Boa Noite!, Quinta-Feira - 18 de Abril de 2019

 

A ciência ainda perseguida?

Alyshia Gomes / 2:49 - 22/07/2018

Em pleno século XXI, ainda encontramos pesquisadores e professores sofrendo ameaças em nome da liberdade acadêmica


Se eu utilizar esta coluna para contar a história de alguém que seguiu carreira acadêmica e, mesmo tendo se destacado pelos seus trabalhos científicos, ou até mesmo por causa dos mesmos, veio a sofrer perseguição? Tenho certeza que vocês vão pensar imediatamente em histórias antigas e bem conhecidas como as de vários cientistas europeus que partiram da Europa fugindo do regime nazista, a exemplo de Albert Einstein.

O instituto de Estudos Avançados em Princeton (EUA) beneficiou-se com a presença deste grande cientista-celebridade que mudou, para sempre, a visão que se tinha do universo. No entanto, no planeta, a probabilidade de se encontrar histórias de cientistas perseguidos continuou maior do que a lista de celebridades na ciência; como antigamente.

O mais incrível é que, apesar de estarmos sempre recebendo informações sobre os conflitos e instabilidades em alguns países, de acompanharmos os problemas dos deslocados e refugiados e de conhecermos histórias como a que acabei de mencionar, ainda persiste uma quase que tentativa de negação da realidade destes pesquisadores. Eu mesma só tive noção da gravidade da questão quando descobri um programa do Instituto de Educação Internacional (Institute of International Education – IIE) denominado Fundo de Resgate Acadêmico (Scholar Rescue Fund).

Meu contato com os responsáveis pelo programa me marcou enormemente, principalmente pelo, digamos, “pedido de ajuda” que me foi feito no sentido de divulgar esta realidade e o programa. Desta forma, sim, em pleno século XXI, cientistas/pesquisadores sofrem perseguição por causa de questões religiosas, étnicas e políticas, mas também por causa de suas atividades acadêmicas ou até mesmo por terem apoiado colegas perseguidos.

Segundo o IIE, desde 2002, o programa Scholar Rescue Fund já ajudou mais de 760 acadêmicos de 58 países, colocando-os em mais de 380 instituições parceiras em 43 países ao redor do mundo. Dentre suas ações de apoio, o instituto concede bolsas para que os pesquisadores perseguidos continuem trabalhando, em segurança, em instituições acadêmicas parceiras em todo o mundo. Cara Scholars at Risk Network, Iniciativa Philipp Schwarz da Fundação Alexander von Humboldt, Programa PAUSE do Collège de France e a Academia Mundial de Ciências (TWAS) são, todos, exemplos a serem mencionados quando falamos em cientistas deslocados e refugiados. Em alguns casos, os programas dão preferência para que os mesmos sejam acolhidos em países em via de desenvolvimento.

Fica, então, a dica para instituições que queiram se beneficiar com este capital intelectual. Universidades estrangeiras já perceberam a importância deste nicho há muito tempo. Considere, no entanto, que estamos falando de uma situação na qual o objetivo só será atingido com o famoso win-win. Como? NUNCA desconsiderando que acolher um desses pesquisadores significa reconstruir vidas.

Não se esqueça que seus comentários, perguntas e sugestões são muito importantes. Participe entrando em contato conosco pelo e-mail alyshiagomes.ri@gmail.com. Até a próxima!!!

 

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