“Big Jato” é uma fábula nordestina para adolescentes, diz Cláudio Assis

“Big Jato” é uma fábula nordestina para adolescentes, diz Cláudio Assis

Por | Edição do dia 17 de junho de 2016
Categoria: Cinema, Diversão | Tags: ,,,,


“É uma fábula sobre ir em busca dos sonhos”, diz o diretor Cláudio Assis sobre o que considera ser a mensagem central de seu quarto longa “Big Jato”, inspirado no romance autobiográfico homônimo do escritor e jornalista Xico Sá. Sim, parece enredo de livro do Paulo Coelho, mas não se enganem, a suposta fábula teen do cineasta pernambucano, que estreou nesta quinta-feira (16), não tem nada de esotérica.

O longa não fala exatamente sobre perseguir os sonhos. Mas escancara, sim, uma realidade árida, bem conhecida de boa parte dos brasileiros: a falta de horizontes e de sentido, que só deixa como opção, muitas vezes, partir, seja lá para onde for.

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O ator Matheus Nachtergaele interpreta dois personagens no filme (Foto: internet)

Uma das mensagens mais viscerais do longa fala exatamente disso. “Sertanejo forte é o que parte, não o que fica”, diz Nelson, radialista pirata e anarquista ‘meia boca’, tio de Xico na trama, um dos personagens vivido por Matheus Nachtergaele – ele também faz o pai do garoto.

Mas não é só, mais uma vez, a trágica saga nordestina representada no cinema. A frase no parachoque do caminhão do velho Francisco, pai de Xico, deixa evidente as intenções do diretor pernambucano. “Quem não reage rasteja”.

Ou seja, o tom combativo e tão peculiar de Cláudio Assis está presente em “Big Jato”. Mas, claro, em dose bem menor do que em “Amarelo Manga” (2002), “Baixio das Bestas” (2006) e “Febre do Rato” (2011). “É uma fábula nordestina para adolescentes”, ameniza Assis.

Limpando a merda do mundo

O cineasta pernambucano diz que a saga mítica do amigo Xico Sá, que saiu de Crato, no sertão do Ceará para se tornar escritor, é parecida com a dele, que abandonou Caruaru, em Pernambuco, sonhando ser cineasta. Se não fosse assim, segundo ele, teriam virado ‘peixe de pedra’, nome da cidade fictícia onde se passa a história, lugar onde quem fica vira fóssil.

O filme se resume em um rito de passagem, um momento de conflito que marca a construção do caráter do jovem Xico, vivido pelo ator adolescente, o alagoano Rafael Nicácio.

De um lado, o pai, que limpa a merda do mundo com seu caminhão limpa-fossas, machista e conservador, e que odeia poesia. Na outra margem, o tio hippie e visionário, mas ao mesmo tempo iludido e embusteiro, que afirma pelos cotovelos ter aberto o caminho para a banda The Beatles, supostamente influenciada pela banda de seus amigos, “Os Betos”.

No meio disso tudo sobra o jovem Xico que, apesar dos 15 anos e de seus potentes óculos ‘fundo de garrafa’, não consegue avistar nenhum futuro.

Os dois personagens, pai e filho do jovem Xico, são vividos por Matheus Nachtergaele. “Foi como fazer o filme duas vezes”, afirma. Nada de mais para o ator, de 48 anos, que já perdeu a conta de quantos filmes fez. “Acho que uns 42”, arrisca. O ator já é figura carimbada dos filmes de Cláudio Assis. “Participei de todos”, confirma. “Somos parceiros antigos”, completa.

O filme tem ainda outras parcerias antigas, como Hilton Lacerda, que assina a adaptação do livro de Xico Sá. Mas a poesia de “Big Jato” fica sob a responsabilidade do músico Jards Macalé, que faz uma espécie de profeta lunático, e um ‘quase mestre’ do jovem Xico.

Por enquanto, o filme está em cartaz apenas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Palmas, Porto Alegre, Salvador, Santos, São Luiz do Maranhão e Vitória. Enquanto não chega em Maceió, dá para conhecer o que vem por aí com o trailer:

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