Natal é o momento de ser um Papai Noel voluntário

Erika Messias - estagiária* / 8:00 - 21/12/2017

Idosos e crianças esperam presentes neste Natal, porém alguns pedidos são simples como ter alguém para conversar


O Natal. Há quem sempre espere esta data comemorativa para rever amigos e parentes distantes ou simplesmente apreciar o feriado. É nesta época do ano que, além de poder reunião de pessoas queridas, aflora o sentimento da solidariedade. Esse gesto é esperado por instituições que abrigam pessoas necessitadas e que dependem da “mão amiga” para poder trazer mais felicidade e conforto, em uma data que celebrada, não só apenas o nascimento do menino Jesus, mas o reacender da chama do ser voluntário.

A Casa do Pobre, que fica localizada no Vergel do Lago e abriga hoje cerca de 55 idosos, é uma das muitas instituições em Maceió que acolhe idosos em situação de rua e que sejam levados por familiares. O lugar já chegou a dar apoio para mais de 65 idosos, mas o atendimento foi reduzido, uma vez que dependem de doações e de uma parte das aposentadorias dos abrigados na casa.

Bruno Montenegro trabalha há 6 anos com os idosos da Casa do Pobre (Foto: Nathali Duarte/Arquivo)

Bruno Montenegro trabalha há 6 anos com os idosos da Casa do Pobre (Foto: Nathali Duarte/Arquivo)

“A Casa do Pobre no momento passa por dificuldades, e embora ainda atenda a uma boa parcela de idosos, nós por enquanto estamos aceitando apenas idosos que já recebam o benefício da aposentadoria e que não estejam acamados, para manter o bem-estar e conforto dos mesmos”, explica o coordenador operacional, Bruno Montenegro.

Trabalhando há quase seis anos na instituição, Bruno diz que é uma luta constante ter que manter a Casa e fornecer uma fartura digna de um Natal dos sonhos. A ajuda dos voluntários pode suprir algumas carências do lar. Porém, mesmo sendo necessário pedir ajuda, a casa não se utiliza de campanhas além do velho “boca a boca”.

“Sempre que é época de datas comemorativas, como é o caso do Natal, os poucos voluntários sempre aparecem por meio de um amigo que veio à missa ou quando o próprio padre, nos momentos de informações paroquiais, pede para que os fiéis ajudem e convidem outras pessoas para vir ao menos visitar e ter um gesto de amor ao próximo para com os nossos idosos”, relata Bruno.

Além disso, as expectativas da direção e também dos abrigados para cada fim de ano sempre aumentam, pois o que pode ser um pequeno gesto para algumas pessoas é motivo de grande alegria para eles.

“O Natal é sempre cheio de expectativas para nós, por ser a época em que as doações e visitações aumentam. O início de cada ano sempre é fraco para doações, então o mês natalino é motivo de alegria e alívio para os funcionários e os idosos”, conta o diretor operacional.

Ainda de acordo com Bruno, mesmo dezembro sendo o mês mais aguardado por eles, os idosos ainda passam por certas dificuldades. Há três anos o lar não consegue fazer as tradicionais ceias de Natal por não ter muitos recursos financeiros. Apesar de aumentar em quantidade, as doações ainda são direcionadas para manter o básico.

Seu Carlinhos aguarda o dia em que uma grande festa vai voltar a animar a Casa do Pobre (Foto: Erika Messias)

Seu Carlinhos aguarda o dia em que uma grande festa vai voltar a animar a Casa do Pobre (Foto: Erika Messias)

Seu José Carlos, de 62 anos, mais conhecido no lar com Seu Carlinhos, é morador da Casa dos Pobres desde 1993. Ele foi deixado pela família no lar após sofrer uma queda da rede e perder parte dos movimentos do lado esquerdo do corpo. Os parentes nunca o visitaram e Seu Carlinhos sente falta dos festejos de Natal, dos presentes e de reunir as pessoas queridas. Hoje, seu maior desejo é ter uma ceia natalina para reunir seus amigos do Lar.

“Tem tanto tempo que não temos ceia de Natal e nenhuma festinha que eu sinto muita falta. Me sinto triste por não ter com quem comemorar e nem ganhar presentes. Se eu tivesse como ter um pedido realizado, eu queria muito muita festinha de Natal, queria poder comer um bolo e poder ter um Natal feliz com meus companheiros”, sonha o idoso.

Embora Seu Carlinhos sinta falta de uma comemoração natalina, seu Gerson Macena, de 74 anos, prefere algo mais simples, porém singelo e sem grandes pretensões. É algo que pode ser resolvido sem gastar nenhum dinheiro.

“Meu presente para esse natal seria ter visitas. Poder tem com quem conversar, que não sejam os meus companheiros da casa ou os funcionários. Eu ficaria muito feliz se um dia visse nossa Casa cheia de pessoas para visitar. Seria um dia maravilhoso”, conta Seu Gérson.

Seu Gerson (de camisa branca) quer apenas poder conversar com alguém neste Natal (Foto: Nathali Duarte/Arquivo)

Seu Gerson (de camisa branca) quer apenas poder conversar com alguém neste Natal (Foto: Nathali Duarte/Arquivo)

A Casa do Pobre inicia as visitações todas as quintas e domingos, das 14h ás 16h. Mesmo com um efetivo de 35 funcionários, o lugar necessita de voluntários para fazer companhia aos idosos. Em termos de doações, a maior dificuldade enfrentada é a falta de fraldas geriátricas de todos os tamanhos. Leia mais sobre o trabalho executado pelo lar clicando aqui.

O sonho das crianças

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No outro extremo do ciclo da vida, uma das mais tradicionais campanhas natalinas no país, o Papai Noel dos Correios, corre contra o tempo para presentear todas as cartinhas enviadas no estado de Alagoas. Ainda aguardam adoção 1.500 cartinhas de estudantes de escolas públicas até o 5º ano do ensino fundamental e crianças de até 10 anos em situação de vulnerabilidade social. Os pedidos podem ser recolhidos e entregues no Escritório do Papai Noel, localizado no Maceió Shopping, bairro de Mangabeiras.

A comerciária Cleanne dos Santos adota cartinhas do Papai Noel dos Correios há mais de cinco anos. Para ela, saber que contribuiu para a realização de um sonho é muito especial, principalmente quando esse sonho vem de uma criança.

“Todas as vezes que os Correios anunciam que a campanha vai começar, eu me sinto animada, porque é uma emoção tremenda pegar uma cartinha e ler o pedido daquela criança. Mais emocionante ainda é saber que não precisamos fazer muita coisa para realizar o sonho de alguém, eu sinto paz ao comprar presentes para cada pedido que adoto. É a sensação mais especial do mundo”, relata Cleanne.

Segundo os Correios, cerca de 8 mil cartinhas foram entregues este ano em Alagoas. As expectativas do projeto ainda continuam positivas e a coordenação espera que até o último dia todas as cartinhas consigam um padrinho ou madrinha, para que para que crianças alagoanas possam alcançar seus sonhos de Natal. Leia mais sobre quem são essas crianças que depositam sua fé na solidariedade de desconhecidos clicando aqui.

 

*Com supervisão da Editoria

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