, Terça-Feira - 13 de Novembro de 2018

 

Tecnologia e sustentabilidade dentro de uma caixa

/ 4:56 - 30/10/2018


Marcelo Alves – Repórter

 

O isopor ou o poliestireno (EPS) está sendo substituído, em uma caixa ecotérmica, por lãs desenvolvidas a partirECOTÉRMICA 2 de garrafas de plásticos (PET), o politereftalato de etileno ou poliéster. A inovação voltada para o mercado de transporte de produtos de temperatura controlada, principalmente a de medicamentos e de produtos biológicos é da empresa Norvinco, com sede em Maceió-AL. O produto, que compacta compacta tecnologia e sustentabilidade, já foi reconhecido pelo Instituto Chico Mendes ao receber o Selo Verde e o prêmio Amigo da Natureza. O Laboratório de Ensaios Térmicos Valida do grupo Polar Técnica testou e aprovou o material, que foi lançado na Feira Internacional de Tecnologia para a Indústria Farmacêutica (FCE/PHARMA), a maior feira da Industria Farmacêutica da America Latina. O invento é 100% reciclável.

 

Solução inovadora reduz impactos ambientais

 

A nova embalagem térmica está revolucionando a cadeia de transporte de produtos de temperatura controlada, a chamada Cold Chain, especialmente a de medicamentos e de produtos biológicos, responsável por uma parte significativa do EPS – nome também dado ao isopor –, consumido e que acaba sendo incinerado, a um custo alto, ou descartado de forma irregular ou em aterro sanitários.

O diretor comercial da Norvinco, Jurg Niklaus Hassenstein, disse que a iniciativa surgiu da preocupação com a JORGE 2quantidade de isopor jogado nas areias das praias de Maceió, riachos e alguns locais da cidade. “Por se tratar de um material, composto por noventa e oito por cento de ar, representa muito volume e pouco peso útil, despertando pouco, ou nenhum, interesse nos catadores de lixo, responsáveis pela coleta de noventa por cento de todo o lixo reciclado no Brasil”, disse Jurg Hassenstein.

Diante da situação, surgiu a ideia do projeto Caixa Ecotérmica, para buscar resolver uma questão ambiental, bem como resolver outro problema enfrentado pelas empresas consumidoras de caixas de EPS, o espaço. “Por serem ‘infladas’ nas empresas fabricantes, as caixas produzidas de EPS não permitem ser desmontadas, exigindo uma grande alocação de área de armazenamento, tanto nas empresas, como pelas empresas de logística que muitas vezes, precisam transportar as caixas vazias, ou seja, acabam transportando basicamente noventa por cento de ar, a um custo alto logístico”, disse o diretor comercial da Norvinco.

Ainda segundo o idealizador, foi desenhada uma embalagem que permite ser montada e desmontada de acordo com a conveniência do cliente, gerando uma economia de espaço e redução de custo de transporte na ordem de 45% do volume de cubagem.

Há na Norvinco uma equipe de funcionários da empresa que desenvolveram um programa de coleta de lixo em Maceió para coletar o isopor, que será utilizado na produção da caixa ecotérmica.

 

Atributos

Arte – Marcelo Alves

Isolante térmico feito a partir da reciclagem de garrafa PET

 

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Aline Sampaio

Engenheira química Aline Sampaio

A mestre em engenharia química, Aline Sampaio, que é responsável técnica da PD&T, disse que o isolamento térmico principal é uma lã de politereftalo de etileno ou poliéster (PET) desenvolvida a partir de garrafas plásticas recicladas. O material é feito de 100% poliéster e é totalmente reciclável. De acordo com Alda Sampaio, a cada 1 mil m² de lã de PET (50 mm e 10 kg/m³ são retiradas da natureza cerca de 17 mil garrafas PET de 500 ml, equivalente a 15,5 gramas cada uma. “O produto é ecologicamente correto e sustentável, e atente ao conceito de economia circular, atualmente vigente” disse a engenheira química. Ainda está de acordo com o objetivo principal da Lei nº 12.305/2010 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PRNS).

“A parte interna da caixa é composta por papelão ondulado de alta resistência à umidade, permitindo a sua reutilização por diversas vezes, sem o comprometimento da eficiência térmica e da estrutura da embalagem. Após repetidos testes, comprovou-se que podem ser reutilizadas com segurança por sete vezes”, disse Aline Sampaio.

 

Por mês, a Slum recolhe 250 kg de isopor descartados de forma irregular em Maceió

 

Por mês, em Maceió, são recolhidos cerca de 250 kg de isopor jogados de forma irregular em diversos locais da cidade. A informação é da Superintendência de Limpeza Urbana de Maceió (Slum) que disse ainda que a quantidade de EPS retirada durante ações de limpeza está aumentando. Para tentar diminuir a poluição, a Slum recolhe porta a porta, através de cooperativas, para em seguida serem vendidos para empresas que fazem a reciclagem.

Além de ir em 18 mil residências de diversos bairros para coletar o lixo, a Slum possui Pontos de Entrega Voluntária (Pevs). São 11 em pontos estratégicos da cidade: Praça do Centenário, no Farol; na Praça Genésio de Carvalho, na Gruta; na Praça da Faculdade, no Trapiche da Barra; na orla da Praia de Ponta Verde; no Terminal do Graciliano Ramos; na Praça do Colégio Atheneu, no Salvador Lyra; na Praça Lucena Maranhão, em Bebedouro; em Guaxuma, na Praça do Conjunto Gurguri; na Praça Nossa Senhora de Fátima, no Feitosa; na Praça do Bicentenário, no Conjunto José Tenório e na Praça Colina dos Eucaliptos.

Arte – Marcelo Alves

No Senado, tramita Projeto de Lei que quer proibir uso de isopor

 

Vedar a comercialização e a utilização de embalagens e recipientes isopor – tanto poliestireno expandido (EPS) e o poliestireno extrusado (XPS) -, é o objetivo do Projeto de Lei Lei n° 719 de 2015, que tramita no Senado Federal. O autor da iniciativa é o senador Davi Alcolumbre. O material é considerado tóxico para o meio ambiente, ainda que possa ser reciclado, poucas são as empresas interessadas em processá-lo, considerando a impossibilidade, até agora, de fazê-lo em larga escala, além do baixo retorno financeiro.

A proibição, objeto da presente proposição, não impedirá as atividades daqueles empresários que fazem uso do isopor, visto que há alternativas viáveis e não prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, como por exemplo: o papelão ou o polipropileno (resina termoplástica do mesmo grupo dos poliestilenos e polibutenos, porém com forte resistência química, baixo peso, reciclável e atóxico).

MONTAGEM

Arte – Marcelo Alves


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