Ator Henri Castelli foi espancado em confusão ocorrida na Marina do Zezeco

Os empresários Guilherme Accioly Lopes Ferreira e Bernardo Malta são acusados do crime de lesão corporal grave cometido contra o ator

Ator Henri Castelli foi espancado em confusão ocorrida na Marina do Zezeco

Os empresários Guilherme Accioly Lopes Ferreira e Bernardo Malta são acusados do crime de lesão corporal grave cometido contra o ator

Por Deraldo Francisco | Edição do dia 24 de janeiro de 2021
Categoria: Polícia | Tags: ,,,


Stella Marina, mais conhecida como ‘Marina do Zezeco’ Foto: Reprodução/Internet

Nesta semana, o Ministério Público Estadual (MPE) deve se pronunciar – se acolhe ou não a denúncia – sobre o indiciamento dos empresários Guilherme Accioly Lopes Ferreira e Bernardo Malta de Amorim por crime de lesão corporal grave sofrida pelo ator Henri Castelli.

Ouvidos pelo delegado, Guilherme Accioly confessou ter dado um soco em Henri Castelli e travado luta corporal com ele. Confessou a briga, disse que é praticante de Jiu-Jitsu, mas negou ter aplicado alguma técnica da arte marcial na briga. Bernardo Malta disse que tudo começou por uma provocação de Henri Castelli, mas que não se envolveu na pancadaria.

O relatório assinado pelo delegado Fabrício Lima do Nascimento – da Barra de São Miguel – coloca os dois empresários na condição de indiciados pelo crime. Os dois, conforme depoimento de testemunhas e interpretação do delegado do caso, participaram da agressão ao cantor, que resultou na fratura da mandíbula da vítima e impossibilidade de “atividades laborais por 30 dias”.

As investigações foram concluídas no dia 15 de janeiro de janeiro e se concentraram basicamente da tomada de depoimentos das testemunhas, acusados e vítima. Alguns testemunhos parecem bem “casadinhos”, como se tivessem sido combinados. No entanto, isso não foi provado no Inquérito Policial.

Em se tratando de provas técnicas, o Inquérito Policial de Nº 0455/2021 traz apenas o laudo de Exame de Corpo de Delito do Instituto Médico Legal (IML) que confirma as lesões graves, laudos fornecidos por médicos que atenderam à vítima e um laudo apresentado por Guilherme Accioly, assinado por um oftalmolgista.

A Polícia Civil precisava das imagens da cena do episódio ocorrido pouco depois das 22h30, na Stella Marina, conhecida como Marina do Zezeco, na Barra de São Miguel. No entanto, o empresário José Medeiros Nicolau – Zezeco, ex-prefeito da Barra – disse ao delegado que o sistema de monitoramento por câmeras na marina era novo e que, por isso, não estavam em operação.

Ocorre que a solicitação do delegado foi feita no dia 4 de janeiro e somente no dia 8 (quatro dias depois) é que Zezeco deu essa informação ao delegado. A polícia esperava que, por ser novo, o sistema de monitoramento estivesse funcionando perfeitamente bem. A falta dessas imagens prejudicou as investigações. Ou seja: a motivação do crime e as pessoas envolvidas nele foram junto com a falta de operacionalidade das câmeras.

Nem mesmo imagens gravadas por celular vazaram nas redes sociais. Pode não ser o caso, mas isso é característico numa “operação abafa”. Num momento em que se faz selfies até ao lado de cadáveres, não há imagem nenhuma desse episódio. Havia, pelo menos, entre 30 e 35 pessoas no local.

Mas o relatório do delegado Fabrício Lima revelaram situações que não haviam sido levantadas. Por exemplo: o depoimento de uma garçonete (cujo nome não será exposto pela reportagem) dá conta de que o ator Henri Castelli não agrediu ninguém, que ele foi espancado por dois homens e que um deles deu uma “chave-de-perna” no pescoço do ator e alguns golpes com o calcanhar.

Além disso, a testemunha inova nas revelações quando diz que, a briga teria se iniciado porque Henri Castelli e uma das mulheres dos acusados teriam se olhado “de forma estranha”.

A investigação não avançou nessa questão, até porque a versão oficial – contada em verso e prosa – pelos acusados e pela maioria das testemunhas (inclusive marinheiros) dá conta de que tudo começou porque Henri Castelli desdenhou de uma festa que teria ocorrido na casa de shows Café de La Musique, de Bernardo Malta, conhecido como Bel.

A opinião do ator em relação ao evento teria desagradado ao empresário e, a partir deste momento, os dois teriam se desentendido por alguns minutos. No momento-chave, Henri Castelli teria encarado Bel, perguntado o que ele estava olhando tanto e, em seguida, teria mandado o empresário pegar na sua genitália, fazendo o gesto comum entre homens.

Descolado, Bel teria ido pegar no membro do ator que, “teria rodado” o braço em sua direção e acertado o olho de Guilherme Accioly, logo o praticante de Jiu-Jitsu. A pancadaria teria começado a partir desse momento, conforme está contadinho no Inquérito Policial.

Mas investigações serviram ainda para livrar os irmãos Humberto e André Vilar, donos de uma próspera factoring em Alagoas e que já se viram às voltas com investigações da Polícia Civil.

Algumas testemunhas colocam os dois na cena da pancadaria, sobre o ator Henri Castelli, que protegia o rosto, imobilizado por Guilherme Accioly, no chão. Outras dizem que eles estavam na Marina do Zezeco, afastados do grupo de Guilherme e de Bernardo, quando ocorreu a “briga”.

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Até o final desta semana, a Promotoria da Barra de São Miguel deve se manifestar sobre o caso. Se acolher a denúncia, os dois indiciados serão levados a julgamento por crime de lesão corporal grave, cuja pena varia de 1 a 5 anos de prisão. Se desconsiderar o indiciamento, não haveria crime e, sem crime, não há o que julgar. Arquive-se.

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