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Novo O Predador estreia com a missão de atestar a relevância da franquia

Diário de Pernambuco / 11:30 - 13/09/2018

Lançamento está longe da qualidade do filme que originou a franquia, mas é superior às sequências


Chega a ser curioso o fato de algumas franquias terem mais filmes dispensáveis do que propriamente marcantes e, ainda assim, manterem a longevidade. O Predador, novo título da série homônima iniciada em 1987, estreia nesta quinta-feira (13) com a missão de atestar a relevância do alienígena sanguinário mais de 30 anos após debute nos cinemas.

A mais recente produção é o sexto longa-metragem a ter o personagem nas telas. Depois do primeiro filme, estrelado por Arnold Schwarzenegger, veio a continuação direta, o irregular Predador 2: A caçada continua (1990), desta vez com Danny Glover no papel principal. Em 2004, o monstro voltou a aparecer, com outra criatura espacial famosa, em Alien Vs. Predador. Fraco, o crossover ganhou uma continuação ainda mais irrelevante em 2007.
A tentativa anterior de resgatar a franquia foi em 2010, com o reboot Predadores, ligeiramente melhor do que as sequências anteriores, mas muito distante do carisma do título oitentista. Considerando esse histórico, a fama do alienígena caçador tem muito mais pontos baixos do que altos e, tirando o primeiro filme, os outros bons momentos da franquia não estão nos filmes, mas em outros produtos, como videogames e quadrinhos.
Este novo O Predador, no entanto, é uma feliz exceção no show de mediocridade que a franquia mergulhou nos últimos 14 anos, se formos generosos em relação à sequência de 1990 e não considerarmos apenas o primeiro filme como digno de nota. Dirigido e escrito por Shane Black (Homem de Ferro 3), que fez uma pequena participação no longa original, a nova incursão é um meio-termo reboot e continuação.
Reboot porque traz algumas mudanças significativas na abordagem da franquia, mas também continuação, já que faz referências diretas aos filmes anteriores. A diferença mais expressiva, que pode desagradar alguns puristas, é o fato de o humor ter peso tão importante quanto a ação, característica marcante dos trabalhos de Shane Black, responsável por roteiros de comédias policiais como Máquina mortífera (1987) e Dois caras legais (2016).
O filme começa com o soldado Quinn McKenna (Boyd Holbrook) enfrentando um predador cuja nave caiu próximo de onde ele estava. O militar tem sorte e consegue se apossar de alguns artefatos do alienígena mas, por medo de ter o material apreendido, envia os artigos – uma máscara e um bracelete – para casa. Seu filho, Rory (Jacob Tremblay), recebe o pacote e, ao entrar em contato com o conteúdo, termina por ativar um dispositivo que atrai outro predador. No meio de tudo isso, Quinn se junta com outros veteranos de guerra e a cientista Casey Bracket (Olivia Munn), referência em assuntos extraterrenos. É um time insólito, mas que rapidamente se entrosa e vai no encalço do predador.
Olivia Munn e Boyd Holbrook se saem bem como protagonistas de ação e mostram entrosamento com os outros integrantes do esquadrão formado para enfrentar o alien, os atores Alfie Allen, Augusto Aguilera, Keegan-Michael Key, Thomas Jane e Trevante Rhodes. A trama não é exatamente arrojada, nem os personagens são desenvolvidos profundamente, mas isso não se mostra um problema. A direção decide abraçar o que há de ridículo em um alienígena raivoso de dreadlocks enfrentando brucutus. O talentoso Jacob Tremblay também vai bem no papel de criança prodígio.
O novo O Predador aprofunda o humor que já existia no primeiro filme e abraça de vez os absurdos da franquia, criando um sem-número de piadas (algumas de gosto um pouco duvidoso), sequências de ação amalucadas e uma grande dose de violência, com sangue, tripas, mutilações etc. O resultado é uma comédia de ação despretensiosa, sem muito estofo, mas com personalidade. Divertido e bobo, é uma “Sessão da Tarde” para maiores. Em tempo: no Brasil, o longa ganhou classificação recomendada de 18 anos, podendo ser visto por adolescentes a partir de 16 anos.


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