AL não deve comprar vacina russa: “isso é tarefa para o país”

Por Edvaldo Júnior | Edição do dia 16 de agosto de 2020
Categoria: Notícias


O Consórcio Nordeste, que realiza compras coletivas para os nove Estados da região iniciou negociações para ter acesso a primeira vacina contra a Covid-19 anunciada em todo o mundo – a ‘Sputnik V’, de origem russa. As negociações já foram iniciadas, confirmou o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) em coletiva realizada nessa sexta-feira (14).

Dino disse que os estados do Nordeste, por meio do Consórcio Nordeste, estão em contato com o governo da Rússia. O protocolo de adesão ainda está em fase preliminar.

“O governador do estado da Bahia, onde se situa o Consórcio Nordeste, está em nome dos nove estados do Nordeste tratando com empresas e com o Governo Russo um protocolo que nos garanta o acesso a este momento de experimento. E se Deus nos proteger por este caminho ou por qualquer outro, nos teremos um diálogo visando um futuro no abastecimento do nosso estado no que se refere a uma possível vacina que seja produzida naquele país ou qualquer outro. Neste caso, foi a Rússia que anunciou ter descoberto a vacina”, disse Flávio Dino.

Apesar da informação do governador do Maranhão, Alagoas não deve fazer parte de uma eventual compra coletiva da vacina russa.

“Não acho que Nosso Estado deve entrar nessa corrida. Isso é tarefa para o país.”, pondera o governador Renan Filho (MDB) através de aplicativo.

As compras coletivas pelos nove Estados tem o objetivo de reduzir custos e acelera os processos, mas podem representar riscos, a exemplo do caso da compra de um lote de respiradores que terminou resultando na operação Operação Ragnarok, da Polícia Civil do Estado da Bahia, Após denúncias de fraudes na aquisição dos equipamentos.

No caso da vacina russa, apesar das conversas já iniciadas entre o governador Rui Costa (Bahia) e o governo russo, Alagoas não deve participar da compra. O estado prefere esperar a vacina que está sendo negociada pelo governo brasileiro com a Universidade de Oxford (Reino Unido). Em fase mais avançada de testes, a vacina inglesa deve ficar disponível no Brasil até janeiro, mesma época prevista p a russa.

A vacina

Além dos estados do Nordeste, outros estados brasileiros também tem interesse na vacina russa. O Paraná já assinou um documento para o desenvolvimento da vacina russa contra o coronavírus no país. A assinatura do termo foi realizada por videoconferência com representantes do governo do Pará, Ministério da Saúde e embaixada da Rússia.

Vários países estão na corrida em busca de uma vacina contra o novo coronavírus. No Brasil, estão sendo testadas duas delas, uma de origem chinesa e outra inglesa. A Rússia, no entanto, foi o primeiro país a aprovar uma vacina contra a Covid-19, menos de dois meses depois do início dos testes clínicos. O anúncio foi feito pelo presidente russo, Vladmir Putin, na terça-feira (11).

A eficácia da vacina russa tem sido questionada pela comunidade científica internacional. O site oficial sobre a pesquisa afirma que, no dia 1° de agosto, os testes de fase 1 e 2 foram concluídos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que sejam realizadas três etapas de testes. A vacina ainda não concluiu os testes em estágio avançado e por isso, tem sido alvo de desconfiança por parte de cientistas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a Rússia “não precisa de sua aprovação” para registrar a vacina, e que precisará ter acesso aos dados da pesquisa para avaliar a eficácia e segurança de imunização.

Desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, em Moscou, os testes clínicos iniciais da vacina russa começaram em humanos há menos de dois meses, em 17 de junho. Apenas 38 pessoas foram testadas e as pesquisas dos estudos não foram publicados pelas autoridades russas.

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