A música caleidoscópica de Rosselliny

A música caleidoscópica de Rosselliny

Por Ricardo Guimarães* | Edição do dia 22 de outubro de 2020
Categoria: Cultura | Tags: ,


Foto: Divulgação

Artigo por Ricardo Guimarães*

Já na faixa “Psicopele” que abre seu álbum de estreia “Folha Seca”, a cantora alagoana Rosselliny com seu timbre encorpado de contralto mostra a que veio: “vôo alto… Não me basta os modelos que eu sei… No espaço tudo pode acontecer…”, entre teclados retrôs vigorosos.

O disco, saído do forno quase agora e jogado direto em todas as plataformas pelo selo @voragem.discos (by @pedrivus ) tem produção caprichada e competente execução de todos os instrumentos assinadas pelo músico @mario_celo , egresso de bandas relevantes da cena local como Poções Mágicas, Capitães de Areia e Porcos de Pelúcia.

O tremendo bom gosto nos timbres, o equilíbrio na estrutura sonora que permeia todo o álbum confere a @mario_celo promissora carreira como produtor.

Entre rocks potentes, belas baladas, blues inspirados e certeiras incursões pelo terreno fértil dos sons psicodélicos, “Folha Seca” toca em nossos ouvidos com inegável poder de sedução. Culpa do distanciamento social involuntário a que fomos submetidos… O álbum é “filho” da pandemia! A rigor, é um disco de dupla, já que a participação de Mário no disco extrapola a produção. Ele também assina todas as canções, além de fazer ‘backings vocals’ em várias outras.

Mas a protagonista da obra enCANTA e imprime um diversificado painel interpretativo a cada uma das faixas. Entre os destaques estão “Você em mim” (“meu amor é tão raro e tão claro dentro de mim/por favor me aqueça e amanheça no meu jardim”), com potencial de hit radiofônico pra tirar baba da boca de qualquer Guilherme Arantes; “Teogonia” é ode ao politeísmo, tão cerceado nesses tempos intolerantes e “Entre o sim e o não” (a grande pérola do disco) é progressivo com longa e climática introdução que traz achados poéticos (“o mundo cai dentro de mim”).
Deslize: a concordância no verso “gente de outro mundo passam nas calçadas” na ótima faixa “Ponto de ônibus”.

Mero detalhe que não dissolve seu status de beleza.

O álbum encerra em grande estilo com a deliciosa balada jovemguardista “A medida do amor”. Justiça seja feita, “Folha Seca” é inegável atestado de talento que Rosselliny joga aos quatro ventos.

 

*É jornalista, pesquisador musical, compositor, cantor, letrista e ator

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