Bom Dia!, Sábado - 20 de Abril de 2019

 

A importância da liberdade de pensar, questionar e compartilhar ideias

Alyshia Gomes / 6:41 - 10/03/2019


Já faz um certo tempo, escrevi sobre algumas organizações não-governamentais que trabalham pela proteção de pesquisadores que sofrem graves ameaças como, por exemplo, Programme PAUSE, Scholars at Risk, Academia Mundial de Ciências (TWAS), Iniciativa Philipp Schwarz da Fundação Alexander von Humboldt e Programa Scholar Rescue Fund.

Esta semana, acompanhando algumas postagens sobre uma petição publicada pelo Scholars at Risk Notts, grupo responsável pela campanha pela libertação do Dr. Ahmadreza Djalali formado pela comunidade acadêmica da Universidade de Nottingham, decidi publicar alguns destes casos que, segundo especialistas, são claros exemplos de prisões arbitrárias. Chamo atenção para a possibilidade de aplicação da pena de morte em alguns casos, se houver condenação.

No primeiro caso, relato a prisão do estudante de doutorado Peter Biar Ajak, preso no Aeroporto Internacional de Juba e investigado por traição e outras ofensas supostamente baseadas na segurança nacional pelas autoridades do Sudão do Sul, segundo afirmam especialistas em direitos humanos da ONU.

Peter Biar Ajak atuava como comentarista político e é co-fundador do Fórum dos Jovens Líderes do Sul do Sudão (SSYLF), uma coalizão de mais de 70 jovens que defendem a resolução do conflito no país. Nas semanas que antecederam a sua prisão, ele publicou uma série de Tweets criticando a violência em curso e defendendo mudanças.

O segundo relato ocorreu na Turquia em janeiro de 2016. 1128 acadêmicos assinaram uma petição de paz intitulada “Não seremos parte deste crime”, cujo objetivo era chamar a atenção do público para os brutais atos de violência perpetrados pelo Estado nas regiões curdas da Turquia.

A divulgação da petição causou o aumento de signatários mas também a  demissão de muitos deles, que também foram acusados de estarem fazendo propaganda de organização terrorista. Segundo Scholars at Risk, até 5 de março de 2019, 493 acadêmicos haviam sido julgados e condenados à prisão.

Como último caso, apresento o que me motivou na escolha do tema. Ahmadreza Djalali, médico e professor do Instituto Karolinska (Estocolmo – Suécia) e professor visitante da Universidade Livre de Bruxelas (Bélgica) foi preso no Irã enquanto participava de uma conferência científica em abril de 2016. Acusado de espionar governos estrangeiros, ele foi condenado à morte em outubro de 2017. Segundo relatos de organismos de defesa de Direitos Humanos, o julgamento foi baseado em evidências coletadas por meio de intensa pressão, tratamento desumano e, possivelmente, até tortura. O professor está sendo mantido no corredor da morte com a saúde deteriorada e com reiterados pedidos de atendimento médico negados.

Durante todo o período do carnaval, as postagens de algumas instituições que advogam pela defesa dos Direitos Humanos de pesquisadores em risco que acompanho trouxeram informações sobre a petição que está circulando exigindo a libertação humanitária do Dr. Ahmadreza Djalali. O documento será apresentado ao Relator Especial das Nações Unidas para o Irã, Professor Javaid Rehman.

Imagino que, ao chegar neste ponto do texto, você deva estar concluindo que casos como estes estejam limitados à locais mantidos por regimes autoritários, o que exclui o Brasil, certo? Errado! Especialistas afirmam que, em países como o nosso, pode até ser que não haja prisão ou processo sem fundamento, mas existem, sim, casos nos quais carreiras tenham sido igualmente prejudicadas. E faço questão de terminar o texto com esta informação para esclarecer que riscos existem em qualquer lugar do mundo.

Se você quiser enviar algum comentário, sugestão ou pergunta, envie um e-mail para alyshiagomes.ri@gmail.com. Até breve!

 


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