111 categorias aceitaram redução de salário para fugir do desemprego

Em 2014 foram apenas quatro registros de negociações com corte no holerite

Por | Edição do dia 13 de outubro de 2015
Categoria: Artigos, Economia, Notícias | Tags: ,,


ee581b52a71723517365b0ef6ac2e0965172207bCresce o número de funcionários com carteira assinada que aceita reduzir os salários para tentar escapar do desemprego, no Brasil.

Neste ano, até agosto, já ocorreram 111 acordos coletivos com redução nominal dos salários, quase metade deles no Estado de São Paulo. Em 2014 foram apenas quatro registros de negociações com corte no holerite, segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com base em dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

No ano passado, os trabalhadores conquistaram aumento real médio acima de 1% nas negociações realizadas em todos os meses. Neste ano, com exceção de janeiro, os reajustes estão abaixo de 1% ou se limitam a repor a inflação. Em julho, o resultado foi negativo em 0,3%. Os dados levam em conta todos os acordos salariais firmados no País.

Poder de barganha
Mesmo que o segundo semestre seja marcado por negociações de categorias com maior poder de barganha, como metalúrgicos, químicos, bancários e petroleiros, o embate será complicado, admite José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

De 25 negociações analisadas pelo Dieese entre julho e agosto, 90% conseguiram apenas zerar a inflação. Oliveira diz que os resultados dos acordos do segundo semestre devem ser similares aos do primeiro, com conquista de aumento real por menos de 70% dos trabalhadores.

“O cenário desse segundo semestre é de dificuldade pois, entre os vários problemas, a dimensão da crise política contamina o cenário econômico”, diz Oliveira.

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