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Maceió ganha escola bilíngue para surdos do Norte-Nordeste

Assessoria / 10:29 - 03/07/2018


Considerado não apenas uma escola, mas sim um conceito de mudança de vida e educação, nesta quinta-feira, dia 5, o estado de Alagoas ganhará o Ires – Instituto Bilíngue de Qualificação e Referência em Surdez.

O Ires, que é a primeira escola bilíngue para surdos do Norte-Nordeste e a terceira no Brasil é o resultado de um conjunto de ações e projetos em favor da comunidade surda. “O projeto iniciou pela Associação dos Amigos e Pais de Pessoas Especiais – AAPPE em 1992 quando começou a intervir na realidade em que vivia a comunidade surda em Alagoas que era de extrema invisibilidade onde a sociedade sequer imaginava que existia uma parcela da população que usava a língua de sinais”, lembrou a presidente da AAPPE, Iraê Cardoso.

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Diante dessa realidade encontrada aqui, a presidente, enquanto empreendedora social que teve um irmão surdo, falecido aos 15 anos no Rio de Janeiro chegou ao estado com essa vivência e a realidade local a impactou. Iraê destaca que em Alagoas “não havia emprego, tradutor, nem sequer a oportunidade de estudo para essas pessoas que viviam de assistencialismo e total ausência de cidadania”.

Educação

A AAPPE então observou que era preciso dar comunicação e educação para que toda essa potencialidade dos surdos emergisse e fosse trabalhada para que assim pudessem administrar a própria vida e contribuir de forma igualitária, e essa foi a diferença que a Associação fez na vida dessas pessoas e de suas famílias.

A importância da língua de sinais é determinante na formação e no desenvolvimento dos indivíduos e “foi então que começou uma série de ações voltadas aos surdos em nosso Estado e em 1998, foi oficializada a Libras em Alagoas, pela lei 6060, destacando ainda que fomos o sexto estado brasileiro a ter iniciativa”, pontuou a presidente.

Em 1999 junto com a formação de interpretes e de educadores surdos para o ensino da língua brasileira de sinais a AAPPE surpreende a sociedade com a inserção de 30 surdos no mercado de trabalho e o crescimento foi notável onde até agora já somam mais de 4 mil surdos encaminhados.

Construção do Ires

“No ensino superior iniciamos com cursinhos preparatórios voltados para os surdos que desejavam enfrentar um Vestibular, Enem e processos seletivos para o serviço público assim como para ampliar a graduação nos mestrados e especializações, foi nesse momento que começou a construção do Ires”, reforçou Iraê.

A presidente afirma ainda que o Ires é muito mais que uma escola. É um instituto que traz o conceito de transformação e tudo foi construído especialmente para os alunos surdos.

O Ires terá sala de pesquisa para língua de sinais, ilha de edição onde os surdos poderão filmar experiências e novos projetos além de uma proposta de avanço tecnológico para compartilhar experiências exitosas com todo o mundo. “Não há fronteiras para a disseminação do conhecimento”, destaca Iraê.

Funcionando também como incubadora de projetos inovadores o Ires terá uma cozinha-escola que vem com um conceito de integração e abre espaço para os surdos no mercado de turismo além de hotéis, bares e outras setores do ramo da culinária e gastronomia.

O auditório com 140 lugares será um espaço aberto não só à comunidade surda, mas também para outros segmentos da sociedade.

No espaço de convivência para a primeira infância serão ministradas aulas identificando e promovendo o conhecimento para a criança que tiver a vocação para desenvolver a fala e também para aquelas tiverem o interesse e facilidade de se comunicar por língua de sinais. “Estaremos formando uma nova geração longe do passado opressor de negação e de assistencialismo. É um novo conceito de vida e de educação que chega para Alagoas”, concluiu Iraê Cardoso.


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