, Terça-Feira - 11 de Dezembro de 2018

 

‘Jaspion’ ganhará histórias em quadrinhos feitas por autores brasileiros

Correio Brazileinse / 11:35 - 01/08/2018

Personagem vai ganhar mangá assinado por Fábio Yabu e Michel Borges e, em breve, será levado também aos cinemas


Uma das produções televisivas japonesas mais populares no Brasil, Jaspionpassa por um momento de revival no período em que completa três décadas da estreia no país. O personagem será levado aos cinemas em produção nacional prevista para 2019 e, ainda este ano, será adaptado para os quadrinhos por artistas brasileiros, com lançamento programado para dezembro. Quem assina a obra é Fábio Yabu (roteiro) e Michel Borges (arte), autores da trilogia Combo Rangers. O título faz parte do Henshin Universe selo de mangás (HQs no estilo japonês) produzidos por artistas brasileiros e publicado pela editora JBC.

jaspion

A publicação promete trazer a trama para os tempos atuais, mantendo a premissa original, do órfão que vira um guerreiro intergaláctico responsável pela paz na Via Láctea, cujo grande inimigo é Satan Goss, um ser que pretende conquistar vários planetas, entre eles a Terra. Nas aventuras, ele é acompanhado pela androide Anri e a criatura Miya. Outro elemento importante era a nave, capaz de se transformar no robô Daileon. O quadrinho dá continuidade aos acontecimentos vistos na série.

Não é a primeira vez que o personagem é levado aos quadrinhos no Brasil. À época da exibição, Jaspion foi comercializado das mais diversas formas, de brinquedos a HQs. Em 1989, a finada editora Ebal lançou um título próprio e, no ano seguinte, os direitos foram adquiridos pela Abril, que produziu uma série em 12 edições. Enquanto a primeira série adaptava os episódios da TV, a segunda trazia novas tramas e dava continuidade às histórias após o desfecho da produção televisiva, que teve 46 capítulos. Artigos de colecionadores, as edições antigas podem alcançar valores de até R$ 300 em sites de leilão.

Exibida a partir de 1988 na extinta TV Manchete, no programa infantil Clube da Criança, apresentado por Angélica, a atração foi responsável por algumas das maiores audiências do canal. A produção ia ao ar junto com outro grande sucesso da época, Changeman, inaugurando o período mais fértil para as séries tokusatsu, definição japonesa para produções estreladas por atores envolvendo super-heróis, monstros e uma boa dose de efeitos especiais.

Se o gênero surgiu ainda nos anos 1950 com Godzilla, foi nas décadas seguintes que ganhou popularidade para além do Japão, sobretudo com National Kid (1960) e Ultraman (1966). “A onda de JaspionChangeman e outros da época e anos posteriores foi muito forte e esses personagens ainda têm uma base de fãs muito grande no Brasil”, avalia o editor da JBC, Cassius Medauar, que enxerga potencial para que a obra atraia fãs antigos e conquiste novos públicos.

A depender do sucesso, a publicação poderá ter continuidade e trazer também outras figuras consagradas do gênero tokusatsu, que teve como período de maior efervescência no Brasil entre os anos 1980 e 1990. Aliás, é dessa época o primeiro ensejo de transformar Jaspion em uma produção audiovisual nacional. A Sato Company, distribuidora nacional desta e outras produções japonesas no país, chegou discutir a ideia com Jayme Monjardim (Terra Nostra), então responsável pela direção artística da Manchete. O envolvimento do diretor na novela Pantanal, outro grande sucesso da emissora, acabou o afastando do projeto, que ficou esquecido.

Ainda sem detalhes anunciados, o filme brasileiro, realizado pela Sato Company, deve ter o elenco e equipe criativa revelados em agosto, aniversário de 110 anos da imigração japonesa no país.

Enquanto o filme e mangá não chegam, as aventuras clássicas do personagem podem ser revisitadas na coleção O fantástico Jaspion: A série completa (World Classics, 5 DVDs, R$ 99). O canal do YouTube Tokusatsu TV também disponibiliza gratuitamente os episódios da série com a dublagem brasileira original, não só de Jaspion como de outros programas do gênero, incluindo JibanJiraya e Changeman.


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