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Nem o tempo separa: casais contam as histórias de amor

Correio Braziliense / 9:51 - 12/06/2018

Nesta edição especial do Dia dos Namorados, contamos a história de casais que viveram um grande amor na infância e, depois de um longo intervalo, viram a paixão se reacender


“Um pequeno amor, surgido entre os 25 e 30 anos, tem tudo para virar um grande amor. Um grande amor, surgido em outras faixas etárias, tem tudo para virar uma fantasia.” A frase escrita pela autora Martha Medeiros, em 1998, leva a uma reflexão: há mesmo idade certa para se encontrar — e viver — um grande amor. Nesta edição especial de Dia dos Namorados, a Revista conta histórias de reencontros, de casais que viveram o relacionamento em dois momentos diferentes.
Alma e Paulo de Oliveira tiveram um breve namoro na adolescência, reencontraram-se 47 anos depois e, hoje, sexagenários, vivem uma linda história de amor. Karla e Daniel viveram uma história parecida, apenas com um intervalo menor de separação: 25 anos. São casais que transformaram relacionamentos da infância ou da adolescência em grandes amores da vida. Romances que sobreviveram ao tempo, resistiram a distâncias e se renderam ao reencontro.

Uma paixão que renasce aos 60

Alma de Oliveira e Paulo de Oliveira Padilha são a prova concreta de que “o amor tudo crê, tudo espera e tudo suporta”. Aos 63 e 68 anos, respectivamente, o casal vive como se estivesse nos primeiros meses de namoro, aqueles em que a paixão comanda as palavras e os gestos.

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Alma e Paulo de Oliveira em 1969 (detalhe) e hoje: casados e felizes (foto: Arquivo Pessoal)

De voz serena, Alma conta que conheceu Paulo na adolescência. Ela aos 14, e ele aos 19 anos. Os dois se viram pela primeira vez em um show, no qual a banda dele tocaria. “Uma amiga me convidou para ir. Durante a apresentação, trocamos olhares. Ele no palco e eu, na plateia. Começamos a namorar nesse mesmo dia”, lembra Alma.
O relacionamento, contudo, durou apenas um ano. “Esta é a única foto que temos juntos naquela época. Estávamos em um aniversário da sobrinha dele”, conta ela, ao apontar para a fotografia em preto e branco que pertence a uma coleção de memórias do casal. O fim do namoro foi por causa da mudança de Paulo com a família para São Paulo. A mãe dele também não aprovava o relacionamento por completo, ainda menos a distância. “Estávamos pensando em nos casar, mas minha mãe nos achava muito novos. Pediu para eu terminar”, relembra Paulo.
O término resultou em 47 anos de separação. Sem cartas, sem notícias, sem nenhum contato. Alma se casou, formou-se, teve cinco filhos, ficou viúva. Paulo também se casou, teve dois filhos, divorciou-se, mudou de cidade várias vezes. Por quase meio século, os dois viveram sem vínculo nenhum. “Mas nunca a esqueci. Volta e meia, eu me lembrava dela”, diz Paulo.

Juntos novamente

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(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)

Sem a esperança do reencontro, o casal foi deixando a vida seguir o próprio curso. Até que, em meados de 2017, Alma estava navegando pelo Facebook e viu a foto de Paulo. “Já o estava procurando pela internet havia dois anos e não achava nada. De repente, ele apareceu como sugestão de amizade para mim”, conta. “Não acreditei. Mandei uma solicitação de amizade e logo começamos a conversar.”
Paulo também ficou em choque com o contato. Estava morando em Betim, próximo a Belo Horizonte, e veio para Brasília só por causa de Alma. No fim do ano passado, o casal não tinha dúvidas de que o destino dos dois estava traçado. “Acreditamos e entendemos que tudo isso foi um projeto de Deus. Nós não usávamos o Facebook com frequência, não tinha como ser pelo acaso”, diz Alma.
No último dia 24 de janeiro, eles, finalmente, se casaram no civil. Segundo eles, não havia por que esperar. Afinal, “47 anos já é tempo demais”, brincam. No mês seguinte, em 11 de fevereiro, toda a família comemorou em festa. Paulo, na ocasião, reviveu a troca de olhares com Alma: cantou, ao vivo e em público, uma canção para a esposa. “O tempo não pode apagar nosso amor. Eu irei contigo para onde for. As muitas águas não poderão afogar; o que Deus uniu não vai acabar”, dizia a música.
Inabaláveis e com o mesmo propósito, os dois seguem de mãos dadas, sentindo e vivendo uma história de amor que tem como destino a eternidade.

A vida em ponte aérea

Se antes, a fisioterapeuta Karla Vasconcelos, 45 anos, estava sempre na ponte aérea entre Curitiba e Brasília para encontrar o namorado e atual marido, o servidor público Daniel Vasconcelos, 45, agora, ela vive de lá para cá para visitar os filhos na capital paranaense. Ela reencontrou o amor da adolescência e tomou uma decisão: mudar de cidade. “Foi difícil, mas eu tinha certeza de que era o que eu queria, e o Daniel me deu muita força”, agradece.
O ano era 1986 e ela, recém-chegada a Brasília, do Paraná. Novata na escola, conheceu Daniel, que estava uma série acima da dela. Eles tinham 12 e 13 anos e estavam na 8ª e na 7ª séries do ensino fundamental — atuais 9º e 8º anos. Daniel conta que, quando a viu, “foi amor à primeira vista mesmo”.
Começaram a namorar, mas o relacionamento não durou. No meio do ano, Karla descobriu que não ficaria em Brasília. Voltaria ao Paraná. “Aquilo quebrou minhas pernas”, relembra Daniel, que preferiu se afastar. “Eu fui embora tentando descobrir o que tinha feito de errado para que ele ficasse tão distante”, recorda-se a fisioterapeuta. Muito tímido, o então namorado não conseguira explicar que, simplesmente, estava sofrendo.

