, Quarta-Feira - 12 de Dezembro de 2018

 

Ipaseal promove a inclusão social com a contratação de mão de obra carcerária

Agência Alagoas / 11:41 - 06/12/2018

Quase um ano após a assinatura do contrato com a Seris, resultados são satisfatórios e alcançam seu principal objetivo: reintroduzir o reeducando no mercado de trabalho com dignidade e respeito


Para quem chega logo cedo à recepção do prédio do Ipaseal Saúde, a manhã começa com um harmonioso “Bom Dia” dado pela reeducanda, Iris Cândida. Ela trabalha há dois meses como recepcionista do órgão graças ao convênio firmado com a Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social (Seris).

O Ipaseal é um dos órgãos estaduais responsáveis pela contratação de mão de obra carcerária de reeducandos dos regimes semiaberto e aberto do sistema prisional alagoano. A autarquia assinou convênio com a Seris em janeiro de 2018, passando a contribuir para a reinserção social e a diminuição da criminalidade no estado.

Assim como Iris Cândida, atualmente 19 reeducandos trabalham internamente no Ipaseal nas funções de agente de portaria, segurança, serviços gerais, recepcionista e copeiro. Em Alagoas, já são mais de 700 egressos dos regimes semiaberto e aberto inseridos no mercado de trabalho.

História de vida

Iris Cândida não gosta de falar a idade, mas não esconde sua alegria e satisfação em ter uma oportunidade de retomar sua vida com dignidade, por meio do trabalho. Solteira e mãe de quatro filhos, dois meninos de 13 e 16 anos e as gêmeas de 7 anos, ela conta que, apesar dos esforços em colocar currículos em lojas do comércio e shopping centers, nunca foi chamada para uma entrevista pelo fato de ser uma detenta.

“Cometi alguns erros na minha vida. Em 2010 fui presa por tráfico de entorpecentes. Passei meses detida em regime fechado até conseguir o semiaberto. Tentei arrumar emprego, mas não consegui; é difícil. Foi quando fui recrutada para o programa de ressocialização da Seris. Na época, cheguei cursar dois períodos do curso de Direito, mas precisei abandonar devido a problemas financeiros. Mas pretendo retomar”, explica Iris.

“Através da Seris, tive a chance de fazer 12 cursos profissionalizantes, entre eles, de recepcionista, gestão em hotelaria, espanhol básico, cuidadora de idosos, atendimento nota 10, fidelização de clientes e informática. Depois fui trabalhar no cadastro de visitantes no Fórum do Barro Duro por um ano. De lá me transferiram para o Ipaseal Saúde”, completa.

“Gosto muito do trabalho na recepção do Ipaseal. É tranquilo e um aprendizado diário. Aqui sou bem tratada e respeitada. Adorei a oportunidade e gostaria de agradecer a todos pela confiança”, ressalta Iris Cândida.

Resultados

Para o gestor do contrato do convênio pelo Ipaseal, Edmilson Félix, a utilização da mão de obra carcerária vem dando muito certo. Segundo ele, os problemas são mínimos, enquanto os ganhos são enormes, tanto para instituição quanto para os reeducandos.

“Alguns deles já chegam qualificados, outros precisam de orientações básicas. Mas os resultados são positivos. A receptividade e o convívio dos reeducandos com os servidores do órgão também são bons. Esse é sem dúvida um dos melhores programas de valorização profissional e pessoal, de integração e de ressocialização implantados pelo governo do Estado”, afirma Edmilson.

Selo Ressocializador

O Ipaseal Saúde recebeu, este mês, o Selo Ressocializador 2018, pelo bom desempenho do convênio firmado entre o órgão e a Seris.


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