O coração do Aldo

Deraldo Francisco / 12:20 - 16/03/2017


As coisas do coração não precisam de explicações. Quem tenta esse feito não acaba bem das ideias. Por isso, a briga constante dele [o coração] com a razão. Nessas batalhas, quando perde ou quando ganha, o coração emociona e provoca outros corações. Jornalista também tem coração. O [coração] de Aldo Ivo era teimoso, mas sabia das coisas. Ele mandou o Aldo enveredar, logo cedo, aos dezessete anos, pelos caminhos difíceis – àquela época então – do Jornalismo. E Aldo foi, onde permaneceu com a sua caminhada durante sessenta e sete anos. Este mesmo coração o mandou torcer – mesmo com os riscos de sofrer tanto – pelo Botafogo. E ele foi e torceu. Fez da estrela solitária – símbolo do Glorioso – a sua fiel companheira. O coração de Aldo Ivo o mandou que fosse para pertinho do Supremo. E ele foi morar com Deus.

Mas, muito antes de cumprir a última ordem do seu coração, o jornalista Aldo Ivo “desfilou” pelo Jornalismo. Foi do futebol ao turismo. Passou pelas redações e era amigo de todas as gerações de jornalistas. Sempre tinha uma pauta pronta. Nem que fosse uma notinha para um colunista. Viveu o momento de realização ao ver uma filha se formar em Jornalismo e exercer a profissão com destaque em Pernambuco. Aldo mandou seu coração chorar de emoção. E ele chorou.

Tinha a habilidade em contar histórias. Por isso, começou contando histórias do futebol. Escreveu sem cansar no extinto Jornal de Alagoas. Foram mais de quarenta anos neste veículo.

Só saiu quando o jornal encerrou as atividades. A mesma fidelidade à estrela solitária. Gostava de andar e ia a pé para o trabalho. O coração gostava disso.

Nas caminhadas, Aldo Ivo sempre percebia algo interessante que renderia uma pauta. Com o olho na rua e a cabeça na profissão. Percebeu que o jornalista precisava de um curso na Ufal (Universidade Federal de Alagoas), como era em outros estados.

Na condição de presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas, ajudou no processo. Na década de 1970, a Ufal criou o curso de Comunicação. Aldo Ivo tinha cumprido bem esta pauta.

As novas gerações não tiveram o privilégio de conviver com Aldo Ivo. Mas, todos o conheciam e muitos o chamavam de professor. Nos últimos anos, mesmo abalado pela saúde e pelo cansaço do coração, Aldo Ivo insistia na profissão. Era assessor de imprensa, editor de Turismo no Jornal Tribunal do Sertão e ainda integrava o Conselho Editorial deste jornal. O coração reclamava, mas, com a moral que adquiriu na vida, Aldo Ivo tinha crédito para contrariar, às vezes, o velho amigo do peito.


Comentar usando