Não basta dizer que é do bem

Deraldo Francisco / 9:36 - 24/10/2016


Em campanha política, quem se identifica como sendo “do bem” já larga na frente. Afinal, o eleitor quer estar do lado de quem é do bem, embora todos tenham um pouco de maldade na alma. O prefeito Rui Palmeira vive dizendo que é do bem, numa campanha intensa de convencimento. Quem é do bem não precisa de campanha para mostrar isso. Percebe-se facilmente. Pois bem, num debate no Primeiro Turno, ele agiu muito mal. Em tom sarcástico, disse que o deputado federal João Henrique Caldas se escondia atrás da sigla JHC porque se envergonhava de citar o “João Caldas” do pai. Atacar a intimidade familiar é desleal, beirando a baixaria. Fernando Henrique Cardoso, que é chamado de FHC, se envergonha de quem? Em outra investida de baixo nível, Rui disse que JHC era bacharel em Direito porque não teve capacidade de passar no exame da OAB e se transformar “num advogado de verdade”. Sinceramente, precisava essa deselegância toda? O que isso tem a ver com a capacidade exigida para o cargo de prefeito? Isso não combina com quem veste o manto de “gente do bem”. Passar na cara das crianças que deu bolsa, fardamento e até tênis com o brasão da Prefeitura de Maceió também não parece uma coisa de quem se diz “do bem”.

Verdadeira disputa

Caso se confirme o que as pesquisas de institutos considerados idôneos e aqueles mais da corriola estão mostrando, Rui Palmeira vencerá verdadeiramente uma eleição majoritária. Isso porque, em 2012, ele se aproveitou de uma “judicialização” contra Ronaldo Lessa e o tirou do páreo. Ficou só na disputa. Aliás, Ronaldo Lessa – praticando o cinismo próprio da política – hoje apoia a candidatura de Rui à reeleição.

Mandato de 35 anos?

No ritmo que imprimiu a reforma em praças de Maceió – 10 em quatro anos – se reeleito, Rui Palmeira precisará de 35 anos para concluir a promessa de campanha: reforma em 70 praças. A conta é simples: “duas praças e meia” a cada ano de mandato. Como não existe mandato de 35 anos, pode se tratar apenas de uma promessa de campanha.

“Reforma” nas praças

Vale lembrar que a tal reforma nas praças de Maceió consiste num elementar projeto paisagístico à base de grama, plantas (da Sempma), areia da praia e raspas de madeira. Mais um punhado de ferro pintado ou em forma de brinquedos com reduzida vida útil. Sem contar que esses “equipamentos” representam risco para acidentes com as crianças. Não há, ao menos na periferia, obra de alvenaria nas reformas das praças. Tudo novo, pintadinho fica apresentável e rende ótimas imagens. Só que o tempo não perdoa.

Sem essa de coitadinho

Falando em prefeito, esse discurso de coitadinho, de “todos contra mim” não comove. Dentro da legalidade, as críticas são esperadas de todos os lados. Todo mundo sabe que quem está no poder vira vitrine. Rui Palmeira é prefeito, então é natural que seja criticado “até umas horas”. O que não pode é descambar para a baixaria, envolvendo vida pessoal, família, denúncias vazias.

Telhado de vidro

Da mesma forma, Cícero Almeida deve estar pronto para as críticas que são feitas em cima do que ele fala, do que fez… ou do que ele diz que fez. Não adianta fazer cara feia. Como comunicador, ele tem habilidade com as palavras, intimidade com o microfone, discurso fácil. Quem fala muito, erra muito. Por isso, volta e meia ele está se desmentindo. Então, os memes e as críticas “chovem”.

Golpe no queixo

Já que falamos de Cícero Almeida, o resultado das pesquisas do Ibope colocando Rui Palmeira bem na dianteira nas intenções de voto caiu como uma bomba na campanha da coligação “Para Maceió Voltar a Crescer”. A turma acusou o golpe logo no início da semana, mas, depois a campanha voltou ao ritmo normal, aliás, mais acelerado. A turma está confiante na virada.


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