83% das ruas que recebem nomes de pessoas homenageiam homens

Movimento pede equidade de gêneros nos logradouros; sugestões para novos nomes de ruas seguem até o dia 31

Por | Edição do dia 25 de janeiro de 2019
Categoria: Maceió, Notícias | Tags: ,,,


Quem mora em Maceió e tem um parente, amigo, vizinho ou a lembrança de uma personalidade que já faleceu e que acredita que deveria ser homenageado com o nome de uma rua na capital, tem até o dia 31 deste mês para encaminhar suas propostas para a Secretaria de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente (Sedet). O prazo expirava no dia 30 de dezembro, mas foi prorrogado.

De acordo com um levantamento feito pela prefeitura, há cerca de duas mil ruas que ainda não receberam nomes oficiais e estão registradas, por exemplo, como Rua A, Rua Nova, Rua Projetada entre outros. Não ter um nome oficial na rua em que moram, faz com que as pessoas sejam prejudicadas para a localização na hora de receber uma visita, socorro ou para receber encomendas e correspondências.

Outro problema com relação à nomenclatura dos logradouros é que há várias ruas com o nomes em vários bairros de Maceió. Essa duplicidade, triplicidade ou até mais também causa transtornos que poderiam ser evitados caso cada rua tivesse um nome diferente.

Mas não foi apenas a prefeitura de Maceió quem atentou para os nomes das ruas da cidade. O Ateliê Ambrosina fez um verdadeiro mapeamento das ruas, avenidas, travessas e alamedas, quais e quantas homenageiam pessoas, chegando ao número de 3.986 logradouros. Dentro deste quantitativo, 651 têm nomes femininos. A constatação foi de que cerca de 83% das ruas maceioenses com nomes de pessoas levam nomes masculinos, o que equivale a 3.300 ocorrências. Casos indeterminados por gênero não identificado somam apenas 1% do total (35).

O fato é de se estranhar já que até em músicas se destacam a superioridade na quantidade de mulheres por aqui. Já comparava Djavan: “Oh, Maceió! É três mulher (sic) prum (sic) homem só”. Mas vamos a alguns exemplos. A Garça Torta é o clássico desta estatística: 80% das ruas possuem nomes de homens, percentualmente igual ao Benedito Bentes, que dos 754 logradouros, possui 131 com nomes de pessoas, mas apenas 26 são de mulheres.

Na Chã de Bebedouro, que tem 41 logradouros com nomes de pessoas, apenas nove homenageiam mulheres, o que corresponde a 22%. No Clima Bom, que tem 512 ruas, sendo 318 com nomes de pessoas, 19% (62) receberam nomes de mulher. Na Jatiúca, das 141 batizadas com nomes de pessoas, o número cai para 14%, com apenas 20 mulheres, empatado percentualmente com um dos maiores bairros da capital, o Jacintinho, que tem 419 ruas, destas 245 com nomes de pessoas e só 35 femininos.

A Gruta e o Poço empatam com 12% nesta estatística, este com apenas 16 e aquela com 11 ruas homenageando as bravas alagoanas. Mangabeiras também decepciona, com apenas três vias (9% do total do bairro) com nomes femininos. No Centro apenas 3%, Ponta Verde e Pajuçara somente 2%. O bairro com maior percentual de nomes femininos na capital é o Pontal, que tem 33%. Já a Pajuçara, Guaxuma e o Canaã não possuem sequer uma rua homenageado uma mulher.

Diante destes quantitativos, o Ateliê Ambrosina lançou a campanha #SeEssasRuasFossemDelas . A ação lançou três questionamentos para a sociedade: Quantas ruas do seu bairro homenageiam pessoas? Dessas ruas, quantas receberam o nome de mulheres e quantas de homens? Quem foram essas mulheres?

O levantamento inédito sobre o recorte de gênero nos logradouros de Maceió foi protocolado na Sedet no mês passado e, desde então, colhe sugestões de mulheres a serem homenageadas, que vão constituir abaixo-assinado a ser protocolado na secretaria, em atendimento à Campanha Rua Legal. “Esta campanha é em defesa da Equidade de Gênero nos Logradouros de Maceió. Os interessados e interessadas em contribuir com o batismo de novas ruas da nossa cidade podem procurar o Ateliê Ambrosina nas redes sociais, sugerir nomes de mulheres já falecidas e nos falar um pouco sobre quem elas foram. Com essas informações, vamos passar estes nomes para a Sedet. Esperamos que nosso abaixo-assinado seja atendido, as ruas levem nomes das alagoanas e reduza a disparidade entre esses percentuais”, assinala Bruna Teixeira.

Além da ação do Ateliê Ambrosina, a Campanha Rua Legal recebe sugestões dos próprios moradores para o nome da rua em que mora. Eles devem se reunir com a comunidade, elaborar um abaixo-assinado e enviar a sugestão para a Sedet. O envio pode ser por e-mail: rualegalmaceio@gmail.com ou diretamente na sede da Secretaria, na Avenida Governador Afrãnio Lages, 297 (Leste-Oeste), onde funcionava a antiga SMCCU.

Junto ao abaixo-assinado, deve ser anexado um pequeno histórico sobre o nome sugerido e sua relação com a comunidade, além de justificar o motivo da escolha. “É importante que a escolha seja feita em comum acordo com os moradores daquele logradouro, para evitar insatisfação entre eles. O ideal é que seja escolhido um personagem que tenha uma significação para o bairro ou mesmo para a rua”, explica o diretor de Geoprocessamento da Sedet, Tácio Rodrigues.

Legislação
A escolha do nome da rua deve seguir critérios já determinados pelo Código de Urbanismo e Edificações de Maceió (Lei 5.593), a partir do artigo 83. Pelas regras dessa legislação, as ruas não podem receber nomes de pessoas vivas, não é permitido alterar para nomes de ruas que já existem e nem modificar logradouros históricos e tradicionais.

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