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Pesquisa aponta declínio do trabalho doméstico como fonte de renda

Assessoria / 4:35 - 12/01/2018


Os avanços no ensino público brasileiro e a ampliação da oferta de trabalho, observados de 2004 a 2014, são exemplos de fatores que engendraram uma nova forma de inserção de mulheres pobres na sociedade. Isso teve como efeito a redução da importância do emprego doméstico para as novas gerações, e a categoria acabou se tornando “envelhecida” após o período.

Segundo dados do IBGE apurados pela autora, o perfil etário do emprego doméstico, em 2004, tinha configuração semelhante ao das demais categorias, com maior percentual de trabalhadoras na faixa dos 30 aos 44 anos. Em 2014, a maioria das empregadas tinha entre 45 e 54 anos. O número de domésticas com até 29 anos, por sua vez, caiu de 24% para 7% no intervalo.

A pesquisa revelou que as profissionais ficaram, em geral, mais escolarizadas. A porcentagem de domésticas negras analfabetas, por exemplo, que era da ordem de 24% em 2004, reduziu-se para 13,5%, em 2014. Sobre esse mesmo estrato, o índice das mulheres com ensino médio completo passou de 10% a 21% ao longo da década. “Seu poder de compra também evoluiu, acompanhando a valorização do salário mínimo”, acrescenta a pesquisadora.

Patrícia Sampaio explica que, em contexto de crise e retrocesso em direitos, o emprego doméstico costuma ser visto como um “colchão amortecedor” do desemprego, o que poderia conter o encolhimento da categoria frente às demais. “Ainda é cedo para dizer que as mudanças de perfil no emprego doméstico da última década foram perdidas. E, quanto às pesquisas que indicam o crescimento do número de domésticas por ‘falta de opção’, resta saber quem são as mulheres que recorrem à profissão em tempos adversos e em que medida isso impacta a mudança estrutural verificada nos últimos anos”, diz a economista.


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