A arte popular na crise!

Artesãos investem em redes sociais para driblar isolamento social e manter as vendas aquecidas

A arte popular na crise!

Artesãos investem em redes sociais para driblar isolamento social e manter as vendas aquecidas

Por | Edição do dia 12 de abril de 2020
Categoria: Cultura | Tags: ,,,,,,,,


Foto: Divulgação.

Mestra Vânia Oliveira tem feito suas peças com o material disponível em casa. Foto: Divulgação.

A arte popular de Alagoas nunca esteve tão em alta como vem acontecendo nos últimos anos, galeristas, colecionadores, arquitetos, museólogos, entre outros, de todas as partes do mundo visitam o Estado periodicamente em busca dos artesãos que espalhados pelos quase 102 municípios, é uma verdadeira aventura em busca da arte genuinamente alagoana.

Esses homens e mulheres estão intimamente ligados ao cotidiano da sua comunidade, vivenciando suas dores, alegrias e sonhos, uma grande expedição ao universo desconhecido do seu ser e por nossa ousadia dizemos que aí está à fonte inesgotável da arte popular alagoana. Atualmente a categoria conta com 15 mil artesãos cadastrados através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo (SEDETUR).

Diante da crise mundial causada pelo Covid-19 o mundo inteiro parou, nesta perspectiva, todos os países vêm tomando medidas emergenciais para combater o avanço da pandemia. No Brasil não está sendo diferente, com a gravidade de casos confirmados em São Paulo e Rio de Janeiro os governadores do nordeste saíram na frente no último mês e decretaram o isolamento social do seu povo, medidas que ajudam no combate ao Covid-19.

Mestra Vânia Oliveira, artesã há 38 anos descreve a atual situação dos artesãos em Maceió ante o isolamento social. “Estamos vivendo sem vender nada, os turistas foram embora, nós não temos espaços para vender porque não podemos sair e dentro de casa a procura tem sido mínima. A produção está sendo na medida do material que temos aqui, algumas peças estão ficando pela metade por falta de material”, destacou.

Foto: Thiago Sobral.

A ceramista Sil da Capela tem usado as redes sociais para vender os produtos. Foto: Thiago Sobral.

Solução através das mídias

Como a renda familiar depende da produção do artesanato muitos artesãos do interior estão se aliando aos meios digitais para tentar driblar a crise e continuar a confecção de seus produtos. De acordo com a popular ceramista Sil do município de Capela, as redes sociais estão sendo uma ferramenta aliada para a divulgação do trabalho, “A minha única dificuldade no momento está sendo apenas as transportadoras, devido à paralização, elas não estão podendo pegar nosso material. Enquanto isso, graças a Deus as redes sociais tem sido um auxilio importante, através do instagram, facebook e o whatsaapp, eu tenho conseguido divulgar meu trabalho, conquistando novos seguidores que acabam se tornando clientes”, disse.

O Mestre João das Alagoas também entrou de cabeça nas redes, mas segundo ele, a falta dos turistas acarreta em maiores dificuldades nos próximos meses, mesmo tendo a internet como aliada, “Estamos sem visitas, conforme o decreto do governo. Eu estou me segurando porque temos uma quantidade de encomendas em processo de conclusão. Depois que estiverem prontas vamos aguardar as transportadoras que também estão paradas voltarem a funcionar. Agora tem muitas outras pessoas que estão precisando vender seus produtos, pois, dependem desse dinheiro para manter a casa, aqui mesmo temos pessoas nessas condições, se a pandemia continuar entraremos em crise. As redes sociais tem ajudado bastante na comercialização, porém, sem a transportadora ficamos de mãos atadas”, informou.

Fotos: Acervo do Mestre.

João das Alagoas destaca dificuldade com transportadoras.

Governo de Alagoas oferece uma solução emergencial

A SEDETUR disponibilizou para quem possuí a Carteirinha do Artesão em dia acesso a uma linha de crédito especial da Desenvolve – Agência de Fomento de Alagoas, com taxa de juros a 1% ao mês. Essa condição especial é válida para aqueles que fizerem a solicitação dentro dos próximos 60 dias. O crédito disponível para os profissionais dessa categoria por meio da agência, é uma autarquia da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo, é de até R$15 mil, com carência de 90 dias e prazo para pagamento em até 24 meses.

“É um momento difícil para todos nós. Para enfrentar essa crise, o Governo de Alagoas vem desenvolvendo um pacote de medidas econômicas que auxilie os Micro e Pequenos empreendedores. A linha de crédito da Desenvolve é mais uma destas medidas, que apresenta condições de pagamento especiais para estes profissionais como uma maneira de manter seu sustento durante esse período de recessão econômica”, pontua Rafael Brito, secretário do Desenvolvimento Econômico e Turismo.

Enquanto não for liberado o isolamento social, os 15 mil artesãos do estado terão a oportunidade de uma linha de crédito especial e contará com as redes sociais para divulgação do seu trabalho.

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