Pelas redes sociais

Karla ficou no Paraná sem contato algum com Daniel. Só 25 anos depois, os dois voltaram a se falar. Ele até já havia encontrado o perfil dela no Facebook, mas preferiu não adicioná-la e manter a distância. Como em muitos casos, a grande responsável pelo reencontro foi a internet. Em 2011, ex-colegas de escola criaram um grupo com toda a turma de 1986. Daniel foi incluído, mas Karla, não. “Como eu fiquei pouco tempo na escola, passei meio despercebida”, ela justifica.
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Daniel e Karla em dois momentos: quando estudaram juntos na adolescência, e hoje, casados (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Mas não estar no grupo não impediu que fotos dela aparecessem por ali. Foi quando ele pensou que deveria avisá-la. Ou ninguém o faria. Ele conta que demorou três dias para escrever uma mensagem. E mais três dias para obter uma resposta. “É engraçado que eu fiquei nervoso, parecia que tinha voltado a ser adolescente. Inseguro. Enquanto ela não respondia, passavam mil coisas pela minha cabeça, inclusive que ela poderia não ter gostado”, admite. Ela alega não ser muito conectada e ter demorado para ver o recado.
Começaram a conversar. Segundo ambos, sempre com perspectiva, sem olhar para trás. Passavam por momentos parecidos na vida, o que os uniu ainda mais. “Nós ficamos amigos de verdade. Até mais do que quando éramos adolescentes”, conta Karla. Foi inevitável que os sentimentos fossem resgatados. Chegaram a imaginar que poderiam estar idealizando um relacionamento que talvez não existisse. “Nós dois resolvemos trabalhar isso em terapia e percebemos que nos gostávamos mesmo”, concluiu Daniel. Mas um desafio permanecia: a distância. Ela em Curitiba; ele, em Brasília.
Daniel pegou um voo da capital para lá. Seria um bate e volta, mas acabou sendo ainda mais curto. O embarque atrasou e eles só tiveram uma hora e meia para ficar juntos. No aeroporto mesmo. “Parecíamos bobos, nem conseguíamos falar nada”, emociona-se Karla. “Quando eu a vi, foi como se eu tivesse 13 anos de novo. Quando nos beijamos, ficou tudo explicado para mim”, alegra-se Daniel.
Em 2016, eles se casaram e Karla se mudou para Brasília. Os filhos ficaram com o pai no Paraná e ela se esforça para visitá-los, pelo menos, uma vez por mês. Daniel acredita que, quando se é mais velho, se tem mais coragem para bancar certas decisões, como a de um namoro a distância, como eles fizeram no início, e como a de se mudar de cidade. Sem tanta expectativa, as coisas fluem. “A vida já é mágica naturalmente, a gente não precisa forçar nada”, ele garante.

O Parceiro está ao lado

Fernando Cutrim, 27, e Priscila Mello, 27, nunca imaginaram que uma foto poderia mudar o rumo das suas vidas. Em 1997, a turma do jardim de infância II do Colégio Batista de Brasília se reuniu para o clique. Na imagem, Fernando e Priscila estavam um ao lado do outro, mas não eram amigos próximos. Fernando tinha acabado de chegar à escola e ficou apenas um semestre na mesma sala que Priscila.
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(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A fotografia, até então esquecida, foi encontrada por ele 14 anos depois, em 2011. O achado foi parar no Facebook, local em que toda a turma se identificou e decidiu marcar um encontro. A reunião ocorreu na casa de Fernando. E, na ocasião,   ele reencontrou Priscila.
 A partir daí, passaram a conversar com frequência pela rede social. “Tivemos um pouco de flerte na época, mas não foi para a frente”, lembra Fernando. O clima entre os dois ficou meio incerto. Eles acabaram seguindo em frente e ficaram sem se falar por quase dois anos.
Neste meio tempo, Fernando confessa que não parou de pensar em Priscila. “Fiquei gostando dela de longe.” Com o intuito de esclarecer as coisas e, quem sabe, ter mais uma chance, Fernando mandou um e-mail. Priscila, porém, demorou três meses para responder. “Cheguei até a ler para os meus pais o e-mail, e minha mãe me recomendou pensar bem antes de responder”, ela brinca. “Acho que pensei demais. Por fim, respondi.” No texto, Priscila não deu muitos sinais de que queria corresponder os sentimentos de Fernando. Ele aceitou com tranquilidade a resposta e sem esperança de que ficariam juntos algum dia.

Coisas do destino

O relógio não parou. Meses se passaram e, em 2013, o casal se reencontrou em um retiro espiritual. Em 30 de maio daquele ano, tiveram o primeiro encontro. “O papo foi tão bom que durou mais que o previsto. Ele chegou atrasado no treino de futebol americano, e eu tive que desmarcar uma saída com as amigas”, lembra Priscila. A incerteza, ali, não teve vez. Dois meses depois, à moda antiga, Fernando pediu a mão de Priscila aos pais dela e eles começaram a namorar.
Quatro anos depois (e seis desde a descoberta da foto de infância), o casal anunciou o casamento, em agosto de 2017. Ao som da música Presente de Deus, Priscila foi ao encontro de Fernando no altar no último feriado de Corpus Christi — a mesma data do primeiro encontro. Hoje, os dois encerram a lua de mel em Gramado, no Rio Grande do Sul. Priscila está agora casada com seu único e primeiro namorado, e os dois sorriem diante de um futuro em que a felicidade sempre esteve ao lado.

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