Amigo de açougueiro afirma que ele trabalhou por vários dias no Mercado da Produção

O açougueiro Cláudio Mandu da Silva, 48, morreu por Covid-19, em Maceió, no último dia 15 de abril

Amigo de açougueiro afirma que ele trabalhou por vários dias no Mercado da Produção

O açougueiro Cláudio Mandu da Silva, 48, morreu por Covid-19, em Maceió, no último dia 15 de abril

Por Redação com Revista Época | Edição do dia 22 de abril de 2020
Categoria: Coronavírus | Tags: ,,,


Após morte de açougueiro, prefeitura iniciou desinfecção de Mercado da Produção de Maceió Foto: Divulgação

O açougueiro Cláudio Mandu da Silva, 48, morto pela Covid-19, teria trabalhado por vários dias doente, inclusive na Quinta-Feira Santa, 9, no Mercado da Produção, em Maceió, afirma amigo que não quis ser identificado. Segundo um parente da vítima, Claudio estava se tratando com antigripais, com a piora da doença, foi ao hospital e morreu dois dias depois de ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Mulher. As informações são da Revista Época.

Cláudio morreu no último dia 15 de abril, seis dias após o último dia que trabalhou no Mercado da Produção. Na Quinta-Feira Santa, centenas de pessoas se aglomeravam nos boxes e balcões do mercado, ignorando as recomendações de distanciamento e isolamento social. Um dia após a morte do açougueiro, levantamento apresentou que 49,3% da população em Alagoas cumpria a quarentena adequada. Porém, ainda sim, o Estado é cotado com o de menor taxa de isolamento social a nível Nordeste.

“O movimento não foi como no ano passado, devido ao coronavírus. Mas mesmo assim acho que o pessoal não estava ligando muito para isso, todos sabem como é o movimento nessa época do ano. Tinha muito pouca gente usando máscaras”, afirmou o dono de uma peixaria, que não quis ser identificado.

O dono de um açougue no local disse que os comerciantes do mercado ficaram preocupados após a morte de Cláudio. “Na Quinta-Feira Santa eu não fui trabalhar. Preferi não abrir a banca pois eu vendo carne e ninguém compra nesse dia. Mas eu conversava com o Cláudio, ele era açougueiro como eu. Então a gente fica apreensivo, ele trabalhou doente por vários dias, não sabemos com quantas pessoas ele teve contato”, disse a Época.

O Mercado da Produção tem 1.478 boxes que vendem carnes, mariscos, peixes, temperos, hortifrutigranjeiros, e até mesmo roupas e artigos medicinais. O espaço segue em funcionamento por se tratar de um equipamento essencial para a segurança alimentar, conforme estabelece decreto estadual de emergência.

Tratamento

Segundo o auxiliar administrativo Marcelo Franklin, 33, parente da vítima, Cláudio começou a sentir indisposição no dia 2 de abril. Com a indisposição e sintomas gripais, ele se automedicou com antigripais.

“Com os remédios, ele resistiu uns dias e conseguiu trabalhar até a manhã da Quinta-Feira Santa. Mas ele não aguentou mais e foi ao hospital”, afirmou Franklin.

Cláudio ficou internado no Hospital Veredas e, em 13 de abril, teve de ser encaminhado à UTI do Hospital da Mulher. Morreu dois dias depois. A família dele está em quarentena.

Investigação

Uma investigação foi aberta para apurar a responsabilidade pela aglomeração de pessoas no mercado. O Ministério Público Estadual de Alagoas (MPAL) requisitou que seja apurada “a suposta ocorrência de crime de infração de medida sanitária”. De acordo com o órgão, não houve “qualquer organização por parte da administração do estabelecimento, mesmo após o recebimento de instruções para se evitar esse tipo de aglomeração e realizar o correto procedimento de higienização, gerando risco concreto e efetivo de contágio pela Covid-19”.

Responsável pelo mercado

A Secretaria Municipal do Trabalho, Abastecimento e Economia Solidária (Semtabes), responsável pelo mercado, lamentou a morte de Cláudio e informou em nota que ele não havia reportado qualquer problema de saúde à administração do estabelecimento. E acrescentou que o box onde Cláudio trabalhava foi isolado e as autoridades sanitárias fizeram desinfecção em todo o mercado.

Após a confirmação da morte, o Mercado da Produção seguiu aberto, mas com restrições. Passou a haver um controle de entrada e saída de pessoas. Com a medida, formaram-se filas de clientes do lado de fora na semana passada.

A Semtabes também informou que enviará ofício ao Ministério Público com esclarecimentos a respeito da movimentação no mercado durante a Semana Santa. Em nota, afirmou que o serviço de som interno orientou os frequentadores a manterem o distanciamento adequado e que os órgãos de segurança foram acionados, “mas devido ao fluxo atípico, não foi possível dispersar a aglomeração”. A secretaria disse ainda que na Sexta-Feira Santa o acesso de clientes já estava ordenado, com apoio da Polícia Militar e da Guarda Municipal.

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