Advogada afirma ter sido ameaçada de morte por italiano que matou seu marido

Maricélia era o alvo de Pasquale Palmeri na terça-feira (9), dia em que o marido foi morto a tiros em frente ao Fórum do Barro Duro

Advogada afirma ter sido ameaçada de morte por italiano que matou seu marido

Maricélia era o alvo de Pasquale Palmeri na terça-feira (9), dia em que o marido foi morto a tiros em frente ao Fórum do Barro Duro

Por Thatyana Ferreira - estagiária sob supervisão | Edição do dia 11 de março de 2021
Categoria: Notícias, Polícia, Sem categoria | Tags: ,


Advogada Maricélia Schlemper (Foto: Reprodução)

A advogada Maricélia Schlemper, viúva de José Benedito Alves de Carvalho, morto a tiros por um italiano na terça-feira (9), pediu para que a audiência de conciliação da qual ela participaria naquele dia fosse realizada virtualmente, mas o pedido feito ao Juízo da 22ª Vara da Família, no Fórum de Maceió, foi negado. 

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A intenção de Maricélia era preservar a sua integridade, já que segundo ela, o italiano Pasquale Palmeri, de 75 anos, autor dos disparos de arma de fogo que resultaram na morte do seu marido, a ameaçou de morte três vezes. O alvo de Pasquale na terça-feira seria a advogada.

“Quero pedir que este monstro não seja liberado, porque eu e a ex-mulher dele seremos os próximos alvos dele. Já tinha sido ameaçada de morte outras três vezes, comentei isso com o meu marido, mas ele desconversou, pedindo para eu não desistir do caso, porque a minha cliente precisava de alguém que fizesse justiça por ela”, afirmou emocionada a advogada em entrevista concedida a TV Pajuçara durante o velório de seu marido nesta quinta-feira.

A audiência de conciliação só foi marcada depois de um desdobramento no processo, em que a foi concedido a cliente de Maricélia um apartamento que em tese seria do italiano. A advogada acredita que essa decisão causou insatisfação em Pasquale e cogita que se os envolvidos no processo estivessem em uma sala fechada com a juíza o acusado teria “matado todos ao mesmo tempo”.

“Ao descermos do carro, ele logo se aproximou, puxou a minha mão, tirou a arma do bolso e disse que não iria ter acordo nenhum. O meu marido percebeu tudo e me empurrou. Os dois começaram a discutir e o tiro foi disparado à queima-roupa. Só vi o meu marido cair na minha frente. Esse monstro ainda tentou correr atrás de mim e eu fiquei paralisada. Saímos correndo e pedimos socorro, desesperados”, explicou o ocorrido.

Ainda de acordo com a advogada, o italiano devia devia mais de 200 mil reais em pensão alimentícia. “Defendia a ex-mulher dele havia sete anos e nem tinha recebido dinheiro. A minha cliente me prometeu me pagar quando o ex-marido liberasse algum dinheiro. Agora, ele tirou a minha vida, sendo não somente uma afronta à advocacia, mas à mulher”.

Maricélia também pediu, durante a entrevista, que proteção policial fosse concedida aos advogados no Fórum de Maceió. Já que segundo a mesma os profissionais da área estão vulneráveis a possíveis agressões e ataques. “Não há qualquer segurança para os profissionais”, concluiu.

O enterro da vítima, o bacharel em Direito José Benedito Alves de Carvalho, deverá acontecer no Cemitério Nossa Senhora da Piedade, localizado no bairro do Prado, às 11h de hoje. O italiano segue preso desde a terça-feira, mas nesta quarta-feira (10), sua prisão foi convertida em flagrante pela Justiça Estadual.

Confira a nota de pesar divulgada pela AATAL

A Comissão da Associação dos Advogados Trabalhistas de Alagoas (AATAL) presta suas condolências e solidariedade à advogada Maricelia Schlemper e repudia veementemente o ato atentatório à vida de sua cliente e a sua, tendo vitimado fatalmente seu companheiro José Benedito Alves.

No aniversário de 6 anos da Lei de Feminicídio continuamos presenciando diuturnamente episódios similares, onde verificamos que os mecanismos que visam coibir e prevenir a violência de gênero se revelam insuficientes. Ainda verificamos nos noticiários a presença marcante das diversas formas de violência contra a mulher (física, psicológica, sexual, patrimonial, moral).

No fatídico dia, na porta do Fórum de Justiça e no exercício de sua profissão, a advogada que buscava defender os interesses de sua cliente em plena pandemia, não fosse o heroísmos do seu companheiro, poderia ter sido vitimada fatalmente em razão do inconformismo masculino decorrente de ação judicial visando garantir a subsistência de sua cliente, MULHER em situação de vulnerabilidade. São muitos símbolos, mas todos apenas reforçam a perspectiva de que para o patriarcado não existe qualquer limite.

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