A diversão dos jovens: um olhar por dentro dos jogos online

Com um crescimento do número de jogadores virtuais as comunidades gamers no estado de Alagoas crescem a cada dia que passa

A diversão dos jovens: um olhar por dentro dos jogos online

Com um crescimento do número de jogadores virtuais as comunidades gamers no estado de Alagoas crescem a cada dia que passa

Por João Henrique e Beatriz Rodrigues | Edição do dia 24 de outubro de 2021
Categoria: Alagoas, Tecnologia | Tags: ,,,


Concentração, foco e atenção máxima. Com os dedos preparados para acionar os gatilhos, os ouvidos aguçados para qualquer barulho inimigo e os olhos mais que atentos para qualquer movimentação, os gamers entram em batalha. Vasculhando os quartos e se comunicando sobre qualquer movimentação, a tensão domina o ambiente. O disparo silenciado, o barulho da faca e o aviso pelo headset: “a caveira está aqui! ”, movimenta o conflito.

Coordenadas do local, número de disparos, informações sobre o armamento e quais estratégias a equipe de elite deve utilizar tomam os sons do ambiente junto aos cliques dos mouses e dos “tlecs” dos teclados. A ação, emoção e a adrenalina são comuns nas noites de  Lucas “HaayNss” Rocha, estudante de Ciências da Computação e jogador profissional de Rainbow Six Siege.

Lucas Raimundo durante gameplay

Com acesso a grupos no Facebook, WhatsApp e servidores no Discord, os gamers fortalecem a amizade. Durante toda a jogatina, os players procuram se comunicar e findar laços de confiança e amizade. Os jogadores conhecem pessoas de outras cidades e estados e começam a jogar juntos durante vários dias na semana.

“Um dos exemplos, foi quando eu conheci o Baiano –Henrique Tito-, estávamos em uma play* de R6* e vimos que o cara era muito gente boa. Passamos a jogar juntos, e durante todas as noites, nos encontrávamos em um server* do Discord, até que ele entrou para o Hinoteam* e nós nos tornamos amigos. Compartilhamos experiências do dia, falamos das tristezas, das felicidades e tudo isso por conta de um jogo que nos uniu. ”, relata Gabriel “CarecadaClash” Velozo, estudante, jogador de Rainbow Six e membro-fundador da equipe Hinoteam*.

Gabriel Velozo se comunica enquanto joga

Nos grupos das redes sociais, que contam com mais de 200 mil membros, como o grupo de Pubg*, por exemplo, estão relacionados o público do jogo online. Nessas comunidades, encontros para realizar uma partida, requisitos para jogarem juntos e memes, atraem os jogadores, que se sentem acolhidos e passam por uma nova experiência. Imergindo nesse mundo, jovens, adultos e crianças se relacionam todos os dias através de mensagens e chamadas de vídeo e voz.

A história da amizade de Lucas Raimundo e Gabriel Velozo, que hoje são melhores amigos e fundadores do Hinoteam -time que disputa campeonatos de R6- se iniciou por conta de um jogo online. Quando calouros de Ciências da Computação, na Universidade Federal de Alagoas, não conheciam ninguém e sequer tinham trocado uma palavra. Durante um diálogo, Rai –como é carinhosamente apelidado- relatou que jogava o game, foi quando Velozo, jogador do mesmo jogo, ficou sabendo e se entrosou com o jogador.

Com horas de combate em jogo somada as horas conectados nas calls* de rotina, Rai e Velozo, hoje são inseparáveis e compartilham experiências e vivências todos os dias. Rai mora no interior do estado, em São Miguel dos Campos, enquanto Velozo mora na capital alagoana e ambos viajam para se encontrar e conversar.
Essa é apenas uma história relatada das diversas outras que são encontradas facilmente em canais de voz dos programas de comunicação, em grupos das redes sociais e dentro dos games.

“ – Quem está nas trincheiras ao teu lado?
– E isso importa?
– Mais do que a própria guerra. ” – Hernest Hermingway, Adeus às armas

Gabriel Velozo e Lucas Rocha

Desde o clássico Super Mario World, do Super Nintendo ao popular Free Fire: Battlegrounds nos portáteis, os números obtiveram uma certa valorização e o investimento ali foi sendo desmistificado por muitos de “perda de dinheiro”, por apostar em algo ainda sem conhecimento à “fábrica de milionários”, onde se realmente acreditou que podia fazer um alto investimento e ter um bom balanço no retorno financeiro.  A pesquisa Game Brasil, feita anualmente para ter conhecimento do andamento do cenário gamer* no Brasil, apontou em fevereiro de 2020, que houve um aumento de 7,1% da população brasileira em relação a esse novo comércio.

Dados sobre o perfil gamer brasileiro. (Fonte: PGB20)

Anualmente, a cidade de São Paulo sedia a Comic Con Experience (CCXP), que atrai um grande público nerd, principalmente os amantes de jogos para acompanhar além de novidades sobre a cultura geek, lançamentos e campeonatos de videogames em geral. A CCXP, reúne cerca de 300 mil pessoas em um ambiente para usufruírem das atividades.

