, Sexta-Feira - 19 de Outubro de 2018

 

Torcida pela seleção não se mostra engajada às vésperas da Copa

Luís Otávio Mendonça - estagiário / 5:07 - 12/06/2018

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Datafolha, 53% dos torcedores da seleção afirmam não ter interesse pelo Mundial da Rússia


Quatro anos após a derrota da seleção para a Alemanha, no clássico 7 x 1 das semi-finais, a expectativa para a abertura dos jogos é cada vez mais morna (Arquivo)

Quando o Brasil sediou a última Copa do Mundo, em 2014, o clima que antecedeu a abertura dos jogos era dividido. De um lado, a expectativa em torno da estreia do país como sede de um dos eventos mais importantes do esporte e a ansiedade e torcida pela conquista do hexacampeonato. Do outro, protestos, indignação, atrasos na liberação dos estádios e denúncias de corrupção acompanhadas de vaias e gritos de ‘’Não vai ter Copa!’’.

Mesmo com essa polarização, uma coisa era evidente: o país e os brasileiros, insatisfeitos ou não, pintaram as ruas e os rostos de verde e amarelo e com a ajuda de bandeiras e muita música ajudaram a construir o clima de patriotismo e hospitalidade que caracterizou os 30 dias de competição.

Quatro anos após a derrota da seleção para a Alemanha, no clássico 7 x 1 das semi-finais, a expectativa para a abertura dos jogos é cada vez mais morna. Pouco se vê, pouco se fala.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Datafolha, 53% dos torcedores da seleção afirmam não ter interesse pelo Mundial da Rússia. Em janeiro deste ano, a porcentagem era de 42%. Essa é a primeira vez que mais da metade da população não demonstra interesse pela Copa desde 94, ano em que o Datafolha começou a fazer pesquisas sobre o tema. As ruas e estabelecimentos também seguem essa mesma desmotivação e a busca por produtos esportivos e uniformes da seleção tem sido cada vez menor, desagradando muitos comerciantes e empresários que esperavam resultados mais satisfatórios e lucrativos. 

É o que conta a vendedora Jamila Santos, funcionária de uma loja de artigos esportivos. Ela diz que desde o último mundial tem trabalhado na área e que, comparada a edição anterior, é como se essa fosse uma época do ano como qualquer outra. ‘’As vendas estão mais fracas que as da última copa, que teve preparação antecipada. Muito antes da estreia, já havíamos suprido todo o estoque’’, diz.

Ela também revela que embora esse clima ‘’morno’’ seja notável, os clientes estão, aos poucos, se preparando para a torcida, mesmo que os resultados ainda estejam bem abaixo do esperado. ‘’Há procura e com a proximidade dos jogos as vendas vão melhorando, mas nada muito positivo, nem negativo’’, conclui.

O também vendedor Allanderson dos Santos conta que desde o carnaval tem se preparado para as vendas de bandeiras e camisas da seleção e que agora, faltando poucos dias para a estreia do Brasil na competição, espera que a busca aumente. ‘’As vendas estão indo como podem. As pessoas passam, perguntam e as vezes compram. Só é um pouco frustrante’’, revela. Ele ainda se mostra otimista e acredita que ”se o Brasil ganhar e avançar na competição, a situação pode melhorar’’, diz.

(Internet)

Rua decorada para a Copa de 2014 (Internet)

As marcantes ruas decoradas de verde a amarelo, que ilustraram 2014, são cada vez mais raras. O universitário Gabriel Vieira contou que ainda não viu muitos locais ornamentados com coisas relacionadas a futebol e a seleção brasileira.

Ele também aponta o desempenho da seleção na última copa como um dos fatores para a falta de ânimo por parte dos brasileiros. ‘’O 7×1 contra a Alemanha abalou a confiança do torcedor brasileiro, afetou a relação que ele tem com o esporte, os jogadores e a status de melhor seleção do mundo’’, diz, completando que, embora ache que o time atual esteja melhor estruturado, sente ‘’como se fosse difícil pra seleção se reerguer’’.

A servidora pública Elizabete Cristina aprova as comemorações e o uso de adereços para acompanhar o desempenho da time, mesmo não sendo fã do esporte. ‘’A rua enfeitada dá um charme e também ajuda a aliviar esse clima de insatisfação que vivemos com política, economia, violência e desemprego. É saudável’’, conta.

Ela também diz que na rua onde mora tanto os preparativos para a copa como para as festas juninas coincidiram. ‘’Geralmente, nessa época do ano, arrumamos as ruas com bandeiras e balões. Como a Copa acontece ao mesmo tempo, as bandeiras já não serão mais coloridas e sim verde e amarelo.’’, revela.

Mesmo que boa parte da população não se mostre tão confiante na busca pelo hexa, sabendo da relação histórica que o brasileiro possui com o futebol, é válido dizer que ainda há muito pela frente. Em muitas ocasiões, o esporte serviu não só a diversão mais também à união, independente do estado, politica, religião e gênero.

É possível que a seleção cinco vezes campeã não supere seu desempenho na última copa e volte para casa, mais uma vez, de mãos vazias. Assim como é possível que ela retorne com um bons resultados e seu prestígio recuperado.

As recentes vitórias do Brasil contra a Croácia e  a Áustria foram capazes de mobilizar os torcedores pela internet. A partir do início da Copa nesta quinta-feira, e especialmente depois do jogo do Brasil com a Suíça, será possível verificar se a população vai realmente se interessar por esta edição dos jogos como se interessou anteriormente.

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