Boa Tarde!, Quarta-Feira - 14 de Novembro de 2018

 

Sem solução, caso Marielle coloca em cheque a justiça brasileira

Assessoria / 10:22 - 11/07/2018

Após quatro meses do assassinato da vereadora e seu motorista, Anistia Internacional afirma que justiça brasileira é falha


Às vésperas de completar quatro meses da execução da defensora de direitos humanos e vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, assassinados no dia 14 de março de 2018, o caso permanece sem solução.

“Após quatro meses, a não resolução do assassinato de Marielle Franco demonstra ineficácia, incompetência e falta de vontade das instituições do Sistema de Justiça Criminal brasileiro em resolver o caso. É urgente o estabelecimento de um mecanismo externo e independente para monitorar essa investigação”, afirma Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional.

People take part in a rally against the murder of Brazilian councilwoman Marielle Franco, in Sao Paulo, Brazil March 15, 2018. REUTERS/Leonardo Benassatto

Desde o início das investigações diversas informações muito preocupantes foram veiculadas pela imprensa e permanecem sem qualquer tipo de esclarecimento: que a munição utilizada pertenceria a um lote que teria sido vendido à Polícia Federal; que a arma empregada seria uma submetralhadora de uso restrito das forças de segurança; que submetralhadoras do mesmo modelo da utilizada teriam desaparecido do arsenal da Polícia Civil; que câmeras de vídeo que cobrem o local exato onde aconteceu o assassinato teriam sido desligadas na véspera do crime. A dinâmica com o que a execução aconteceu e a precisão dos tiros sugerem a participação de pessoas com treinamento específico e qualificado.

A imprensa também divulgou que o interventor federal na segurança pública do Rio de Janeiro, general Walter Braga Netto, em reunião com o presidente Michel Temer e o ministro Raul Jungmann, em maio, teria acertado um pacto de silêncio sobre o caso. O objetivo seria preservar o trabalho da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, responsável pela investigação. No entanto, esse silêncio após quatro meses sugere descompromisso das autoridades com a solução do caso.

“O sigilo e a confidencialidade, que tem como objetivo garantir a eficácia da investigação, não pode ser confundido com o silêncio das autoridades diante da obrigação de esclarecer corretamente a execução de Marielle. É fundamental não apenas identificar e responsabilizar os autores dos disparos, mas também os autores intelectuais dos homicídios, bem como a motivação do crime”, completou Jurema Werneck.

Eleita vereadora como a quinta mais votada do Rio de Janeiro em 2016, Marielle era conhecida por seu histórico de defesa dos direitos humanos, em especial de jovens negros de favelas e periferias, mulheres e pessoas LGBTI. O fato de uma defensora de direitos humanos com a expressão política e a visibilidade de Marielle ser assassinada sem uma resposta contundente do estado deixa outros defensores expostos a maior risco.

“A não solução do caso demonstra de forma inconteste a falta de compromisso do Estado brasileiro com seus defensores e defensoras de direitos humanos. Em vida, Marielle sempre se mobilizou por justiça e contra a violência do Estado. Pressionar pela resolução deste crime é manter viva sua luta por direitos, seu legado e sua memória”, concluiu Jurema Werneck.


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