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Milton Nascimento lança EP com releituras e faz sucesso nas redes sociais

Diário de Pernambuco / 3:02 - 07/10/2018


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As canções de Milton Nascimento têm sido interpretadas por cantores de diferentes segmentos da MPB e várias delas foram reunidas no roteiro de um musical que o homenageou, sob o título Nada será como antes, e no disco Casa de Bituca, do bandolinista Hamilton de Holanda. Sem renovar o repertório há vários anos, esse carioca com alma mineira está lançando A festa, um EP com a releitura de cinco clássicos de sua obra.

Milton, que nas gravações ao longo de mais de 50 anos de carreira, sempre teve o suporte de grandes orquestras, no EP é acompanhado apenas pelo violonista Wilson Lopes, que há vários anos integra a banda dele. Ao contrário das apresentações ao vivo, em que a voz do cantor por vezes não revela a mesma potência, no registro de estúdio exibe o timbre exuberante que levou Elis Regina a afirmar: “Se Deus cantasse, seria com a voz de Milton”.
Lançamento da gravadora Universal Music, o EP —  disponível nas plataformas digitais —  traz a faixa que dá título ao trabalho, gravada pela primeira vez pelo cantor. Anteriormente, A festa havia sido registrada por Maria Rita, no CD de estreia, lançado em 2003. Chama a atenção também a nova versão do tema folclórico Cuitelinho, poema de Paulo Vanzolini que recebeu adaptação musical de Wagner Tiso e Milton Nascimento, incluído originalmente no álbum Ao vivo, de 1983.
Cio da Terra, parceria de Milton com Chico Buarque, foi uma das faixas do LP Geraes, de 1976. Há ainda, Canção da América, de Milton com o eterno parceiro Fernando Brant, do Sentinela (1980); e Beco do Mota, presente no disco que tem o nome do cantor como título, lançado em 1969. Versos dessa canção lamentam o fim do mais famoso dos becos da cidade de Diamantina — berço do ex-presidente Juscelino Kubitschek — fechado pela Ditadura Militar.
 
Nas redes
Uma das mais emblemáticas composições de Milton Nascimento, Maria Maria, mais uma que tem também a assinatura de Fernando Brant, ganhou clipe estrelado por Zezé Motta, Camila Pitanga, Sophie Charlotte, Simone Mazzer, Jéssica Ellen, Georgina Góes e Arianne Botelho. Em cena, elas revelam, por meio de movimentos, a força e a beleza da mulher brasileira. O clipe tem direção e roteiro de Matheus Senra.
Milton conta que o clipe de Maria Maria foi uma das coisas que mais o deixaram emocionado ultimamente. “Quando vi o resultado, fiquei muito contente pela forma como tudo foi feito. O Matheus conseguiu sintetizar tudo que essa música representa. Fiquei sem palavras quando vi todas aquelas mulheres maravilhosas na tela”, revela o cantor.
“Para mim, foi um privilégio participar do clipe de uma das mais belas canções da MPB, composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, dois extraordinários compositores brasileiros. Foi um trabalho de equipe, em que todos os participantes se  sobressaíram dando o melhor de si. Tanto nós, atrizes, quanto o diretor e a coreógrafa”, frisa Zezé Motta, em entrevista ao Correio. “Ali expressamos sentimentos diversos, que vão da alegria à tristeza, mostrando a força da mulher brasileira. Ao ver o resultado, me emocionei muito e fui às lágrimas”, complementa.
 
Três perguntas/ Milton Nascimento
Que critério adotou na escolha das canções desse trabalho?
Na verdade, não foi uma coisa muito pensada assim de forma direta, a gente foi tocando, gravando, até que chegamos a esse repertório. Esse foi um projeto feito aos poucos, sem muita pressão com datas e tal… E quando achamos que já estava no jeito, decidimos lançar.
Maria Maria, ouvida originariamente em versão instrumental na trilha de balé homônimo, do Grupo Corpo, depois receberia letra do grande Fernando Brant e seria gravada no LP Clube das Esquina 2, em 1978. Que representatividade essa canção, agora registrada na EP acústico, tem em sua obra?
Não sou muito bom em ficar analisando as coisas que a gente faz. Eu gosto mesmo é quando as pessoas me contam os sentimentos e sensações que elas têm em relação às nossas músicas. Até porque a gente nunca fez nada pensando em atingir algo específico, tudo é sempre muito natural. Mas eu fico muito feliz quando vejo que uma música que Fernando e eu fizemos há 40 anos continua tocando o coração das pessoas.
Do que se trata o novo projeto que você está produzindo?
É um documentário musical com minhas músicas desde Travessia, onde eu canto e também recebo vários convidados. É um projeto da Gullane em parceria com a Nascimento Música que será exibido ano que vem pelo Canal Brasil.

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