Ataques de Bolsonaro à Folha geram campanha virtual de defesa do jornal

O capitão reformado voltou a atacar o jornal em entrevista à TV: ‘Por si só, esse jornal se acabou’

Ataques de Bolsonaro à Folha geram campanha virtual de defesa do jornal

O capitão reformado voltou a atacar o jornal em entrevista à TV: ‘Por si só, esse jornal se acabou’

Por | Edição do dia 30 de outubro de 2018
Categoria: Notícias, Política | Tags: ,,,,,


A série de ataques que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) vem fazendo contra a Folha de S.Paulo teve como um de seus efeitos colaterais uma campanha virtual incentivando a assinatura do jornal.

Nesta segunda-feira (29), em sua primeira entrevista ao Jornal Nacional como presidente eleito, o capitão reformado voltou a atacar a Folha: “Por si só, esse jornal se acabou”.

William Bonner, apresentador e editor-chefe do noticiário, o havia questionado sobre como ele, que “sempre se declara um defensor da liberdade de imprensa”, em “determinados momentos chegou a desejar que um jornal deixasse de existir”.

Bolsonaro se disse “totalmente favorável à liberdade de imprensa”, com um adendo: “Temos a questão da propaganda oficial de governo, que é outra coisa”. Ele vem ameaçando cortar verbas publicitárias que o governo federal destina a veículos da imprensa que fazem reportagens que lhe desagradam, sobretudo a Folha de S.Paulo e a Rede Globo.

Bonner em seguida defendeu o jornal. “A Folha é um jornal sério, é um jornal que cumpre um papel importantíssimo na democracia brasileira, é um papel que a imprensa profissional brasileira desempenha e a Folha faz parte desse grupo da imprensa profissional brasileira”

O servidor público estadual Delmir de Andrade, 32, está entre os que resolveram assinar a publicação: “Hoje de manhã, logo que acordei, refiz minha assinatura da Folha de S.Paulo. Seu papel em defesa da liberdade de expressão e dos valores democráticos nessas eleições foi digno de respeito e consideração. Não existe jornalismo de qualidade de graça. É preciso valorizar o trabalho realizado”.

Ele contou que havia deixado de pagar pela publicação “há um ou dois anos” por discordar da “linha editorial” que, na sua concepção, os cadernos Poder e Mercado vinham tomando. “Estava com muita opinião e diminuindo o jornalismo analítico, investigativo e plural, que sempre foram as principais marcas do jornal”.

Mudou de ideia. “Nas eleições de 2018, a Folha defendeu abertamente valores democráticos e republicanos, sem tomar partido ou lado nas disputas eleitorais. Resolvi, assim, refazer minha assinatura.”

A empresária Marina Braga, 28, nunca foi assinante. Passará a ser agora, diz. “Para contestar a opressão do governo eleito. Acredito em liberdade de imprensa, apesar de achar que precisamos melhorar muito nesta área”, afirma.

“Mas atacar meios de comunicação por fazer críticas ao governo ou ao então candidato apenas prejudica a nossa democracia. E o primeiro passo como cidadãos, para apoiar o jornalismo e a liberdade de imprensa, é assinando meios de comunicação para continuarem com seu trabalho de informar e investigar.”

Multiplicam-se, nas redes sociais, relatos afins, como o de Henrique Costa no Twitter: “Eu assinei a Folha digital nesta semana, pela primeira vez. Cancelei a Netflix para assinar a Folha, tal a importância do momento.”

“Amanhã mesmo vou assinar a Folha. Façam isso. Alguém tem que continuar fazendo jornalismo de verdade neste país”, escreveu Priscas [nome do perfil] no Twitter. Outros sugeriam uma campanha para assinar o jornal. “Eu acho que temos que fazer uma campanha para quem puder assina a Folha”, foi a mensagem de @perdyhoward.

 

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