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Projetos socioculturais mudam a vida de jovens nas comunidades de Maceió

Agência Alagoas / 3:42 - 08/11/2018

Lançamento de videoclipe faz parte das atividades da Oficina de Hip Hop do Programa Vida Nova das Grotas


Jovens da Grota do Grutão gravam clipe da música FDG é o Lugar (Divulgação)

Jovens da Grota do Grutão gravam clipe da música FDG é o Lugar (Divulgação)

O trabalho da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) tem dado bons resultados nas grotas e comunidades carentes de Maceió. Semanalmente são oferecidas oficinas socioculturais gratuitas, que usam a arte como instrumento de formação cidadã. São aulas de cultura popular, dança, Hip Hop, percussão, coco de roda, teatro e artesanato.

Um exemplo é a oficina de Hip Hop, que tem revelado grandes talentos da periferia. Realizada pelo Governo de Alagoas, por meio dos programas Na Base da Cultura, no bairro Osman Loureiro, e Vida Nova nas Grotas, na Grota do Grutão – entre os bairros da Gruta de Lourdes e Murilópolis, a oficina leva aos moradores o despertar do pensamento crítico através do Hip Hop, suas práticas artísticas e significados.

Segundo a secretária de Estado da Cultura, Mellina Freitas, os projetos promovem o acesso e a popularização da cultura. “Entendemos a cultura como aliada nas ações voltadas para a redução nos índices de criminalidade, violência e vulnerabilidade social. Implantar atividades culturais nesses bairros é uma forma de democratização e inclusão social”, disse.

Conhecido como MC Tribo, Nando Rozende é o responsável por incentivar a garotada a soltar a imaginação e criar versos para as canções. Músico, educador e produtor cultural, ele é fundador e vocalista da banda Favela Soul, vencedora do 2º Festival de Música popular Em Cantos de Alagoas.

“Não tenho como medir a importância que é realizar um trabalho como esse, mas posso dizer que é algo transformador, tanto para mim, quanto para os alunos. Levar sociabilidade e sentimento de pertencimento a uma comunidade não tem preço”, diz o professor.

De acordo com Nando, a recepção dos moradores está sendo muito positiva. “Melhora a autoestima, a valorização do local e a apropriação de sua cultura. Também conseguimos perceber a resposta da comunidade em relação aos jovens, demonstrando incentivo em forma de palavras. Só tenho a agradecer pela abertura do Governo do Estado e da Secult, pela oportunidade em desenvolver essa missão e por me oferecer condições para a realização desse trabalho”.

Família do Grutão

A arte do movimento Hip Hop nas grotas está levando aos jovens a valorização de si mesmos e das comunidades, substituindo a violência pela força das ideias e palavras. O fenômeno representa uma resposta política e cultural da juventude da periferia. “No microfone eu represento a periferia” diz um trecho da canção “FDG é o Lugar”, dos FDG Mc’s, fruto da oficina de Hip Hop. É a voz do jovem da  periferia eternizada em um vídeoclipe gravado na própria comunidade, que ganhou novas cores com a revitalização.

Na letra, eles falam sobre o viver na favela, desigualdade, violência, opressão e preconceito. Falam das mudanças que o Programa Vida Nova na Grotas está fazendo na comunidade e pedem paz. O nome FDG quer dizer Família do Grutão e foi escolhido pelos alunos no processo das aulas. “As letras são composições dos jovens, construídas de forma coletiva nas aulas e o conteúdo poético é relacionado ao contexto em que eles vivem”, afirma Mc Tribo.

“Essa experiência mudou a minha vida, antes não pensava como penso hoje. Hoje vejo o mundo diferente. Vejo melhor as coisas através do poder do Hip Hop. Enxergo meu semelhante melhor, sem julgar pela história de vida. Aprendi que devo dar forças para o próximo para que ele não desista e não pare. Me sinto mais confiante com as aulas e com as pessoas que me apoiam. Antes eu não tinha toda essa confiança”, disse Lucas Gomes, 17 anos.

Para Weverton Douglas, 19 anos, é uma experiência única: “Através do Hip Hop aprendi muitas coisas. Ter esperança, respeito e mais consciência na vida”, disse.

O jovem Junior Batista dos Santos, 21, relatou que os projetos socioculturais têm mudado a vida de todos da comunidade. “É uma experiência sem comparação. Vi muitas mudanças de vários jovens que andavam perdidos nas drogas e hoje estão ocupando a mente nos projetos do Governo”. Para Junior, as oficinas de Hip Hop foram uma oportunidade de descobrir seu talento. “Eu abracei essa oportunidade de poder gravar as minhas músicas e ser um pouco conhecido na comunidade. Hoje vivo com minha mente voltada para a música, meu modo de pensar mudou para melhor e me sinto feliz com o projeto do Rap. Isso mudou minha vida”, comemorou.


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