Barragem da Carangueja: da lama à água, para evitar o caos

Enquanto a chuva não vem, Casal aproveita para retirar lama da Carangueja e prefeitura tenta reunir pipeiros

Barragem da Carangueja: da lama à água, para evitar o caos

Enquanto a chuva não vem, Casal aproveita para retirar lama da Carangueja e prefeitura tenta reunir pipeiros

Por | Edição do dia 13 de março de 2017
Categoria: Notícias, Regionais | Tags: ,,


Chico Science já cantava “da lama ao caos, do caos à lama”. Em Palmeira dos Índios, a Prefeitura Municipal e a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) estão revirando a lama que sobrou no fundo das barragens da Carangueja e da Caranguejinha, situadas em Quebrangulo, mas que abastecem as duas cidades, para tentar arrumar os reservatórios quando as chuvas voltarem a cair.

Foto: Ascom Casal

Foto: Ascom Casal

A situação é dolorosa: uma vez que as duas barragens secaram, a Casal aproveitou a “oportunidade”, durante o mês de fevereiro, para realizar o desassoreamento da Carangueja. O serviço consiste na retirada de lama excessiva do fundo da barragem e também da planta conhecida como baronesa. Ela é uma vegetação aquática, que fica em cima do espelho d’água, mas agora apenas se acumula no fundo do manancial e pode atrapalhar o processo de captação da Casal, entupindo as bombas.

Serviço similar está sendo direcionado também para a barragem Caranguejinha, que abastece apenas Quebrangulo. Assim, quando as duas voltarem a ter água, nas chuvas de inverno, na expectativa mais otimista, a carga de abastecimento da barragem maior será aliviada, possibilitando o uso de um volume maior no abastecimento de Palmeira.

“Desde que a barragem Carangueja foi construída, há mais de 40 anos, essa é a primeira vez que esse tipo de serviço é realizado, que só foi possível porque o manancial secou completamente”, afirmou o presidente da Casal, Clécio Falcão. Em períodos normais, essa barragem é responsável por abastecer 70% da cidade de Palmeira dos Índios.

Segundo ele, durante o serviço foram retiradas mais de 600 caçambas de lama do fundo da barragem. “O objetivo do serviço é aumentar o potencial de acumulação de água e facilitar o processo de tratamento”, acrescentou Falcão. De acordo com a Casal, o trabalho de desassoreamento permite não só o acúmulo de mais água nas barragens, mas uma água de melhor qualidade, sem tanta contaminação por lama e vegetação, o que facilita, também, o processo de tratamento da água para abastecimento da população.

Cloro para pipas

O presidente da Casal refere-se a outro ponto de ataque que o Estado e o prefeito Júlio Cezar estão tendo que enfrentar: a qualidade da água que circula nos baldes, pipas e cisternas de Palmeira dos Índios. Após um surto de diarreia em alguns bairros da cidade, onde a origem duvidosa da água e as condições improvisadas de armazenamento representaram um papel importante para o ocorrido, o poder público teve que correr atrás do prejuízo.

Também no começo de fevereiro, a Casal doou 18.500 pastilhas de cloro efervescente para a Prefeitura de Palmeira dos Índios, para serem inseridas nos carros pipa e em cisternas que recebam “água de fonte não confiável”, de acordo com a companhia.

Logo em seguida, o prefeito Júlio Cezar convocou uma reunião com donos de mananciais e pipeiros, porém os motoristas não compareceram. Mesmo assim, foi definido que cada caminhão só pode sair para distribuição com a pastilha de cloro, sem custos adicionais para quem irá comprar a carrada de água.

As pastilhas também estão sendo distribuídas em ações da Secretaria Municipal de Saúde, de limpeza de caixas d’água e cisternas nas zonas urbana e rural. Hipoclorito de sódio também está sendo distribuídos através dos agentes de saúde, fechando o ciclo de uma grande força trabalho que envolve o trabalho conjunto dos governos estadual e municipal.

Tudo isso para contornar a “crise hídrica” que assola o Nordeste há bons cinco anos. Enquanto não volta a chover no agreste, enquanto a Barragem da Carangueja não voltar a reter água e em volume suficiente para permitir a captação e distribuição para Palmeira dos Índios e Quebrangulo, é o que Casal, Governo de Alagoas e Prefeitura de Palmeira têm na ordem do dia. Por mais que se mude o nome de seca para crise, ainda são nordestinos aguardando a boa vontade de São Pedro.

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