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Apenas 8% dos brasileiros com mais de 60 anos ainda trabalham

Folhapress / 11:26 - 04/03/2019

Com a reforma, esse número vai ter que subir, pois os maiores de 50 anos estão na mira do governo


tardeApenas 8% dos brasileiros com mais de 60 anos ainda trabalham

Os brasileiros com 60 anos ou mais correspondem a 19% das pessoas em idade de trabalhar, mas somente 8% estão na ativa.

Com a reforma da Previdência, esse número vai ter que subir, pois os maiores de 50 anos estão na mira do governo. A proposta é definir idade mínima de 65 anos (homens) e 62 (mulheres) no benefício.

No último trimestre de 2018, 93 milhões de brasileiros estavam trabalhando, nem todos com carteira assinada. Desse total, 7,5 milhões têm a partir de 60 anos, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do último trimestre de 2018. Os idosos são quase 16% da população.

Em 2015, último ano em que a informação foi divulgada pelo IBGE, 5,188 milhões de aposentados trabalhavam.

Seguir no mercado após os 60 anos, porém, pode não ser tão fácil. A coordenadora do curso de capacitação em RH da FGV (Fundação Getulio Vargas) e mentora de carreiras Anna Cherubina diz que são muitos os desafios em um mercado que está em profunda transformação.

Para a pesquisadora Ana Amélia Camarano, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a força de trabalho madura, que inclui quem tem de 50 a 64 anos, é que vai ser primeiramente afetada pela reforma.

Ela considera a idade mínima ainda menos preocupante ante o tempo de contribuição proposto, que subirá de no mínimo 15 anos para 20.

Anna diz que os cuidados com a saúde são essenciais.

“A experiência é muito importante para as empresas, mas a vitalidade fará muita diferença, pois ninguém vai contratar alguém doente.”

REAÇÕES

As centrais sindicais já preparam reação à apresentação da proposta de reforma. Além de uma agenda unificada de protestos, CUT e Força Sindical devem começar um corpo a corpo com parlamentares para cobrar alterações, especialmente nas novas regras de acesso e em benefício como aposentadoria rural e BPC.

Outras instituições, como a OAB-SP e o Ieprev (Instituto de Estudos Previdenciários), preparam emendas alterando pontos do projeto. As propostas devem ser apresentadas a deputados. Federações que representam servidores do Judiciário também preparam uma investida contra a PEC ainda na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), a primeira pela qual passará a proposta.


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