59º BI Mtz: A guerra contra a seca

Exército Brasileiro trabalha para combater à seca no sertão

59º BI Mtz: A guerra contra a seca

Exército Brasileiro trabalha para combater à seca no sertão

Por | Edição do dia 17 de outubro de 2018
Categoria: Brasil, Notícias | Tags: ,,


Há três décadas, o 59º Batalhão de Infantaria Motorizado (59º BI Mtz) atua em Alagoas no combate à seca e garante água para o povo sertanejo. A missão é feita através da Operação Carro-Pipa. Esta tarefa iniciou através da publicação do decreto estadual e é supervisionada pelo Ministério da Integração Nacional. O programa visa ajudar a muitas famílias sertanejas a sobreviverem ao clima quente e ao ar seco, que atinge toda a região Nordeste. Nesta batalha são convocados cerca de 50 militares do exército e 140 pipeiros, que por meio de uma estratégia montada percorrem um território que compreende 38 municípios alagoanos, sob sol forte e escaldante.

Agricultora pagava R$ 250,00 para matar a sede da família

Foto: Elzir de Souza

“A água é uma benção de Deus. E estes soldados do Exército não deixam que a gente morra de sede e ajuda a fazer a comida para meus filhos. Se não fosse essa ajuda, não sei como seria da minha vida e dos meus filhos sem água”, disse Marlene Pimentel Correa, de 53 anos, que trabalha na agricultura. Marlene Pimentel, mora com o marido, cinco filhos e um neto, uma criança de quatro anos. Todos sobrevivem do que colhem da plantação de milho, feijão, abóbora e melancia, que possuem no quintal de sua casa.

Antes de ser beneficiada com o abastecimento ofertado pela Operação Carro Pipa, Marlene Pimentel tinha que fazer economia e se apertar financeiramente para desembolsar R$ 250,00 para comprar 14 mil litros de água. “Com a Operação Carro-Pipa, eu já uso o dinheiro para comprar uma comidinha a mais para minha família”, disse a agricultora, que usa um carro de boi para ir até a cisterna mais próxima de sua casa, encher os recipientes e levá-los à sua família.

São distribuídos gratuitamente 20 litros de água por pessoa ao dia

Foto: Elzir de Souza

Com a Operação Carro Pipa, as famílias que sobrevivem à seca deixaram de encarar uma via crúcis para obter água. Assim como Marlene Pimentel, outras famílias sertanejas deixaram de comprar o líquido para beber, fazer a comida e utilizar para higiene. O chefe do escritório responsável pelo programa no Estado, capitão Adelino Conceição, disse que mais 120 mil pessoas são beneficiadas com a ação. “De acordo com o planejamento, a previsão da operação pipa são vinte litros por pessoa ao dia. E isso pode incluir uma criança ou uma pessoa com mais de 100 anos. Para todos, a quantidade é a mesma”, disse o capitão Adelino.

Além de Alagoas, outros sete estados do Nordeste – que é a região do Brasil mais beneficiada com o fornecimento da água –, recebem recursos federais para o transcurso da operação. Municípios do norte de Minas Gerais também estão na lista de beneficiários.

Foto: Elzir de Souza

Exército monta estratégia de guerrilha para matar a sede do sertanejo

Foto: Elzir de Souza

O Exército faz um levantamento da população e de possíveis locais para instalar uma cisterna. O trajeto é levado em consideração para conclusão do cálculo que irá definir quais os meios serão adotados para levar água ao povo sertanejo, esse cálculo conclui quanto vai ser pago ao pipeiro contratado. O Batalhão trabalha diretamente com as Coordenadorias Municipal de Defesa Civil (COMDEC) de cada cidade, eles vão informar quais as comunidades.

Quando a situação é extrema e existe a comprovação da falta de chuva no local, a cidade é classificada como semiárido nordestino, nesta situação, quem define se o lugar vai receber água é a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), anualmente ela faz uma delimitação do semiárido, analisando se aumentou ou diminuiu em virtudes dos ciclos de seca. Os municípios atingidos que fazem parte do agreste e estão próximo aos locais de grande seca também entram no decreto que é enviado para o Ministério da Integração avaliar.

Quando as cidades são homologadas é analisado como será aplicado o recurso, o Ministério tem três formas de encaminhar a água, via Exército, Defesa Civil do estado e do Município. Pela Forças Armadas, o Ministério da Integração faz contato com o Comando de Operações Terrestres para fazer todo controle. O Comando Militar do Nordeste recebe todas as recomendações e repassa para o 59º BI Mtz, que por sua vez faz o reconhecimento e verifica quais as cidades quem vão receber a água.

A Operação Pipa surge através do Decreto governamental e municipal de calamidade, informando a situação e a impossibilidade de abastecimento de água para a população, seja por meio de açude e água encanada.

