Boa Noite!, Segunda-Feira - 22 de Outubro de 2018

 

Projeto Relix fará grande celebração na Orla de Maceió

Assessoria / 9:14 - 04/01/2017

Patrocinado pelo Sesi-AL, o projeto promove espetáculos, entrega de bicicletas a catadores, exposição fotográfica e doações de incentivo à coleta seletiva


O Projeto Relix, que traz ações de sustentabilidade para Alagoas, se prepara para um momento de grande celebração na orla de Maceió. No dia 08 de janeiro, próximo domingo, acontece uma grande apoteose do projeto, com apresentações do espetáculo, passeios ciclísticos e entregas de trinta Ciclolix (ecobicicletas para recolhimento de resíduos sólidos) a catadores do Estado. A celebração começa às 9h30 com passeio das Ciclolix na orla, que chega até  a Multieventos. Às 15h30, acontece a entrega de 3o bicicletas aos catadores, comandada pelo mestre de cerimônias, o Gentilix, e o Batuquelix do Magote de Cabriolé. Às 16h, a primeira apresentação do Espetaculix, que tem outra sessão às 19h.

O Relix fez um balanço do primeiro mês de atuação em Alagoas. Desde 28 de novembro, quase 9 mil pessoas assistiram ao espetáculo do projeto, que fez 40 apresentações em dois municípios (Maceió e Marechal Deodoro) em escolas públicas e indústrias. Foram doadas 15 conjuntos de lixeiras seletivas às escolas e distribuídas quase 9 mil cartilhas.

relix 3

Assessoria

O Relix é um projeto multidisciplinar e orgânico, integrado com arte, música, teatro, fotografia, mobilidade, educação ambiental, redes sociais e direitos humanos. Com patrocínio do Sesi, promovem ações que se posicionam como um ponto de partida para repensarmos a maneira que lidamos com lixo, não só no âmbito coletivo, mas no comportamento do indivíduo. Cada pessoa, comunidade ou indústria pode e deve ser sensibilizada para se integrar como agente de reestruturação.

Além disso, será a estreia da exposição fotográfica Expolix, com 20 fotografias de Hélder Ferrer, resultado de um ensaio sobre o universo da reciclagem em banners fotográficos, presos às bicicletas Ciclolix, que abordam imagens da realidade profissional da coleta sob a ótica de valorização da auto-estima da profissão. A mostra viva e itinerante, continua à disposição do público circulando pela cidade até o final do projeto.

O QUE É RELIX?

Numa referência ao lixo em latim (lix, significado de cinzas), Relix é Recusar, Repensar, Reciclar, Reduzir e Reutilizar o lixo. Ressignificar transformando o conceito de lixo por meio da arte, relíquias. Para provocar mudanças de comportamento que conduzam a resultados mais eficientes e confirmem o estabelecimento da nova e necessária tendência ao lixo zero (ainda distante, mas é preciso começar). A cada performance cultural, com público formado por estudantes ou trabalhadores da indústria, se constrói uma nova consciência ambiental, na nossa casa, mas também na rua, trabalho, cidade.

“Pensar e agir de modo sustentável precisam ser tão naturais quanto o hábito de beber água. Para eu manter a saúde do meu corpo, preciso beber 2 litros de água por dia. Para manter a saúde do planeta, todos temos que estar juntos nessa corrente de diminuição de consumo, da logística reversa e da coleta seletiva. O ato de reutilizar, por exemplo, é  muito generoso. A gente acaba por descobrir novas possibilidades para as coisas”, diz Lina Rosa, idealizadora do projeto Relix,  que assina também a criação e direção de projetos como Sesi Bonecos e o Fito – Festival Internacional de Teatro de Objetos.

“Não se forma uma cadeia sólida de logística reversa sem ques cada elo dê a sua colaboração. Mas, para que isso aconteça, é preciso promover uma mudança de comportamento que começa pela conscientização das pessoas, mostrando a elas os impactos positivos da redução do lixo e como a reutilização dos resíduos sólidos é boa para a sociedade, porque conserva o meio ambiente. Existem, ainda, os lados econômico e social, pois a reciclagem gera renda para centenas de família”, Carlos Alberto Paes, Superintendente executivo do Sesi Alagoas.

“Precisamos mudar a mentalidade da população e de todos os gestores. Por isso, existe a necessidade de entender que ou a gente investe em educação ambiental ou não consegue avançar com as políticas públicas.   Por isso a Semarh se sensibiliza e apóia iniciativas como o Relix.  Um projeto que conscientiza a sociedade sobre a responsabilidade pelo resíduo sólido gerado por cada um e valoriza os catadores, dando a eles uma oportunidade de trabalhar com mais dignidade”, avalia Alexandre Ayres, Secretário Estadual de Meio Ambiente de Alagoas.

ESPETACULIX  

O Espetaculix circula em cidades de todo o Estado, no total de 130 performances e mais de 30 mil espectadores. “O projeto ainda leva a estudantes e trabalhadores da indústria uma oportunidade de contato com um projeto cultural, imersão numa vivência de arte”, reforça Lina Rosa.

relix 2

Assessoria

O espetáculo integra a participação dos atores, bicicletas coletoras, marionetes e sacos de lixo. No enredo, apresentam-se seis personagens principais: Raí Repensalix, Renato Recusalix, Rafael Reduzalix, Raul Reutilizalix, Rita Reciclalix, Ricardo Limpalix e Roberto Catalix. Além desses,  marionetes também compõem a dramaturgia: Ronaldo Recolix, Rodolfo Bagunçalix, Rubens Sujalix, Rosinha Egoistalix e o Dragão do Lixo, o Gigantelix.

