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A prisão do estuprador que fez dezenas de vítimas

Deraldo Francisco - Repórter / 9:44 - 22/04/2019

Assessor da câmara abordava garotas pedindo ajuda para encontrar sua filha e se aproveitava da boa-fé para praticar os crimes


Benício Vieira de Lima era do tipo “acima de qualquer suspeita”. Trabalho fixo há mais de 15 anos, responsável, casado e pai de uma adolescente. Morava numa casa simples em Guaxuma e até o carro do patrão que ele dirigia ficava num terreno ao lado, coberto com uma lona. Quarentão, fala mansa, barrigudo e calvo.

Um sujeito confiável. Até que a Polícia Civil descobriu que ele era um dos principais estupradores de Maceió. Atacava meninas com idades entre 11 e 17 anos, fazia sexo à força com elas sem usar preservativos. Fez isso, pelo menos 20 vezes.
(…)

Num quartinho, ele praticava os estupros e depois deixava as vítimas nas imediações do local onde elas foram abordadas. Quando foi preso na terça-feira (16), Benício estava em casa, com a esposa e a filha. Mesmo com todas as evidências, ele diz que era inocente. O Dia conversou com a delegada Ana Luíza Nogueira que, ao prender o criminoso, evitou outras dezenas de estupros que o criminoso ainda cometeria em Maceió.

Confira em seguida parte da entrevista exclusiva com a Delegada Ana Luíza Nogueira

Como a Polícia Civil chegou ao criminoso?

Recebemos da SSP, há dois meses, relatório da Secretaria de Saúde com narrativa contendo três vítimas de violência sexual; sendo duas adolescentes e uma maior de idade, com as mesmas características do autor e mesmo modo de operação. (…)  Pedimos apoio do Laboratório de Inteligência Cibernética (Diretoria de Inteligência) da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça e Segurança Pública para análise de dados. Assim, chegamos à casa e, novamente, empregamos ações técnicas de inteligência e confirmamos, através de reconhecimento fotográfico feito por nove meninas, o autor e o local do fato. As abordagens sempre aconteciam nos bairros do Feitosa e Jacintinho, onde ocorriam entre três e quatro abordagens durante um certo período.

As provas contra ele, além das testemunhais, são fortes? 

Sim, as provas carreadas aos autos dos inquéritos são muito robustas: provas testemunhais, provas técnicas, análise de dados pelo CiberLab de Brasília, provas periciais. Importante citar que o modo de operação dele era abordar a vítima com uma história de que a filha estava numa Igreja e que ele não sabia como chegar. Insistia até mesmo chorava para enganar a vítima, que se compadecida e entrava no carro. Para as que resistiam, ele mostrava arma. Mas não encontramos esta arma. (…)

Quantas são as vítimas que já confirmaram? Quantas já apareceram para denunciar?

Inicialmente houve a confirmação de nove vítimas e dez em investigação. Após a divulgação da prisão pela imprensa, doze meninas (sendo onze adolescentes e uma maior) compareceram às delegacias responsáveis e foi realizado reconhecimento do autor do crime, sem qualquer vacilação. (…)

Há casos de gravidez entre as vítimas?

Não confirmamos registro de gravidez. É importante citar que a grande maioria das vítimas procurou serviços de saúde posteriormente, para medicação profilática.

Quando a senhora sentiu o momento do “peguei o criminoso”?

Quando, após a confirmação da casa, local em que ocorriam os estupros, conseguimos visualizar o autor, o qual tinha as mesmas características passadas pelas vítimas. E o reconhecimento fotográfico com as vítimas foi o que “fechou” o caso.

Leia a entrevista na íntegra na edição desta semana do impresso O DIA ALAGOAS.


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