A criatividade de um bonequeiro em Maceió!

Artesão mantém viva a tradição da confecção de bonecos, burrinhas e máscaras dos mais variados tipos e gostos.

Por | Edição do dia 17 de fevereiro de 2020
Categoria: Cultura | Tags: ,,,,,,,,,,,,,


O artista Jamesson Costa Oliveira e algumas de suas obras. Fotos: João Lemos.

O artista Jamesson Costa Oliveira e algumas de suas obras. Fotos: João Lemos.

A tradição dos bonecos gigantes símbolos do carnaval pernambucano é de origem europeia, mais foi na cidade de Belém do São Francisco-PE que essa história surgiu em terras brasileiras, conforme conta o pesquisador Olímpio Bonald Neto no livro “Os gigantes foliões em Pernambuco”, precisamente em 1919 um folião chamado Gumercindo Pires de Carvalho criou a figura do “Zé Pereira” que animava as folias de momo e em 1929 o dito folião criou mais um boneco que chamou de “Vitalina”.

Outros bonecos foram aparecendo no cenário momesco, em 02 de Fevereiro de 1932 surge o “Homem da Meia Noite” nas ladeiras de Olinda confeccionado por Benedito Barbaça (marceneiro entalhador) e Luciano Anacleto de Queiroz, (Pintor de parede), ele próprio (o homem da meia noite) em figura de cavalheiro anima as ladeiras do sítio histórico desde a inspiradora madrugada na longínqua década de 1930. Decorrente da festa que esses bonecos faziam no carnaval de Pernambuco certamente os foliões em Alagoas logo aderiram à ideia, não se sabe ao certo onde nem quando este ofício teve inicio em Maceió, sabe-se ao menos que nos idos da década de 1950 os bonecos gigantes já agitavam o carnaval da cidade com seu brilho e magia. Porém, há quem suponha que os bonecos estejam presentes no carnaval Alagoano desde a primeira década do séc. XX, mas nada comprovado.

Importa-nos mesmo é o costume rudimentar com que esses artesãos com seus aprimoramentos e técnicas mantém viva uma tradição já centenária na confecção de bonecos, máscaras, burrinhas, bois de carnaval e outros adereços lúdicos.

É Théo Brandão quem informa que em 1859, em Maceió, apareceram os primeiros mascarados, bobos como aqui chamamos, e com os mascarados os primeiros “ball masquês” com desfiles de fantasias e um tipo de homenagem que depois se tomaria o nome de “corso”, relatos de um passado pouco registrado na historiografia das festas populares de Alagoas.

Na cidade do Penedo no baixo São Francisco surgiu em 1960 a Agremiação Carnavalesca Vassourinhas criando consequentemente seu ícone a famosa boneca “Raquel”. Outra figura importante é o Mestre Tadeu dos bonecos que desde os 13 anos confecciona bonecos gigantes feitos de papel machê ou fibra.

Jamesson no processo de criação dos bonecos gigantes. Fotos: João Lemos.

Jamesson no processo de criação dos bonecos gigantes. Fotos: João Lemos.

Uma arte revelada pela nova geração de artistas plásticos

Maceió em momentos de constante efervescência ver surgir na efeméride da cultura contemporânea novas revelações, Jamesson Costa Oliveira é um artesão que pertence à nova geração de artistas da cidade, ao longo de sua trajetória com pouco mais de 15 anos vem mostrando a grandiosa capacidade na produção de bonecos gigantes, máscaras, burrinhas e esculturas em geral.

Foi Rosa Mossoró patrimônio da diversidade gay no estado que o descobriu revelando no hall dos artistas seus trabalhos e inspirações. “Quando eu vi os trabalhos de Jamesson nas redes sociais algo me despertou, vi quanto tinha talento e era preciso apresentar aos amigos suas peças. Grandes artistas ainda estão escondidos e agora é a hora de serem descobertos, porém é preciso que eles lutem e corram atrás de terem um espaço com visibilidade e reconhecimento”.

Jamesson é natural de Maceió, passou parte da infância no Rio de Janeiro, lá seu pai o maior incentivador dos dons artísticos deu total apoio aos trabalhos, iniciou a carreira com 14 anos inspirados no desenho do tio e ajudados por um amigo chamado Roberto seu primeiro professor. Desenhou a paisagem cinematográfica da praia de Copacabana e outros espaços da cidade maravilhosa por diversas vezes até regressar a cidade sorriso.

os detalhes preciosos no acabamento das obras. Fotos: João Lemos.

os detalhes preciosos no acabamento das obras. Fotos: João Lemos.

Dos desenhos e grafites até as esculturas

“Comecei a desenhar aos 14 anos, a praia de Copacabana foi à primeira inspiração, Roberto foi meu primeiro professor íamos escondidos de minha mãe e sempre que chegava a casa levava uma pisa (risos).”

Em Maceió deu continuidade trabalhando com grafites, onde conheceu os bumbas meu boi da Pajuçara levando-o a confeccionar as primeiras peças com esculturas anexas, a partir daí conheceu a magia inspiradora dos bonecos gigantes. “Fiz os primeiros bois com esculturas da cidade, foi então que descobri os bonecos gigantes, faz 15 anos que trabalho neste ofício, não me arrependo e me sinto feliz por saber que ajudo a manter viva uma tradição antiga na cidade. Hoje minhas filhas principalmente a mais nova já desenha e esculpe algumas peças, a partir disso ela já me dá a segurança que nossa arte em fazer bonecos não se extinguirá” Ressaltou Jamesson.

No Estado não existem muitos artesãos na área e são escassos os incentivos para a promoção deste oficio, cabe ao artista aventurar-se em prol de manter uma brincadeira já bastante aguerrido do nosso povo. Os bonecos gigantes de Jamesson já conhecidos como “bonecos das Alagoas” trazem em suas expressões a própria imagem popular do nosso povo, introduzindo no cenário artístico nacional uma característica própria de imaginar, esculpir e colocar nas ruas da capital uma imagem autêntica em tamanhos que vão de 2 a 4 metros de altura.

Os bonecos chegam a medir 4 metros de alturas conforme pedido do cliente. Fotos: João Lemos.

Os bonecos chegam a medir 4 metros de alturas conforme pedido do cliente. Fotos: João Lemos.

Bonitos por natureza

“Minha paixão é fazer os bonecos de Alagoas, falo dessa forma porque precisamos esclarecer que aqui independente de onde surgiu a brincadeira tem e trás consigo as nossas próprias características. Os bonecos daqui tem um rosto, por isso que digo sempre os meus bonecos gigantes são alagoanos e bonitos por natureza”. Afirmou Jamesson.

O processo para a confecção de um boneco vai de 8 a 15 dias dependendo de qual seja a encomenda, cada peça custa em torno de R$ 4.000 reais. Primeiro é feito um croqui encima, por exemplo, da foto do homenageado, seguido do processo de escultura no isopor, a partir daí a peça passa por uma envelopagem (revestimento do isopor com fibra) para onde seguem em faze de acabamento com pintura esgrafitada dando realismo as expressões modeladas, é feita uma vestimenta sob medida. Enfim, mais um boneco pronto para desfilar nas festas de Rua de Maceió. Mais de 50 Bonecos já foram confeccionados pelo artesão e artista visual.

Qualquer informação basta acessar no instagram o perfil: @3d_cenografia e ficar por dentro dos trabalhos do Jamesson.  Anota aí o telefone pra qualquer dúvida: (82) 98844-6621.

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