal), Irineia Franco contou detalhes sobre o acervo em que é responsável.

“A situação do nosso prédio é muito séria! É muito preocupante pois temos estantes com documentos, obras raras que foram doadas, mais de 3000 livros de história, documentos que marcam momentos de Alagoas, memória institucionais, coleção de jornais antigos. Tem o valor humano incluso nesse material, mas o valor histórico desses documentos se forem perdidos serão inestimáveis, uma parte da memória de Alagoas se desfaz com isso.”, comentou a coordenadora do Centro de Pesquisa.

 

Na sala do acervo é possível ver pó de serragem no chão em decorrência dos cupinzeiros

 

FECHAMENTO DO BLOCO

Os próprios alunos, mesmo em aulas remotas, já sabem da situação, uma vez que são comuns. Estudantes e professores compartilham um medo em comum: a interdição do prédio.

Situação de uma das salas de aula

“Eu temo por não conseguirmos voltar para o prédio quando as aulas presenciais voltarem.Até a sala de aula dos professores, a própria sala dos alunos. É impossível, em termos físicos, ficar lá. As salas vão ficando com o cheiro do cupim, as estruturas vão cedendo, em épocas de chuva, pode acontecer uma catástrofe no bloco.”, alerta Raquel Parmegiani, coordenadora e professora.

 

Alunos também relatam que temem pelo local, como é o caso de Jonas Chicuta, do 4° período de licenciatura.

“Me sinto triste em saber que o bloco em que tenho aulas, encontro meu amigos e com eles confraternizamos, está nessa situação deplorável. Sei que a coordenação está buscando solucionar os problemas, mas com todos esses cortes de verba.. tá difícil. Tenho medo.” Confessa Jonas.

Situação da biblioteca

A UFAL

 A reportagem tentou entrar em contato com a UFAL, mas até o fechamento da matéria, não obtivemos nenhuma resposta.

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