Após denúncia, Ufal diz que apresentou condições para que residentes voltem para casa

Neste domingo, 22, estudantes informaram que a Universidade adotou medidas coercisivas para que eles retornem para casa

Após denúncia, Ufal diz que apresentou condições para que residentes voltem para casa

Neste domingo, 22, estudantes informaram que a Universidade adotou medidas coercisivas para que eles retornem para casa

Por | Edição do dia 22 de março de 2020
Categoria: Coronavírus | Tags: ,,,


Fachada-da-UFAL

Foto: Divulgação

Os estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que vivem na Residência Universitária, relataram insatisfação com a Universidade após medida adotada para que eles retornem para suas cidades de origem. Alguns relataram medo de viajar em plena pandemia do novo coronavírus (covid-19) e a falta de explicações detalhadas sobre o oferecimento de viagens aos alunos. A assessoria de comunicação da Ufal, posteriormente, informou que a universidade apresentou condições para que os alunos que quisesse, pudessem voltar para casa.

Desde esse sábado, 21, a Pró-Reitoria Estudantil da Ufal vem abordando os estudantes alocados na residência universitária, informou os estudantes. Eles alegam que não foram passadas informações detalhadas e que isso gerou pânico nos universitários.

Entre os estudantes que vivem na residência está uma aluna natural de uma cidade do interior de São Paulo, que preferiu não ser identificada na reportagem. Ela contou ao O Dia Mais que sente medo de viajar em plena pandemia, por temer o contágio.

Atualmente, o estado de São Paulo conta com 459 casos confirmados de covid-19, o maior número de casos entre os estados brasileiros. Esse levantamento corresponde aos dados repassados no Boletim Epidemiológico divulgado nesse sábado, 21.

“O pró-reitor estudantil me abordou e falou da possibilidade de a Universidade pagar minha passagem aérea para ir embora. Eu sou do interior de São Paulo, são 4 horas de viagem de ônibus intermunicipal para lá, e nenhum ônibus está saindo da capital para o interior”, contou.

Outra estudante, que teve a identidade preservada, ressaltou que os universitários moradores da residência, em sua maioria, não estão se recusando a sair do local, mas que existe uma preocupação quanto a medida, por ter sido coercitiva, na visão deles.

“Tínhamos entrado em acordo, era para passar pela quarenta para não contaminarmos nossos familiares”, contou. “Hoje, por uma quebra de acordo com o pró-reitor, duas pessoas suspeitas [de covid-19] foram levadas para casa, sem nem fazer o teste.  Uma das pessoas estava bem mal.  Quando falei porque ela iria sem passar por avaliação, ela respondeu chorando que estava com muito medo”, continuou no relato.

A estudante também informou sobre casos especiais que há na residência. Como por exemplo, a questão dos hóspedes. Ela conta que, a princípio, a Universidade não havia dado detalhes sobre como agiriam para resolver a ida ou permanência dessas pessoas.

Resposta da Ufal

Em reposta aos questionamentos feitos pela reportagem, a Ufal, por meio da assessoria de comunicação, informou, em nome do reitor da Universidade, Josealdo Thonolo, que a Ufal não pressionou a saída dos estudantes e que foi feita, apenas, uma consulta para que, quem tivesse interesse, voltasse para casa com a ajuda da Universidade. A Ufal reitera que a medida é uma ação interna da instituição, visando o bem-estar e saúde do estudantes e que não corresponde a atendimento de recomendações do Ministério da Educação.

Na instituição, as aulas foram suspensas e muitos colaboradores adotaram o regime de trabalho remoto ou de rodízio para que telefonemas sejam atendidos nas dependências da Universidade. No Restaurante Universitário, que fornece as refeições aos estudantes da residência, ainda há funcionários trabalhando, para que os estudantes não serem desassistidos. Mas, em caso dos funcionários não poderem mais saírem de casa ou de ficarem doentes, as refeições deixariam de ser fornecidas aos estudantes. Também por isso, a Universidade tomou a medida de oferecer o retorno para casa.

A Universidade ainda informou que, o estudante residido que, voluntariamente, quiser voltar para a sua cidade de origem, terá a disposição um veículo da Ufal, no caso dos estudantes das cidades do interior de Alagoas e que, os estudantes de outros estados ou de regiões onde o veículo não possa ir, terão passagens pagas pela Universidade. A Ufal reforça que está oferecendo aos estudantes passagens de ida e de volta, para quando as aulas ou atividades da Universidade retornarem.

Além disso, a Ufal informa que não há nas dependências da residências estudantes estrangeiros. Nesse caso, apenas estudantes brasileiros moram atualmente no local.

Sobre casos suspeitos de covid-19 dentro da residência,  Ufal afirma que não há nenhum quadro de morador da residência que esteja com suspeita ou contaminação confirmada do novo coronavírus. Em abordagem aos estudantes, na manhã deste domingo, 22, estiveram presentes representantes da Pró-Reitoria Estudantil, da Pró-Reitoria de Extensão e, por telefone, uma médica infectologista do comitê de gerenciamento do Covid-19 da Ufal, que tirou as dúvidas e monitorou todo o processo, confirmando, assim, a inexistências de casos suspeitos ou confirmados de Covid-19 na residência.

A Ufal conclui ao dizer que a situação da saída dos estudantes está sendo resolvida antes que problemas maiores aconteçam e que, por enquanto, ainda é seguro sair e voltar para casa, tanto nos carros oficiais, quando por outros transportes para estados vizinhos. E que a Universidade está oferecendo condições e não despejando estudantes.

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