Além de assistirem à peça, os alunos e trabalhadores recebem uma cartilha ilustrada pelo artista plástico paraibano Shiko numa abordagem lúdica para orientações de reduzir, reutilizar e reciclar o lixo e para fortalecer o aprendizado oferecido pela performance. A cartilha, com uma linguagem simples, traz os personagens do espetáculo como porta-voz de dicas de reutilização de lixo e informações de sustentabilidade, tanto de reflexão de comportamento pessoal, como nas indústrias, por meio da logística reversa.

CICLOLIX 

Em cada escola e indústria por onde passar, o Relix também vai expor a Ciclolix, a bicicleta coletora, com resíduo reciclado limpo, que levará o espectador a conhecer, refletir e criar uma nova e adequada consciência sobre a lei do Aterro Sanitário, sobre a importância dos catadores de lixo, sobre a reciclagem, sobre a logística reversa e, sobretudo, a urgente necessidade de redução do lixo gerado por cada indivíduo. Cada instituição envolvida vai firmar um acordo de colaboração com a cooperativa de catadores mais próxima geograficamente para que o lixo tenha destinação adequada.

Em Maceió, 30 unidades serão entregues às associações de catadores de todo o Estado. A escolha foi feita em escutas democráticas feitas na pré-produção do projeto, e com apoio da Secretaria de Meio Ambiente de Alagoas. Além disso, os catadores recebem um kit que inclui bolsa,  chapéu com proteção para a nuca e camisa UV para proteger o trabalhador do sol, par de luvas, cadeado e corrente e bomba de calibragem.

“A Ciclolix oferece mais dignidade a uma classe trabalhadora de fundamental importância para a sociedade e retira os animais das ruas. Além oferecer menor esforço físico e maior segurança para quem a conduz e para o trânsito, ela aumenta a auto-estima do catador e contribui para a valorização da profissão” define Lina Rosa .

DADOS DO LIXO

Assessoria

Assessoria

O mundo vive o alerta do consumo insustentável, o acúmulo do lixo produzido e a complexa questão do descarte adequado que cause menor dano. Reestruturar as iniciativas públicas e privadas para o equilíbrio do sistema torna-se uma questão global. No Brasil, a linha de chegada ao prazo final de fechamento de todos os lixões do Brasil e suas transformações em aterros sanitários, é uma das mais significativas ações para reconfigurar no país o debate sobre a questão do lixo como uma problemática social. A lei de Resíduos Sólidos determinava a extinção até agosto de 2014, mas uma emenda aprovada pelo Senado estabeleceu prorrogamento dos prazos entre 2018 e 2021, de acordo com município.

A palavra lixo tem origem no latim Lix (cinza), de uma época em que a maioria dos resíduos domésticos eram compostos por sobras da lenha, do carvão, das cinzas dos fogões e das lareiras. As cinzas, ou lixo, eram aproveitadas para fabricar sabão. Hoje, os componentes do lixo espalhados pelo mundo têm uma gama de cores tão vasta quanto o mal que causam. O cenário instalado é cinzento. Juntas, as cidades do planeta geram cerca de 1,3 bilhão de toneladas de lixo por ano. O Brasil produz 240 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos diariamente. Entre os países emergentes, lidera a lista dos que mais acumulam sucata eletrônica no mundo.

O Brasil ainda engatinha na difícil missão de fechar seus quase 3 mil lixões. A maioria das cidades não cumpriu o acordo, dentro da lei e no Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Baseado em 3 pilares: Brasil sem Lixão, Recicla Brasil e Pró-catador. O primeiro, como o próprio nome diz, pretende eliminar todos os depósitos a céu aberto e investir em parcerias com os estados e municípios para a construção dos aterros sanitários. O segundo foca na educação ambiental, na coleta seletiva e na reciclagem. O último estrutura cooperativas para fazer do catador um elo forte entre o plano e as suas conquistas. Para se ter uma ideia, a cada mil brasileiros, um é catador.

“Associação Brasileira de Empresas de Limpeza (Abrelpe) A Abrelpe publicou em relatório com um panorama da situação dos resíduos sólidos no Brasil. Em 2010, 42,4% dos resíduos tinham destinação inadequada – lixões ou aterros controlados (meio termo entre os lixões e os aterros sanitários). Em 2014, essa porcentagem estava em 41,6% – uma melhora de apenas 0,8 ponto percentual. Ou seja, entre a aprovação da lei para acabar com os lixões e o fim do prazo, praticamente nada foi feito. Segundo o panorama da Abrelpe, um total de 1.559 municípios usam lixões a céu aberto. Se somar os aterros controlados, são mais de 3,3 mil municípios que não descartam seus resíduos de forma adequada (o Brasil tem cerca de 5,5 mil cidades)” apurou matéria da Revista Época

Em Alagoas, Lixões permanecem ativos em 16 municípios da região. Um aterro sanitário, no município de Olho D’água das Flores, região da Bacia leiteira de Alagoas, que deveria estar funcionando desde 2014, encontra-se fechado e sem uso. Apesar da obra de construção já ter recebido mais de R$ 3 milhões em recursos do governo federal, o projeto está atrasado há um ano. Enquanto isso, moradores da região sofrem com a presença de lixões a céu aberto. Até agosto de 2014, dos 102 municípios, apenas a capital conseguiu acabar com o lixão e criar um aterro, como previsto na lei.”


Comentar usando