ARTIGO: Sem carnaval, foliões buscaram Rei Momo dentro d’água!

ARTIGO: Sem carnaval, foliões buscaram Rei Momo dentro d’água!

Por Cláudio Sampaio - Professor da UFAL Penedo | Edição do dia 24 de fevereiro de 2021
Categoria: Meio Ambiente, Notícias | Tags: ,,,,,


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Destinos turísticos consagrados como Alagoas recebem muitos turistas, especialmente no período carnavalesco, seja para cair na folia ou descansar em praias paradisíacas. As atividades turísticas são importantes economicamente, gerando emprego, renda e desenvolvimento em todo litoral nordestino. Mesmo em meio a uma pandemia e sem festejos, muitos turistas buscaram passar o carnaval em íntimo contato com a natureza, em áreas abertas, ventiladas e sem aglomerações, sendo o mergulho uma ótima opção.

O Mero, a maior garoupa do oceano Atlântico, pode atingir grandes proporções, mais de 2,5 m e 450 kg de comprimento e peso total! Quando jovens vivem em manguezais, entre as raízes dos mangues e quando crescem, passam para os recifes de corais e naufrágios em águas rasas, até 70 m de profundidade. Nascem fêmeas e quando adultos podem mudar de sexo, vivendo por mais de 40 anos.  Seu porte, beleza e elegância só podem ser comparadas com o Rei Momo, que nesse ano atípico atraiu foliões de várias parte do Brasil para curtir o carnaval mergulhando!

Esse grande porte, sua dependência de manguezais, sua biologia curiosa e comportamento dócil fez com que a pesca e a degradação dos mangues e recifes suas principais ameaças. No final dos anos 90 encontrar um grande Mero já era raro, tanto que desde 2002 sua pesca foi proibida em todo o Brasil.

A pesca do Mero também é proibida nos EUA e outros países caribenhos, sendo considerados verdadeiras atrações turísticas, onde visitantes gastam com passagens, hospedagem, alimentação, mergulho e souvenir, tanto que há um entendimento lógico que um Mero vale muito mais vivo que morto. Ao longo de sua vida pode atrair milhares de turistas a praticarem o mergulho e a consumirem diversos serviços, desenvolvendo economicamente regiões litorâneas. Recentemente com o crescimento da pesca esportiva, modalidade pesque e solte, os Meros também ganharam admiração, devido a sua força. São pescados, fotografados e rapidamente devolvidos, gerando novas oportunidades de negócios em regiões estuarinas, como a foz do rio São Francisco.

Embora pescados com frequência há 40 anos no litoral alagoano, hoje virou um evento raro encontrar um Mero vivo, sempre é festejado por operadoras de mergulho, guias de pesca esportiva e turistas. No carnaval alguns Meros foram fotografados na costa alagoana, do litoral norte, Maragogi, passando pela capital, Maceió, até a região sul, na foz do rio São Francisco, esses últimos todos jovens. Mergulhos inesquecíveis, pescarias esportivas emocionantes com solturas de Meros, todas com muitas fotos, vídeos e emoção! Certamente essas experiencias irão atrair mais turistas interessados em conhecer esse peixão, nossas belezas naturais e cultura!

Com o desenvolvimento das pesquisas do Projeto Meros do Brasil, aqui em Alagoas, inclusive com a participação de mergulhadores, pescadores, guias de pesca esportiva, estudantes e turistas. Também destacamos as atividades de educação ambiental em escolas da rede pública e privada, museus, feiras de ciências, congressos, grupos de capoeira, escolas de mergulho e colônias de pescadores, onde passamos a divulgar a legislação que proíbe a pesca, transporte e beneficiamento do Mero. Discutimos, ainda, a problemática do lixo nos rios e praias, bem como a importância ecológica e econômica do Mero. Essas ações estão contribuindo não apenas para a conservação do Mero, mas da manutenção da qualidade de vida de todos que vivem na zona costeira ou que dependem do turismo.

Caso tenha imagens, fotos e vídeos, de Meros (vale qualquer data e local), compartilhe com o Projeto Meros do Brasil, pois são informações importantes e assim você contribuirá para a conservação dos ambientes costeiros.

Se ficou interessado na conservação do Mero e dos seus ambientes, visite as redes sociais do Projeto Meros do Brasil e do Laboratório de Ictiologia e Conservação da UFAL Penedo para saber mais.

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