O alagoano João Vilela, gestor da equipe de eSports do CSA, define os esportes eletrônicos não como um poço de oportunidades pro futuro, mas sim, no presente e vê as modalidades dando banho em gigantes competições do cenário gamer nacional.

João Vilela, gestor da equipe de eSports do clube alagoano.

Em pesquisa feita pela reportagem com jovens alagoanos que estão inseridos no cenário, 74,8% dos entrevistados disseram que jogam ou acompanham os jogos eletrônicos há mais de 5 anos, enquanto 9,8% jogam há cerca de 1 ano. Empatados estão o público que joga entre 3 anos ou que iniciou durante a pandemia, que apresentaram 8,1% da pesquisa.

Dentre as categorias preferidas pelos jogadores estão estão os Battle Royales (games que envolvem sobrevivência em grupo ou sozinho), gênero do famigerado Free Fire e os FPS’s (games de ação em câmera de primeira pessoa): Counter-Strike, Rainbow Six Siege, Call of Duty. 66,7% dos entrevistados disseram que usufruem dos games em seus potentes computadores, já 58,6% jogam diretamente de seus smartphones e 40,5% costumam ainda jogar em consoles.

Computadores lideram como a plataforma mais utilizada pelos gamers.

Essa nova modalidade de trabalho unido à tecnologia ganhou um novo nome, os eSports, ou em tradução livre, esportes eletrônicos. Tanto com equipes em campeonatos milionários, com pessoas que usam os videogames em transmissões ao vivo por vídeo ou conteúdos produzidos antecipadamente em plataformas distintas espalhadas pela internet: YouTube, Twitch.TV, NimoTV, CubeTV e até mesmo a rede social Facebook.

Essas novas formas de divulgação por meio de transmissões ao vivo vêm sendo a principal maneira de atrair o público para um certo jogo ou console (Playstation, Xbox, computador, smartphone). Dentre os entrevistados, 70,3% acessam regularmente e são espectadores das transmissões, enquanto 29,7% não tem esse hábito.

A grande maioria do público acompanha de perto plataformas de stream como a Twitch, como aponta a pesquisa realizada.

Faturamento

Em 2017, o campeonato “The International”, da modalidade DotA, pagou ao campeão, um valor total de 44 milhões de dólares, valor maior que a Copa Bridgestone Libertadores daquele ano, que pagou ao Grêmio, campeão da edição, 25 milhões de dólares. Agora em 2019, os eSports chegaram na marca de US$ 1,1 bilhões, sendo a primeira vez que o cenário chegou a esse lucro anual. Visando buscar um maior faturamento, clubes de futebol também incluíram suas marcas nos esportes eletrônicos. Os brasileiros Flamengo, Santos, Corinthians, Clube do Remo, CSA, Vasco, Botafogo, Athletico Paranaense e Sport já anunciaram e estão investindo em suas equipes e alguns até já conseguiram vencer grandes campeonatos e levar enormes quantidades de dinheiro em suas participações no cenário competitivo dos esportes eletrônicos.

Um exemplo desse crescimento é o streamer alagoano Víctor Fernandes de Sena, que ficou conhecido na plataforma Twitch como “Smzinho”. Victor trabalha na área da contabilidade e no início do trabalho como streamer, via os jogos apenas como um hobby de fim de semana e hoje consegue faturar pouco mais de mil reais com inscrições e doações feitas pelo público nos dias ao vivo.

Smzinho durante uma live.

Smzinho também conta com mais de 543,8 mil inscritos em seu canal na Twitch e relata em entrevista, que seu prazer é a comunidade que interage com ele, os comentários, as risadas e gargalhadas que sobem no chat, mas afirma que não pretende ser um jogador profissional.

Ao contrário desse movimento, existem outros jogadores que enxergam nos jogos eletrônicos uma fonte de renda e um futuro profissional. Um desses jovens é o Lucas Falcão, que realiza lives diariamente com o objetivo de se tornar conhecido entre os jogadores de Counter-Strike: Global Offensive.

“Várias pessoas utilizam o CS-GO como forma de ganhar dinheiro na internet, Hoje em dia a possibilidade são muitas. Assim como os youtubers tem seus espaços, a twitch possibilita que os streams tenham uma plataforma ideal para o conteúdo gamer. Fazemos lives jogando, dando dicas, participando de campeonatos. Atingimos todos os públicos, pois há quem assiste por hobbie, por esporte e para ser profisisonal”, explica o estudante. 

Lucas se inspira no jogador Gaules, que realiza transmissões dos jogos e movimenta cerca de US$ 2,8 milhões. “Claro que para chegar até lá, são muitos fatores, além de muita sorte, mas, não deixa de ser uma possibilidade, unir o jogo com uma profissão”, ressalta. 

* Com colaboração de Arthur Vinicius

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