Alagoas forma a primeira turma indígena da história do Estado

Projeto com apoio do Governo ofereceu oportunidade de estreitar a comunicação entre as culturas e ampliar a inclusão de nativos na sociedade

Por | Edição do dia 28 de setembro de 2015
Categoria: Educação, Notícias


Formandos indígenas emocionaram a familiares, professores e aos representantes do Governo de Alagoas presentes.

Formandos indígenas emocionaram a familiares, professores e aos representantes do Governo de Alagoas presentes.

A meta de transformar Alagoas por meio da Educação alcança mais um patamar positivo este ano.  O Governo do Estado, por intermédio da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), promoveu a graduação de 80 índios de 12 tribos alagoanas em Palmeira dos Índios, em evento ocorrido na sexta-feira (25).

A iniciativa pioneira na história de Alagoas fortalece a cultura indígena alagoana, ao transformar saberes culturais em conhecimento científico.

Devido à complexidade da população indígena, o Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (Prolind), que contou com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) – pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) – foi idealizado pela Uneal, corroborando com a meta do Governo de Alagoas de transformar o Estado por meio da educação.

O projeto compreende em respeitar e assimilar as particularidades do habitat desses povos, que possuem diferenças de linguagem e expressões. Dentro das comunidades nativas, existem indivíduos com a perspectiva de viver em seu lar natural. As desigualdades sociais podem ser minimizadas a partir de uma educação qualificada que estreitem a comunicação e o convívio social.

Em solenidade histórica, vestidos de beca, tiaras e cocares, os formandos preparavam-se para receber os diplomas nos cursos de Pedagogia, Letras, História e Ciências Biológicas. Segundo o reitor da Uneal, Jairo Campos, o evento teve um significado extraordinário, uma ação singular, em 44 anos de história da Uneal e 198 anos do Estado de Alagoas.

“É uma cena de glória, louvor e conquista dos povos indígenas alagoanos que com todos os desafios que se impõem para os gestores públicos, no sentido de viabilizar novas conquistas, acreditaram e realizaram”, declarou o reitor.

Dificuldades na caminhada, mas com um final feliz 

Ao longo de cinco anos, integrantes de diversas tribos enfrentaram as dificuldades, mas completaram o curso. Para a índia Suyane de Souza Tenório, da tribo Xucuri-Kariri, da aldeia Mata da Cafurna, em Palmeira dos Índios, nada se compara ao momento vivenciado. “Enfrentamos muitos problemas com burocracia, chuva, frio, lama, noites sem dormir, mas nós conseguimos vencer. Me sinto realizada em trabalhar como professora na minha aldeia, é muito gratificante”, disse Suyane, antes de ser diplomada.

Graciliana Celestino, também da tribo Xucuru-Kariri, formada em filosofia pela Universidade Católica São Tomás de Aquino (Facesta), destacou que esse projeto é uma iniciativa de grande valia e se faz necessário para fortalecer o saber do índio como conhecimento científico. Ela acredita que a partir da inserção e do aproveitamento de oportunidades como essa, é possível estreitar a comunicação entre as culturas e que, com a inclusão, é possível transformar o seio de convivência com seus entes e irmãos indígenas.

“É importante que o Governo do Estado dê continuidade a essas ações e possa ampliar, para que, cada vez mais, haja oportunidade para nós. Nada melhor que um indígena para trabalhar com seu povo, porque existe uma convívio que torna mais fácil a interlocução e o diálogo. Afinal não são todos que têm o dom de se comunicar com a sociedade, por isso precisamos ser qualificados e inseridos”, ressaltou Graciliana.

“A maioria usou cocar e tiaras por que isso é uma questão de reafirmação e autoafirmação enquanto identidade indígena. Hoje, eles não estão utilizando não só a beca, mas também a própria tiara e o cocá pra reafirmar o conhecimento deles nessa interculturalidade”, completou Graciliana Celestino.

De acordo com o reitor Jairo Campos, o Prolind deve continuar formando pessoas e elevando a autoestima dos alagoanos de outras etnias. “É preciso fazer crer que, pela dedicação e pela formação, eles podem ser grandes e assim podemos construir uma nova história”.

O evento reuniu famílias e representantes de comunidades indígenas, no ginásio de esportes do Centro Educacional Cristo Redentor, em Palmeiras dos Índios, além de contar com a presença do vice-governador e secretário de Estado da Educação, Luciano Barbosa; a secretária de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos, Roseana Cavalcante; professores e doutores da Uneal.

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