Pipeiros são convocados para a ação

Foto: Elzir de Souza

O pipeiro José Ferreira, de 51 anos, sai todos os dias às 4h da manhã do município de Traipu para pegar água na cidade de Limoeiro de Anadia e levar às comunidades de Girau do Ponciano. José Ferreira e outros 149 motoristas se disponibilizaram para atuar junto como os militares do Exército para combater a seca. Todos estes caminhoneiros envolvidos nesta missão têm que se cadastrar para obter o certificado que o deixa apto a levar água para os sertanejos. As rotas são definidas e é feito um sorteio para distribuir as comunidades.

Os contratos são de três em três meses, no final de cada período é feito um novo sorteio. O comandante do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado explica o motivo do contrato ser tão curto. “A região do novo semiárido é pobre, o recurso que os pipeiros ganham serve como distribuição de renda, por isso tem que atingir o maior número de pessoas possíveis, por isso é preciso da oportunidade aos outros pipeiros que ficaram de fora do sorteio, esses têm prioridade no próximo contrato, o objetivo é aumentar o ciclo durante o ano”, disse o Coronel Nilton Rodrigues.

Os motoristas são obrigados a manter o caminhão em perfeito estado, semanalmente o caminhão é inspecionado por uma equipe do Exército. Muitas comunidades são de difícil acesso, alguns imprevistos sempre acontecem. “O terreno ruim danifica o caminhão e aumenta o consumo de pneu, a cada seis meses, tenho que comprar outros novos”, concluiu José Ferreira.

O caminhão passa por toda parte de saúde pública, tem que constar o certificado de controle veicular do Detran e alvará da Vigilância Sanitária autorizando o transporte de água potável, com todos os documentos em situação válida o carro pipa está apto para participar da Operação.

Foto: Elzir de Souza

Toda a guerra contra a seca é monitorada via satélite para evitar fraudes

Foto: Elzir de Souza

Todos os caminhões que prestam serviço para a Operação Carro Pipa são monitorados via satélite. Cada veículo leva onboard um rastreador do Sistema de Monitoramento da Logística de Entrega de Água por Carros-Pipa, mais conhecido como GPIPA. O equipamento Funciona através do sistema GPS para verificar as rotas dos pipeiros e GSM enviando as informações com precisão da localização.

Há cerca de cinco anos que o Exército utiliza o GPIPA com o objetivo é acabar com os fraudes que aconteciam antes. Ao todo seis militares trabalham diariamente acompanhando as rotas dos pipeiros de Alagoas. O responsável pela equipe de monitoramento é o 2º sargento José Ferreira Júnior. “A cada três meses são sorteados os lotes, os pipeiros contemplados só começarão a trabalhar após levarem os carros para vistoria e conforme aprovação é instalado o rastreador”, disse o 2º sargento Ferreira Júnior. A instalação pode ser feita em três pontos: Paulo Afonso-BA, Garanhuns-PE e Olho D´água das Flores-AL.

O aparelho vem integrado de um leitor de cartão, que ficar de posse do pipeiro e do morador responsável em receber a água da comunidade. Quando o motorista plena o pipa com água ele passa o cartão comprovando que o caminhão está abastecido, o equipamento registra a rota certificando que não houve nenhum desvio ou parada até o abastecimento da cisterna. Ao chegar no local, o responsável pela cisterna passa seu cartão e logo em seguida o condutor do caminhão passa o cartão finalizado o trajeto.

Pão de Açúcar reforça serviço

Para o prefeito da cidade de Pão de Açúcar, Flávio Almeida da Silva Júnior, as adutoras e os polos de abastecimentos são soluções para combater a seca no município. “Enquanto o município trabalha de mão dada com o Exército, no sentido levar água para o povo sertanejo, além dos caminhões da Operação Pipa, a cidade tem mais quatro caminhões locados para auxiliar no transporte”, disse Flávio Almeida.

Até o final do primeiro semestre de 2019, o Flávio Almeida promete entregar a obra que vai beneficiar cerca de cinco mil pessoas com água encanada do Assentamento Conceição até o Assentamento Alemar. “São soluções permanentes que vão melhorar a vida das pessoas, dando saúde, porque água é vida”, disse.

Foto: Elzir de Souza

Luta esbarra na expansão territorial e falta de viabilidade econômica

Foto: Elzir de Souza

Os primeiros relatos de seca no semiárido nordestino surgem desde o Brasil Colônia. A solução para combater a necessidade do povo sertanejo existe, mas esbarram na expansão gigantesca do território e consequentemente na falta de viabilidade econômica. O comandante do Batalhão, Coronel Nilton Rodrigues cita as dificuldades em combater a falta de água no Nordeste: “Se não existe um atrativo econômico e historicamente nós temos um problema, as pessoas que moram nesse local acabam vivendo nessa dureza de ambiente, ter água encanada é de uma grande infraestrutura, e isso não aparece de um dia para o outro. Poços artesianos que tenham vazão e água qualidade para abastecer 120 mil pessoas é muito difícil”, destacou Nilton Rodrigues.

As soluções existem, mas o emprego dos carros-pipa são mais viáveis para manter o sertanejo fixo no seu local, evitando a superlotação das grandes cidades aumentando o índice de desemprego. As pessoas devem ter o direito de escolher onde conviver com dignidade.

Vídeo Operação Pipa em Alagoas

 

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