, Quarta-Feira - 24 de Abril de 2019

 

3 mil Sem Terra iniciam marcha em Maceió

A notícia / 11:27 - 15/04/2019

Camponeses e camponesas de todas as regiões de Alagoas marcham desde o início da manhã de hoje (15) na capital Maceió


Cerca de três mil trabalhadores rurais participam, nesta segunda-feira (15), da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Em Maceió, a marcha realizou, às 8h, um ato em frente ao prédio da reitoria da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em defesa da universidade pública.
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Segundo Débora Nunes, da Coordenação Nacional do MST, o ato dos trabalhadores rurais é uma demonstração simbólica das organizações de luta pela terra na defesa da educação e contra os ataques que as universidades têm sofrido nesse último período.

“Temos vivenciado um avalanche de ataques e ameaças à educação pública, sobretudo contra as universidades públicas, vindas desde o Ministério da Educação desse atual governo, até de ataques dos poderosos que não aceitam que esse espaço também deve ser dos filhos e filhas da classe trabalhadora. Nosso ato é também um recado aos que querem que esse espaço seja um espaço distante da realidade do povo brasileiro, restrito a uma elite, sem cumprir sua função social”, comentou Débora.

Ainda de acordo com a coordenadora do MST, o ato deve reunir professores, estudantes e a gestão da Universidade junto aos Sem Terra. “Vamos reafirmar mais uma vez a disposição dos Sem Terra em abraçar e defender a universidade pública, na luta para que ela tenha a cara do povo e possa responder as demandas reais da nossa sociedade”.

Jornada de Luta

De acordo com Carlos Lima, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Jornada de Luta do mês de abril é um momento bastante simbólico para os trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra. “Mais uma vez abril será marcado pela luta dos camponeses e camponesas em todo o país e aqui em Alagoas nossa Marcha e nossa mobilização será marcada, mais uma vez, pela unidade daqueles e daquelas que seguem lutando pela terra e por uma Alagoas mais justa”, destacou Lima.

Segundo o coordenador da CPT, uma série de atividades devem ser desenvolvidas ao longo dos dias da Jornada em Maceió, pautada pelas reivindicações políticas dos Sem Terra, mas também em memória daqueles e daquelas que deixaram seu legado na luta pela terra no país. “Há 23 o Massacre de Eldorado dos Carajás deixava 21 mortos no estado do Pará, nossa luta é também uma resposta coletiva aqueles e aquelas que acreditavam parar nossa luta em cada ameaça e assassinato”.

Conhecido internacionalmente, o Massacre de Eldorado dos Carajás marca o dia internacional de luta camponesa, no dia 17 de abril, onde em todo mundo ocorrem lutas em defesa da Reforma Agrária. Durante o Massacre, 21 militantes do MST foram assassinados pela Brigada Militar no estado do Pará há 23 anos atrás e, até hoje, o caso é lembrado pelos Sem Terra durante as Jornadas de Luta no mês de abril. “O mês de abril simboliza o derramamento de sangue pelo Estado brasileiro de trabalhadores e trabalhadoras que sonhavam com a terra e sua liberdade”, explicou Carlos Lima.


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