Rui Palmeira acaba com a alegria do povo de Bebedouro

Deraldo Francisco / 10:47 - 03/01/2017


A reforma meia-boca que a Prefeitura de Maceió fez na Praça Lucena Maranhão – a pedido da igreja e de políticos da base aliada do prefeito Rui Palmeira – acabou com a alegria do povo de Bebedouro. Isso mesmo, a reforma à base de areia, pó de serra, ferro velho e placas de grama tirou a praça do roteiro do bebedourense nos períodos festivos.

As festas de final de ano foram morgadas ao extremo para os bebedourenses. Estive lá, faltando poucos minutos para a virada do ano. Contei 19 pessoas, com crianças pequenas e de colo.

Neste período, tradicionalmente, metade do bairro – ou mais que isso – ia à Praça Lucena Maranhão. Famílias inteiras desciam da Chã de Bebedouro, Chã de Jaqueira, dos morros e até dos bairros vizinhos como Mutange e Bom Parto para as festas de fim de ano na praça.

A igreja, representada pelo Cônego Walfran Fonseca, alega que o parque de diversões montado sempre nestes períodos atraía muitos bandidos para a praça. Onde não se tem bandidos em Maceió, padre? Foi durante uma procissão que, no ano passado, um rapaz foi esfaqueado dentro da igreja. Não era festa. Não tinha parque. E agora, vai fechar a igreja?

Praça Lucena Maranhão (Foto: Cacá Santiago)

Praça Lucena Maranhão (Foto: Cacá Santiago)

No Natal e Ano Novo, milhares de famílias – de famílias, não de pessoas – iam à Praça Lucena Maranhão para rever os amigos, cumprimentá-los, dar uma voltinha, colocar as crianças para se divertir nos brinquedos, depois iam para casa. Pronto. Bastava isso para o povo de Bebedouro.

Não há bar na praça nem no parque. As bebidas alcoólicas são vendidas por ambulantes em isopor, como em todo lugar. Aliás, essa questão do comércio também aliviava o sofrimento de dezenas de famílias bebedourenses. Nas festas de fim de ano de 2016, restou às famílias uma selfie num enfeite luminoso, na cor roxa instalado na praça. Aliás, foi a única “decoração” de Natal da praça.

Isso está acontecendo com a Praça Lucena Maranhão que já foi o Quartel General do Frevo. A praça também foi palco de muitas apresentações do Pastoril, no Natal. A Lucena Maranhão, do povo de Bebedouro, que o Major Bonifácio Silveira “tomou conta” numa época, é um local de encontros e manifestações culturais.

De modo que nenhum prefeito teve a ousadia de acabar com isso. Até mesmo a decisão de fechar todas as praças, num delírio do prefeito Pedro Vieira, na década de 1990, fechou com grades de ferro as principais praças de Maceió. Felizmente, ele só ficou nove meses no cargo.

Nem mesmo Guilherme Palmeira, pai de Rui, enquanto prefeito de Maceió no período de 1989 a 1990, cometeu o desatino de limitar o acesso das pessoas à Praça Lucena Maranhão e frear a manifestação cultural de um povo festeiro e alegre.

Isso deve ter consequências num futuro bem próximo. Não se sabe a intensidade delas.


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